Home / Intercâmbio / Relatos de intercambistas / Romênia: os aprendizados e os sentimentos que uma experiência global gera em você

Romênia: os aprendizados e os sentimentos que uma experiência global gera em você

Olá, meu nome é Renan Rodrigues, e voltei de Timisoara, na Romênia, onde realizei meu Intercâmbio Social em 2014 pela AIESEC Brasília.

Cidade de Cluj-Napoca.
Cidade de Cluj-Napoca.

Minha recepção no país foi simples, mas calorosa. Uma membro da AIESEC local me recepcionou no aeroporto (ela foi minha buddy de experiência, dando suporte em tudo o que eu precisava saber para viver na cidade).

Eu cheguei no fim de semana, antes da segunda em que começava o projeto. Fiquei na casa da AIESECA, junto com a sua família, e o ambiente foi bem acolhedor. Na segunda-feira, fui para o alojamento onde ficavam os intercambistas e onde conheci o time que trabalharia comigo no meu projeto.

Meus alunos do projeto Winter Vitamins.
Meus alunos do projeto Winter Vitamins.

O comitê local era bastante interessado nas nossas atividades. Sempre tive os contatos de todos os membros envolvidos, para tirar dúvidas sobre qualquer coisa (do projeto e do dia-a-dia na Romênia), e eles eram bastante acessíveis. O cuidado e a atenção que tiveram comigo foi ímpar e muito importante. Eu paguei por um serviço e estava recebendo aquele serviço, mas isso era facilmente esquecido, porque parecia que eu havia ganhado amigos que me davam suporte em tudo lá (e eu de fato ganhei). Eu nunca estava sozinho na Romênia.

Comida da Romênia.
Comida da Romênia.

O projeto

O projeto era de 7 semanas, e se chamava “Winter Vitamins”, onde eu dava aulas e facilitava dinâmicas para crianças, despertando coisas como responsabilidade social, engajamento para trabalho em equipe, impacto na sociedade e liderança; e onde apresentamos também um pouco da nossa cultura (cada intercambista, a sua).

No meu grupo, éramos três brasileiros e um taiwanês, e cada um contou um pouco de si e do seu país. Também houve um momento onde as crianças mostraram um pouco da cultura e do idioma romeno para a gente. Ainda tenho contato com algumas das crianças (que já não são tão crianças assim) via Facebook. Eu acompanhei, de longe, o crescimento de algumas delas (algumas já estão com quase 18 anos).

Winter Vitamins: despertando responsabilidade social, trabalho em equipe, impacto na sociedade e liderança.
Winter Vitamins: despertando responsabilidade social, trabalho em equipe, impacto na sociedade e liderança.

Houve um momento muito legal durante o intercâmbio, que foi o Global Village. O Global Village é um evento em que a AIESEC de Timisoara alugou uma parte do maior shopping da cidade (Lulius Mall) para que nós, internacionais, mostrássemos coisas sobre o nosso país. Danças, cantos e barracas de todos os países que estavam lá pelo mesmo propósito que eu. Descobri muita coisa legal sobre muitos lugares do mundo, que eu nunca imaginei que saberia um dia. Nós, os brasileiros, fizemos uma barraca bem legal com coisas legitimamente brasileiras, além de uma apresentação de forró e axé! Sim, dancei forró e axé num shopping lotado na Romênia, hahaha.

Viajando pela Romênia

Eu e os intercambistas do meu grupo fizemos, mais para o fim do intercâmbio, uma viagem de trem por quatro cidades. Isso foi incrível, porque tive uma imersão forte na cultura romena e no país, de uma perspectiva que não era só a da cidade onde estava morando (Timisioara). Cada cidade tinha muitas coisa para visitar, muita história e muitas tradições para conhecer, e essa viagem sem dúvida foi uma das aventuras mais marcantes do meu intercâmbio.

Eu e os intercambistas na viagem de trem.
Eu e os intercambistas na viagem de trem.

Saindo de Timisoara em uma quinta a noite fomos em direção a Cluj-Napoca, uma viagem, de mais ou menos 7 horas, que durou a noite toda! Como esperado, muita diversão no trem e conversas variadas. Chegamos lá de madrugada e fomos direto para o hostel descansar e começar a conhecer o lugar já no dia seguinte de manhã. Das três cidades, Cluj foi a que mais me encantou com as lindas igrejas e praças, sem contar a aparência legitimamente leste europeia. O custo de vida na cidade é mais caro que em Timisoara, principalmente, a comida, mas nada exorbitante. Passamos momentos inesquecíveis e com certeza é a cidade que eu mais aconselho visitar na Romênia.

Neve em Timisoara.
Neve em Timisoara.

