Dia 1 – Chegada à Colômbia 🇨🇴
Acordei às 6h30, finalizei os últimos ajustes da casa e segui para o aeroporto de Florianópolis. O trajeto levou cerca de 30 minutos e, para minha surpresa, o aeroporto estava bem tranquilo. Fiz o despacho da mala no guichê da Gol e comemorei minha primeira vitória da viagem: 24,5 kg na bagagem! Pode parecer detalhe, mas considerando que havia pelo menos 3 kg de produtos de higiene e 2 kg de suplementos, foi um verdadeiro feito. E o melhor é que essa mala tende a ficar mais leve ao longo dos dias — afinal, shampoo, vitaminas e whey vão sendo consumidos no caminho.

O voo de Floripa até São Paulo foi tranquilo. Em Guarulhos, eu já estava com os cartões de embarque, então bastou seguir até a área de conexões internacionais. Achei curioso que, ao passar pelo controle, fui escolhida de forma aleatória para revista completa — precisei tirar os tênis, abrir a mochila e passar por inspeção corporal. Nada demais, mas vale o registro.
💡 DICA! Leve sempre os itens de higiene de mão em uma embalagem ziplock transparente. Evita constrangimentos e agiliza o processo de embarque.
O Terminal 2 de Guarulhos, onde foi o meu embarque, deixou a desejar: poucas opções de restaurantes e áreas de descanso. Por sorte, descobri que meu cartão dava acesso à sala VIP via LoungeKey (gratuito 4 vezes ao ano). Foi a melhor decisão do dia. Tive comida à vontade, banheiro limpo, internet excelente e até consegui participar de uma reunião de trabalho. O custo compensou muito — uma refeição simples no aeroporto sairia facilmente por R$ 60.

Às 15h50, deixei a sala VIP e fui até o portão de embarque do voo das 16h50 rumo a Bogotá. Precisei fazer um check-in rápido no balcão da Avianca, apenas para confirmar presença e vincular minha bagagem ao voo. A parceria Gol + Avianca me surpreendeu: a mala despachada em Florianópolis seguiu direto até Bogotá, sem precisar ser retirada em São Paulo.
💡 DICA! Se você costuma viajar com bagagem despachada, use uma SmartTag ou AirTag. A minha mostrou exatamente onde minha mala estava — próxima ao avião — e me deu uma tranquilidade enorme. Tenho duas: uma na mala e outra na bolsa, que carrego comigo por segurança, especialmente aqui na Colômbia.
O voo foi agradável: avião moderno, assentos um pouco mais espaçosos que os da Gol (apesar de não reclinarem), e quase nada de turbulência. A Avianca não oferece serviço de bordo gratuito e como chegaria tarde da noite comprei um sanduíche durante o voo mesmo. Paguei certa de 10 dólares e o pagamento é feito somente em cartão. Foi o que me salvou! Chegamos com 20 minutos de antecedência, às 8h17 (horário local), mas o desembarque demorou um pouco — ficamos até 9h20 dentro do avião, pois ele estacionou longe do terminal e tivemos que esperar o ônibus para o desembarque.
A chegada em Bogotá, confesso, foi o único ponto cansativo. O controle migratório estava lotado, com filas que pareciam intermináveis, mas o processo em si foi simples. A agente perguntou o motivo da viagem, confirmei que era turismo, informei o nome do hotel e pronto. Curiosamente, ninguém pediu meu certificado da vacina contra febre amarela, embora ele seja exigido para entrada no país.
Quando saí da imigração, minha mala estava lá, sozinha me esperando — intacta e firme. A parte mais confusa foi encontrar a saída do aeroporto: precisei passar as malas por um scanner, seguir a sinalização até o primeiro piso e recusar diversos táxis oferecendo corrida. Optei por pegar Uber, o que exigiu subir de volta ao segundo piso, mas acabou sendo tranquilo e seguro.
A viagem até o hotel foi serena e quando cheguei percebi que ele tinha formato de flat, o que é ótimo para o meu estilo de viagem. O acesso não era muito claro, mas logo encontrei a entrada lateral. Fiz o check-in rapidamente e subi para o quarto.
O Taj 97 é uma gracinha de flat. Ele tem máquina de lavar, banheiro amplo, fogão, geladeira, forno micro-ondas, bancada para trabalhar, bancada para refeições, uma cama de solteiro, uma cama de casal e TV. Tudo muito funcional e bem distribuído. Paguei cerca de R$1.500 pela estadia e a internet foi excelente — fundamental para os dias de trabalho remoto. O prédio ainda tem uma área de refeição no térreo, algo como um pequeno restaurante, mas ele já estava fechado quando cheguei (funciona até as 22h).
Planejei preparar meu próprio café — afinal, essa é uma das partes mais gostosas de estar viajando e, ao mesmo tempo, manter a rotina. Na manhã seguinte, o plano foi tomar café, comprar algumas coisinhas no mercado e começar a sentir o ritmo de Bogotá.
Minhas primeiras impressões da cidade? Bogotá tem um frio noturno ameno, algo entre 10 °C e 12 °C, mas muito mais suportável que o frio úmido de Florianópolis. A cidade é organizada, o trânsito é intenso e as pessoas fumam bastante.
Foi um dia longo, de despedidas, aeroportos e descobertas, mas também de pequenas vitórias — como despachar a mala certa, chegar segura ao hotel e dar o primeiro passo em uma jornada que promete ser inesquecível.
💡 DICAS!
- Faça o check-in online, mas verifique sempre no balcão se há confirmação de bagagem em voos compartilhados (como Gol + Avianca).
- Se tiver longas conexões, uma sala VIP pode valer o investimento.
- E nunca subestime o poder de um sanduíche a bordo quando o destino chega tarde da noite.

Dia 2 – Primeiras voltas pela cidade 🇨🇴
O segundo dia começou cedo — bem mais cedo do que eu planejava. Programei o despertador para as 9h, mas às 6h30 já acordei com o barulho de obra aqui perto. Tentei resistir, mas às 7h30 acabei levantando, liguei o computador e aproveitei o tempo para resolver algumas pendências: pagamentos pro meu pai, mensagens, e-mails.
O café da manhã foi bem improvisado, mas com gostinho de vitória: trouxe café do Brasil e meu whey protein, e isso me salvou. Como cheguei muito tarde na sexta-feira, não tinha conseguido ir ao mercado. Depois do café, me arrumei e saí pra resolver isso.
O mercado foi uma experiência à parte. Fiquei mais de uma hora passeando pelos corredores e comprando tudo o que precisava para a semana: macarrão, carne, frango, manteiga, queijo, pão, Jamón, sabão em pó… de tudo um pouco. No total, gastei cerca de 200 mil pesos colombianos — e garanti minhas principais refeições por vários dias. A ideia era simples: preparar café da manhã, almoço e jantar em casa, e deixar os gastos externos para cafés, sucos e pequenas refeições. Essa estratégia gerou uma economia significativa ao longo das três semanas de trabalho remoto na Colômbia.

De volta ao flat, organizei as compras, cozinhei e almocei. Depois, decidi sair para caminhar e começar a explorar os arredores. Fui até a Zona T, uma das áreas mais vibrantes de Bogotá. Ela é cheia de restaurantes, bares e lojas — inclusive o Shopping Andino, que é bem bonito e moderno. No começo, a cidade ainda parecia só uma metrópole grande, mas à medida que fui andando e observando as pessoas, comecei a me encantar com o ritmo, o estilo e o clima.
💡 DICA! Bogotá é conhecida por seu clima de montanha — nem quente, nem frio —, fresco e imprevisível, e as pessoas se vestem muito bem. Vale caprichar nos looks de meia estação e camadas leves.
Parei para experimentar uma limonada de coco, e foi amor à primeira vista (ou melhor, ao primeiro gole). É cremosa, refrescante e levemente doce — uma das bebidas mais gostosas que já provei em viagens.

Logo depois, encontrei o Wesam, meu amigo e grande conselheiro de viagem. Ele me levou a um parque vertical, que fica pertinho da Zona T. O lugar é incrível: tem piscina, quadra de basquete, academia e um mirador com vista linda da cidade. Tiramos várias fotos lá e ainda vimos um curta passando no telão — o do gatinho preto – Flow, aquele que concorreu ao Oscar. A estrutura é super moderna e o parque fica ainda mais bonito à noite, todo iluminado.

Depois, voltamos para a Zona T e tentamos entrar em um restaurante — mas não deixaram o Wesam entrar porque ele estava de bermuda. Acabamos indo a outro, o Isola, e foi uma ótima surpresa. Pedimos batata frita trufada, pastelzinho e eu ainda experimentei uma margarita mango biche. Uma das melhores margaritas que já provei!
De lá, fomos caminhando até a Zona G, que é uma região mais gastronômica, cheia de restaurantes charmosos. A caminhada noturna foi uma delícia — segura, tranquila e com aquele clima fresco da cidade. Escolhemos um lugar para comer, uma hamburgueria. Bogotá, de fato, me surpreendeu positivamente. É organizada, limpa e transmite uma sensação de segurança.





Os carros andam devagar, o trânsito flui com calma e o comportamento das pessoas é muito respeitoso. Claro, há detalhes que chamam atenção: sente-se muito cheiro de cigarro e de combustível (diesel), e as construções — quase todas de tijolo à vista — dão à cidade uma identidade própria.
💡 CURIOSIDADE: grande parte dos prédios de Bogotá é feita com tijolos aparentes. Aparentemente, essa estrutura ajuda a manter o interior mais quente. A maioria dos apartamentos não tem ar-condicionado, ventilador e nem calefação, e mesmo assim, os ambientes são agradáveis. Em alguns lugares, vê-se apenas pequenas labaredas de fogo, usadas para aquecer o espaço — dão até um charme especial às noites frias.

Voltei para o hotel no fim da noite, feliz e impressionada com a energia da cidade. Claro, o fato de estar com o Wesam ajudou a me sentir mais confiante, mas já percebo que Bogotá tem um ritmo próprio, calmo e acolhedor.
A comida é saborosa e a cada esquina parece haver algo novo para descobrir. No dia seguinte, o plano foi acordar cedo, correr pela Carrera 7, visitar o Cerro Monserrate (subir de funicular e descer de teleférico), explorar La Candelaria e encerrar o dia na Plaza Bolívar.
💡 DICAS!
- Faça compras no mercado logo nos primeiros dias — ajuda a economizar e a manter a rotina.
- Experimente a limonada de coco — é quase um patrimônio nacional.
- E não subestime o poder de caminhar: Bogotá revela sua beleza nas ruas.
Dia 3 – Corrida na Carrera 7, subida ao Cerro Monserrate e um mergulho na alma de Bogotá 🏃♀️⛰️🇨🇴
O dia começou cedo, às 6h30, com uma leve dor de barriga — culpa da margarita de manga da noite anterior na Zona T. Inacreditavelmente tenho intolerância a frutose, mas quis ter a experiência completa, e valeu a pena. Ainda bem que o desconforto passou rápido, porque o corpo precisava estar pronto para o treino matinal.
Saí do Taj 97 empolgada e fui direto pra Carrera 7, uma das avenidas mais icônicas de Bogotá. O mapa dizia que levaria 30 minutos até lá, mas em menos de 10 já estava na pista. Comecei a correr animada, mas logo senti o impacto da altitude — as pernas pesadas, o ar mais rarefeito, a respiração curta. Bogotá está a 2.600 metros acima do nível do mar, e o corpo sente.
Depois dos primeiros 3 km, tudo fluiu: o corpo aqueceu, o ritmo encaixou e a corrida virou prazer. Fiz 6 km no total, parando aqui e ali pra fotografar uma igreja, as montanhas ao fundo e as construções de tijolo à vista. Terminei feliz, realizada e com aquela sensação boa de ter começado o domingo de um jeito que só quem ama correr entende.

💡 DICA! Quem corre em Bogotá precisa respeitar o corpo. A altitude impacta o desempenho — vá devagar nos primeiros quilômetros e hidrate-se bem.
Depois do treino, parei num Oxxo pra comprar água, voltei pro flat e preparei meu café da manhã. Planejava sair às 10h, mas me atrasei um pouco — e o atraso acabou sendo providencial, já que percebi no meio do caminho que tinha deixado a cafeteira ligada. Voltei de Uber, gastei 35 mil pesos a mais, mas voltei em paz. Melhor gastar do que incendiar o Taj 97 rsrsrs.
Subida ao Monserrate
Na segunda tentativa, cheguei de vez ao Cerro Monserrate — um dos pontos mais altos e famosos de Bogotá. O lugar estava lotado, o que parece ser a regra por aqui. Logo percebi que havia uma opção de Fast Pass, um ingresso com acesso rápido ao funicular e ao teleférico. Comprei o meu por 87 mil pesos e não me arrependi — economizei pelo menos uma hora de fila.

O tempo estava instável: nublado, com garoa leve, e de repente um sol escaldante. Foi quando descobri outro detalhe curioso da cidade: o índice de radiação UV. Naquele dia, marcava 11 — extremo. As recomendações eram claras: “evite sair de casa entre 10h e 16h”. Absurdo pra quem está turistando, né? Mas serviu de alerta: o sol aqui é forte de verdade. (Colocar porque).
Isso acontece por uma combinação geográfica específica: a altitude e a latitude. Como eu coloquei, Bogotá está a aproximadamente 2.600 metros acima do nível do mar. Nessa altura, a camada de atmosfera é muito mais fina, o que significa que existe menos ‘filtro’ natural para absorver e espalhar os raios ultravioletas antes que eles cheguem à sua pele.
Para completar, a cidade está localizada muito próxima à Linha do Equador, onde os raios solares atingem a Terra de forma muito mais direta e vertical. Ou seja: você está mais perto do sol e com menos proteção atmosférica. É o cenário perfeito para queimaduras sérias, mesmo quando o céu está nublado ou o clima parece ‘fresquinho’.
Subi de funicular e desci de teleférico. Ambos estavam cheios — e o teleférico, especialmente, parecia o bondinho do Pão de Açúcar, com dezenas de pessoas por cabine. Foi um pouco caótico, mas bastou chegar ao topo pra esquecer o desconforto.

A vista panorâmica de Bogotá é de tirar o fôlego. A cidade parece não ter fim, um mar de prédios e avenidas se estendendo até as montanhas. Lá em cima, visitei a Basílica do Señor de Monserrate, caminhei pelas lojinhas e comprei três ímãs de geladeira — os primeiros da viagem. Fiquei lá por cerca de duas horas, entre meio-dia e duas da tarde. Apesar da multidão, valeu cada segundo. A vista, o vento, a energia das pessoas… tudo faz o lugar ser especial.





