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México: um lugar para chamar de casa

Meu nome é Pedro Correia de Araújo e TÔ AQUI em Cidade do México, no México realizando meu intercâmbio social através da AIESEC RECIFE.

Teotihuacán
Teotihuacán

O início de tudo e a escolha do país

Sempre quis fazer um intercâmbio, mas apareciam problemas como tempo, disponibilidade, dinheiro, etc. Em junho de 2014, a AIESEC Recife abriu uma oportunidade para que os membros realizassem seu intercâmbio nas próximas férias. O projeto teria 6 semanas, sendo que para isso falaria com meus professores na universidade para adiantar em uma semana minhas provas, e voltaria uma semana depois.

O primeiro passo: convencer meus pais

A primeira pessoa com quem fui falar foi minha mãe. Expliquei como seria todo o processo e depois de algumas dúvidas sanadas, ela super me apoiou. Sobre meu pai, foi um pouco mais complicado. Ele é daqueles que conserva uma preocupação por vezes exagerada, e acha que tudo pode dar errado. Eu já tinha realizado uma viagem internacional sozinho, mas de curta duração, 20 dias. A ideia de passar 6 semanas fora de casa foi um pouco preocupante para minha família. Mas já estou na minha última semana aqui e não queria voltar tão cedo!

Vista a partir do Mirador da Torre Latinoamericana
Vista a partir do Mirador da Torre Latinoamericana

Sobre a escolha do país e do projeto: dúvidas. Quando você tem um mundo inteiro para escolher, as possibilidades parecem infinitas. Sempre fui indeciso, mas tendo tantas possibilidades, quem não seria?!

Dentre tantas opções, escolhi o México. Um dos principais fatores que me influenciaram foi Frida Kahlo. Há anos tenho uma paixão por essa figura, e isso me fez pensar como seria viver na cidade em que a fez ser tão espetacular. A primeira coisa que me vinha na cabeça quando eu pensava nesse país, era “cultura”. Essa ideia não mudou. Entendo porquê Frida tinha tanto orgulho de suas origens. Estou cada vez mais orgulhoso de ter escolhido essa cidade e de ter a família que tenho aqui. Duas amigas que também participaram dessa oportunidade dentro da AIESEC, também se aplicaram para o México e passaram.

Sobre meu projeto e host family

Inicialmente, procurei uma vaga para ensinar português e cultura brasileira. Casei minha vaga em setembro para viajar em fevereiro. Alguns meses depois, a responsável do meu projeto veio falar comigo. Estavam tendo dificuldades para encontrar alunos para o curso de Português, e me apresentaram outros projetos para que eu pudesse trocar. Isso não é normal, mas as coisas com Pedro são sempre mais complicadas. Por fim, entrei na vaga de uma amiga que não pôde viajar. O projeto se chama Proyecto UP e consiste em ajudar um professor com pesquisa e em sua tese de mestrado na UP (Universidad Panamericana).

Meu professor é incrível. Super compreensivo e está sempre disposto para que tenhamos uma ótima experiência aqui. Temos reunião semanal com ele e seu orientador para que direcionemos nossos esforços em novas atividades, melhoremos algo ou pesquisemos sobre determinado assunto. Uma das minhas amigas, Coral, também trabalha com o mesmo professor, e dividimos o trabalho. Luciana trabalha com crianças e está super apaixonada por elas.

Coral, sua host Samira e eu
Coral, sua host Samira e eu

O único problema que tive foi em relação ao host. Muito próximo da minha viagem ainda não tinha conhecimento de quem seria, e meu pai estava ficando louco com essa ideia. Então falei com uma mexicana que tinha ido para o Recife realizar seu intercâmbio social e ficou hospedada na casa de uma prima, e nos tornamos muito próximos. Ela ofereceu sua casa e retornou do Brasil na minha segunda semana aqui. A casa é grande, temos 5 cachorros e tenho um quarto só pra mim.

Primeiras impressões

FRIO. Era final do inverno aqui quando chegamos e a temperatura estava abaixo dos 10º. Levantar de manhã e ver 2º foi bem chocante. Alguns dias trememos de frio, mesmo agasalhados, mas super valeu! Agora o clima está bem ameno, na casa dos 20º.

Brasileiros revoltados com falsa temperatura
Brasileiros revoltados com falsa temperatura

Duas coisas que eu escutei bastante foi sobre perigo e trânsito caótico. Sobre o perigo: me sinto muito seguro aqui. Todas as estações tem policiais, nas ruas sempre podemos avistar algum também. A cidade me pareceu muito segura. Sobre o trânsito caótico: é verdade. A Cidade do México é uma das mais populosas do mundo! Porém, as vias são bem largas e nada que seja muito diferente de Recife.

O que me surpreendeu, na verdade, foi o transporte público. O metrô é muitooooo grande, se estende por uma área enorme da cidade, e custa apenas 5 pesos (pouco mais de 1 real). No entanto, para me locomover a partir de casa, utilizo o metrobus (custa 6 pesos). Acho ambos bastante bem efetivos, apesar de lotados nos horários de rush, como em qualquer grande cidade.

Custo de vida

O custo de vida é bem tranquilo. O transporte público barato é um dos pontos positivos. Táxi também é bem barato em relação ao Brasil, mas não o uso com frequência. Roupa não tem um preço tão diferente do Brasil não. Alimentação é um fator positivo. Existem combos em fast food entre 55 e 69 pesos. É possível sobreviver com 100 pesos ao dia (pouco mais de 20 reais). No restaurante em que eu almoço durante a semana, com 3 tempos, sai por pouco mais de 10 reais!

Eu, Coral e Jennifer (Alemanha) no Chief Chef, restaurante em que almoçamos durante a semana
Eu, Coral e Jennifer (Alemanha) no Chief Chef, restaurante em que almoçamos durante a semana

Dificuldades de adaptação

O que mais me assustava era a comida. Não sou de comer tudo e isso me fazia pensar no que iria dar estar num lugar de gastronomia tão diferente. No entanto, tive sorte. Para o almoço, incluso no projeto, ganho um ticket para um restaurante próximo à Universidade. A comida é ótima e posso escolher dentre algumas opções, o que me deixou super tranquilo. Temos sempre uma sopa, risoto ou salada e depois um prato principal.

A grande questão sobre a pimenta é verdade. Tudo leva pimenta. Até doce! Mas além da pimenta, tudo leva limão também. Incrível ver que eles colocam limão em tudo. Tacos! Tacos everywhere! Acho que é a comida mais famosa aqui. Toda esquina tem algum lugar que venda taco ou torta (um tipo de sanduíche com vários recheios). Outra comida típica é o tamales, uma espécie de pamonha, feita de uma massa a base de milho, com inúmeros recheios, cozida a vapor ou fervida.

Estou cada vez mais feliz de ter escolhido a minha experiência aqui. Não há lugar melhor para chamar de casa, México!

Vendedores pelo caminho em Teotihuacán
Vendedores pelo caminho em Teotihuacán

Por Pedro Correia de Araújo

Pedro Correia de Araújo é Director de Intercâmbios Sociais da AIESEC RECIFE. Entrou como voluntário na AIESEC Recife em Junho de 2014 na área de OGX GCDP, por acreditar no potencial de mudança dessa organização e se interessar pelo propósito e diferentes culturas. É estudante de Ciência Política com ênfase em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Pernambuco.

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