Ficamos em Cluj até domingo e fomos para a próxima parada: Sighisoara. A cidade em si é bonita pela arquitetura antiga e ruas tradicionais. Uma curiosidade da cidade é que lá foi onde o Conde Drácula nasceu, também existe um cemitério na cidade em honra aos heróis do Comunismo. Mas a melhor coisa da cidade, sem dúvidas, é o preço de tudo. E se não bastasse, entrei numa loja de presentes por curiosidade e não acreditei no preço. Tudo MUITO barato comparado aos outros lugares que vendem exatamente as mesmas coisas. Comprei vários presentes para várias pessoas lá. Então, se a sua Eurotrip passa por Sighisoara, você vai aproveitar muito os preços, como eu aproveitei.

Sigisoara.
Sigisoara.

Depois de comprar muitos presentes para o pessoal do Brasil, e para mim é claro, fomos para a terceira e última cidade: Sibiu. Cidade grande, com muita gente e muita coisa pra ver. Gostei demais de andar pelas ruas e conhecer o segundo maior museu a céu aberto do mundo. Sibiu tem uma noite muito animada e o hostel em que ficamos, muito bem localizado, parecia um hotel de tão bom. Dias felizes e histórias engraçadas construídas depois de uma noite de karaokê em um pub perto do hostel. Foi o encerramento perfeito para a nossa aventura pela Romênia, deixando saudades e muitas memórias inenarráveis.

A volta para o Brasil

Voltar para o Brasil foi complicado. Nunca vou esquecer que, no último fim de semana, eu fui um dos primeiros intercambistas a ir embora; e o pessoal me acompanhou até a estação para nos despedirmos. Foi uma sensação muito estranha, como se de fato estivesse deixando a minha família lá; e uma sensação ainda pior a da possibilidade de que nunca mais nos veríamos novamente (por sorte, isso não aconteceu, pois grande parte desses meus amigos do intercâmbio eram brasileiros, e já nos encontramos por aqui depois que voltamos).

Essa sensação é a mesma de quando você vai para o intercâmbio, deixando a sua família e seu país aqui. Passei quase 2 meses lá, me acostumei, e foi difícil sentir o que senti indo embora. Por isso é importante pensar que devemos aproveitar o máximo dessa experiência, estar com a cabeça aberta para ideias, opiniões e experiências, para termos um sentimento de realização, também, quando voltarmos.

Piata Vitoriei (Praça da Vitória) e Catedral Ortodoxa.
Piata Vitoriei (Praça da Vitória) e Catedral Ortodoxa.

Como superar o intercâmbio? É engraçado. Fiz meu intercâmbio em 2014, e estamos em 2017. Eu ainda olho para as fotos da viagem e me dá saudade, ainda sinto que quero voltar, que quero rever essas pessoas. Uma conexão forte, de fato, ficou entre nós (eu e a Romênia). Mas acredito que podemos superar o intercâmbio quando pensamos em todos os frutos dessa experiência como uma coisa muito positiva.

Voltar para o Brasil, para a sua cidade, é necessário. E você supera o intercâmbio quando você percebe isso. Que você precisa trazer todo esse impacto quando você volta para o seu dia-a-dia e para as pessoas da sua realidade.

Para o resto da minha vida eu saberei que minha digital ficou naquela cidade da Romênia, assim como saberei que o Renan de hoje existe graças a isso. E esse intercâmbio me abriu portas desde o primeiro dia no Brasil. Sempre sou convidado para conversar sobre a experiência, sobre a importância do intercâmbio na vida de alguém e me sinto lisonjeado em poder falar sobre. Ainda, profissionalmente, essa experiência foi um diferencial gigantesco para empresas/organizações que levam o voluntariado a sério e entendem a importância de se colocar no mundo como um agente de mudança. Meu dia a dia seguiu com uma cabeça nova, com mais empatia, mais compreensão e respeito às diferenças, me tornando um grande militante dos direitos das minorias e dos direitos humanos como um todo.

Alunos do projeto.
Alunos do projeto.

Por Renan Rodrigues

Renan Rodrigues é formado em Relações Internacionais e já fez trabalho voluntário na Romênia. Ama música e cinema, assim como basquete e Muay Thai. Cozinheiro assíduo e entusiasta dos Direitos Humanos, sonha em ser o mais relevante possível na garantia de direitos iguais para todos e todas.

Sobre Aqui é Assim

Check Also

O Taj Mahal

Como consegui conhecer 5 países através da AIESEC Brasil

Olá, eu sou Maria Drumond e vou contar neste post como consegui conhecer 5 países …

One comment

  1. Renan Rodrigues

    Obrigado pelo convite e pela matéria. Fico muito feliz em ver que a minha experiência pode ajudar muita gente a dar esse passo incrível na sua vida. Contem comigo pro que precisarem!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *