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Manizales: uma cidade colombiana de clima e pessoas incríveis

Olá!! Meu nome é Samira Inácia Santos e Silva e tô aqui em Manizales, na Colômbia – já adianto que essa cidade é incrível, apesar dos morros (mas que, pensando pelo lado positivo, ajuda a tonificar as pernas), e muito fofa –, realizando um intercâmbio profissional pela AIESEC em Belo Horizonte.

Cidade de Manizales
Cidade de Manizales

Antes do que eu hoje chamo de “mergulhar de cabeça na experiência”

Bom, primeiramente a ideia de fazer um intercâmbio pela AIESEC veio muito da necessidade de realmente experimentar o que eu estava vendendo e promovendo todo os dias na organização, além de querer me integrar um pouco mais com a proposta de valor de um dos seus programas.

A oportunidade e o projeto vieram no momento certo e eu finalmente conheceria mais de perto uma das culturas que temos muito contato na AIESEC em Belo Horizonte, a colombiana.

Pois bem, chegou o dia de embarcar! Lembro que foi uma explosão de sentimentos que nem conseguia definir exatamente o que estava sentido, até porque estava viajando um dia depois do aniversário da minha mãe; então estava em um mix de comemoração/despedida. Era a hora de, de fato, me aventurar nessa experiência de impacto e de muito desenvolvimento. Meu Deus […] era muita ansiedade, muita emoção, um pouco de medo – e por quê não, não é mesmo?! – e, principalmente, muitas expectativas.

Pique nique com os intercambistas e membros da AIESEC no bosque popular de Manizales
Pique nique com os intercambistas e membros da AIESEC no bosque popular de Manizales

A chegada

Meu trajeto foi BH, Panamá, Bogotá e Manizales. Logo que cheguei ao Panamá foi aquele impacto. Como estava frio na minha cidade, me vesti de acordo, mas no Panamá fazia muito calor, mesmo dentro do aeroporto! Sem contar que nunca estive em um lugar no qual a língua nativa é espanhol, então já comecei com aquela pontadinha de adaptação.

Em Bogotá que as coisas se complicaram um pouco. Sempre consegui me virar com o espanhol na minha cidade, mas quando se está no país no qual essa língua é a nativa, a coisa muda. Tive um pouco de dificuldades para entender o que estavam falando e fiquei com um pouco de medo de entrar em um vôo errado e parar sabe Deus aonde, mas ao final deu tudo certo. Até passei confiança de que tinha fluência na língua para uma senhora que se pôs a falar comigo da vida dela – isso mesmo, eu sorria, soltava uns “hmmmm” e alguns “si, si” de vez em quando.

Cheguei em Manizales no dia 31/07/2017, no fim da tarde. Do avião já conseguia avistar uma pequena cidade que se formava em meio a muitas montanhas. Só conseguia pensar em “as pessoas que dirigem nessa cidade devem ser profissionais em fazer controle de embreagem” e “se eu não voltar pro Brasil com as pernas e os glúteos tonificados eu desisto”.

Fui recebida por um dos membros da AIESEC daqui e viemos direto para a casa em que estou hospedada. A senhora dona do lugar não estava, então eu só deixei minhas coisas no meu quarto, conheci mais ou menos onde iria morar e fomos explorar um pouco a região.

Lembram quando falei da “pequena cidade que se formava em meio a muitas montanhas”? Pois bem, minha casa fica no começo de uma montanha e subimos um morro eterno e de uns 90° para chegar à avenida principal. Obviamente, todo o meu preparo físico inexistente e todo o cansaço da viagem me fizeram chegar ao topo do morro com os pulmões gritando por ar e o coração mais acelerado do que carro em fórmula 1. Entretanto, reforcei a ideia de que subir e descer aquele morro seria maravilhoso pra me tirar do sedentarismo.

Cidade de Manizales - vista da minha rua
Cidade de Manizales – vista da minha rua

Conhecemos a universidade na qual estou desempenhando minhas atividades, que é bem pertinho da minha casa (amo), e fizemos um pouco de hora num pub que tem aqui perto, já que o membro da AIESEC encontrou com uns amigos. Foi muito legal e interessante já poder ter um contato mais próximo com as pessoas daqui e também colocar em prática o espanhol.

Voltamos pra casa na hora que a senhora já estaria presente e eu não pude ser recebida melhor do que fui. Ela é muito amável, atenciosa e muito fofa. Me trata como uma filha, se preocupa e está numa super missão de me fazer sair da Colômbia falando espanhol melhor do que português!

Universidade Católica de Manizales, onde estou desenvolvendo meu projeto
Universidade Católica de Manizales, onde estou desenvolvendo meu projeto

Manizales – uma cidade de clima e pessoas incríveis

Bom, já adiantei sobre os morros daqui, certo? Mas essa cidade não poderia me encantar mais! O clima é muito bom, já que sou amante de frio, a paisagem é maravilhosa e o pôr-do-sol impactante.

Todas as pessoas que tive contato até agora, sejam meus tutores ou até mesmo as pessoas do comércio, são extremamente educadas, atenciosas, solícitas e incríveis! Se tem um lugar que eu me sinto em casa e que não seja Belo Horizonte, esse lugar é sem sobra de dúvidas Manizales!

A vida de um modo geral é bem em conta, então não se gasta muito pra viver aqui. A cultura é muito interessante e há muitas coisas diferentes da cultura brasileira, o que tem sido uma grande quebra de mindsets que tinha, pra ser bem sincera.

Se tem algo que me chama muita atenção é a comida. Aqui eles adoram sopa, então em um almoço executivo SEMPRE terá sopa de entrada. E pode ter banana na sopa!! A primeira que tomei tinha banana e quiabo. A priori pensei “não consigo nem imaginar o gosto exótico que essa combinação deve ter”, mas logo descobri que é uma das minhas comidas favoritas daqui!

A vida noturna é bem agitada quase que todos os dias da semana. As opções são: boates com muita dança típica da Colômbia (dançar salsa é muito bom), bares com muita cerveja e aguardente, lanchonetes para se comer aquela empanada com molhos de diferentes sabores, bares boates e restaurantes/pubs em geral para ficar um pouco mais tranquilo.

Algo que me impressionou bastante foi a relação que todas as universidades daqui estabelecem umas com as outras. Manizales é uma cidade universitária e todas as unidades de ensino promovem eventos de integração, promoção e desenvolvimento de processos e conhecimentos. Inclusive foi por meio dessa relação forte que pude conhecer grande parte dos outros estrangeiros que estão fazendo algum tipo de intercâmbio aqui, já que compareci a um evento em outra universidade.

O projeto

Se tem uma palavra que possa definir meu projeto é intenso. Estou atuando como pesquisadora na Faculdade de Saúde, estudando sobre os efeitos de uma planta em um certo microorganismo; como docente, dando aulas em inglês sobre biologia molecular e forense para o curso de Bacteriologia, e dando aulas de inglês e português.

Essa experiência tem sido de muito desenvolvimento, muito aprendizado e estou gostando bastante de poder compartilhar os conhecimentos que adquiri na faculdade (sou bióloga e tenho mestrado em biologia celular) e com a vivência com a língua inglesa. Inclusive, inglês é algo que a Colômbia está tentando implementar fortemente na vida das pessoas, então é uma missão intensa para fazer com que a língua seja agregada e, principalmente, aproveitada pelos colombianos.

Primeiro dia de trabalho
Primeiro dia de trabalho

Por estar trabalhando em várias áreas, tenho vários tutores e todos são muito atenciosos! Estão sempre se mostrando solícitos, se certificando de que está tudo bem e que estou de fato aproveitando essa experiência. Tanto eles quanto eu temos muitas expectativas para o projeto, até porque é a primeira vez que eles recebem um intercambista da AIESEC.

Ah, algo bem desafiador, louco, mas bem legal e interessante é que: como dou aulas de português, inglês e tenho que falar em espanhol, é uma loucura quando estou em uma das unidades na qual trabalho. Enquanto converso em português com a outra professora de português, mas que é da Colômbia, falo em inglês com minha tutora e em espanhol com os outros professores! Meu cérebro chega a fundir ao final do dia, mas me sinto bem orgulhosa poder ter essa oportunidade de praticar e de permitir que as outras pessoas pratiquem a língua (a outra professora de português fez um intercâmbio no Brasil e está muito feliz que agora tem com quem falar em português).

Aula de inglês
Aula de inglês

Aventuras, desenvolvimento e auto-conhecimento

Não tem nem um mês que estou aqui, mas o tanto que aprendi, fiz e conheci tanto do lugar, quanto de mim mesma não se mede.

O contato com a cultura da Colômbia, de Manizales, e com as outras pessoas de outros países que estão aqui pela AIESEC ou por outro tipo de programa têm me encantado e me ensinado muitas coisas, desde costumes, pensamentos e gestos diferentes, ao fato de que no fundo somos todos iguais.

AIESEC em Manizales

Por também fazer parte da AIESEC, me interessou muito saber dos processos, do modo como tabalham, da cultura organizacional local que possuem e de poder aprender muito com o pessoal daqui. O suporte por parte deles tem sido impecável e estão sempre promovendo alguma forma de interação entre os intercambistas.

Além disso, tenho aprendido bastante com eles e compartilhado os processos que desempenhamos no Brasil e em Belo Horizonte. É muito bom poder ver que, mesmo estando tão longe de casa, em uma cultura diferente e com pessoas muito diferentes, todos estamos tabalhando exatamente para um bem comum. Foi assim que pude comprovar e reafirmar para mim mesma o impacto que a organização quer causar.

Encontro de intercambistas na Universidade de Caldas promovido pelas universidades de Manizales
Encontro de intercambistas na Universidade de Caldas promovido pelas universidades de Manizales

A experiência na Colômbia tem sido muito melhor do que eu estava esperando e, sério, tem superado todas as minhas expectativas! A cidade é maravilhosa, as pessoas incríveis, a cultura muito rica e as oportunidades infinitas.

Pra finalizar, acho que a frase “o que falar dessa cidade que mal conheço e já considero pacas” não poderia se encaixar melhor no que tenho vivido aqui.

Por Samira Inácia Santos e Silva

Samira Inácia é bióloga formada pela UFMG e mestra em biologia celular pela mesma universidade. Acredita que a vida é feita de oportunidades e que nada acontece por acaso, então aproveita ao máximo os momentos que vive, as pessoas que tem contato e as ideias que tem/chegam ao seu conhecimento.

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