💡 DICAS!
- Monserrate fica a 3.150 metros de altitude. Leve casaco e use protetor solar — você vai sentir frio e calor no mesmo dia.
- O perigo das nuvens: Explique que as nuvens barram a luz visível (o brilho do sol), mas não barram a radiação UV. Por isso, a gente não sente o “calor” imediato na pele e acaba esquecendo do protetor solar, o que é um erro clássico em cidades de altitude.
La Candelaria e Plaza Bolívar
Desci de teleférico e segui caminhando pelo centro histórico, descendo pela Rua de Las Aguas. Passei em frente à Quinta de Bolívar, uma antiga casa-museu dedicada ao libertador Simón Bolívar, mas não entrei — só aceitavam pagamento em dinheiro, e eu estava apenas com cartão.
Continuei descendo até chegar em La Candelaria, o bairro mais histórico e colorido de Bogotá. As ruas são de paralelepípedo, cheias de cafés, murais de arte e lojinhas. Caminhei com calma, observando as pessoas, os sons, os cheiros, e me surpreendi com o clima de segurança. Apesar da fama de perigoso, me senti tranquila o tempo todo nessa região central.






Passei por todos os museus que estavam no meu roteiro — Museu Botero, Casa de la Moneda, Museu do Ouro —, mas não entrei em nenhum. Museus exigem tempo, silêncio, entrega. E o meu dia era de movimento, de rua, de sentir a cidade viva.
Por volta das 15h, parei em um Juan Valdez Café, onde comi um pastel delicioso e um brownie maravilhoso. Pedi um café gelado e acabei recebendo uma bebida alcoólica — provavelmente não entendi direito o espanhol da atendente, que aqui é mais rápido e menos “limpo” do que o do Chile. Bebi um gole, não gostei e deixei o copo cheio na mesa. Faz parte.

Segui a caminhada rumo à Plaza Bolívar — mas acabei saindo no Teatro Colón antes. E foi ali que vi o centro de Bogotá pulsando: uma multidão infinita de pessoas. Gente de todas as idades, vendedores, artistas de rua, pombos, crianças, balões — um caos alegre e colorido.
Por um momento, senti um pouco de medo com o celular, mas eu tinha uma guia presa ao corpo, então estava segura. Fui caminhando com atenção e, com a ajuda do ChatGPT (meu guia em tempo integral😄), consegui me localizar até chegar na Plaza Bolívar.
A praça é enorme, linda e imponente. Cheia de vida, de gente, de história. Tirei fotos maravilhosas, ainda que lotadas — fico imaginando o quanto seria linda vazia, só com o som dos passos e do vento.

💡 CURIOSIDADE: a Plaza Bolívar é o coração político da Colômbia. Nela ficam o Capitólio Nacional, a Catedral Primada e o Palácio da Justiça — e cada prédio conta um pedaço da história do país.
Capitólio Nacional: conhecido como a ‘obra do milênio’, ele levou impressionantes 80 anos para ser concluído (entre 1848 e 1926). Sua imponente arquitetura neoclássica, com colunas jônicas pesadas, reflete o desejo da época de espelhar as democracias europeias e norte-americanas. É a sede do Congresso e um símbolo da estabilidade legislativa.
Catedral Primada: além de sua beleza arquitetônica, ela ocupa um lugar sagrado na história: foi construída no mesmo local onde foi celebrada a primeira missa de fundação de Bogotá, em 1538. O prédio atual é a quarta versão da catedral, já que as anteriores foram destruídas por terremotos ou pelo tempo.
Palácio da Justiça: é, talvez, o prédio com a carga emocional mais forte. O edifício que vemos hoje é o terceiro a ocupar o local. O anterior foi palco do trágico cerco de 1985, um dos episódios mais dramáticos da história recente da Colômbia. Hoje, ele se ergue como um símbolo de resiliência e da força do poder judiciário.”











Ao dar a volta no Capitólio, encontrei o que buscava desde cedo: um espaço de silêncio e paz. Quase nenhum turista, poucos locais, só o som leve do vento. Fiquei um tempo ali, sentada, respirando e olhando o Palácio de Nariño. Era o fechamento perfeito de um dia intenso.

Pensei no quanto às vezes me cobro pra “ver tudo” em uma cidade. Mas não dá pra viver tudo em sete dias. E talvez nem precise. Neste dia, eu vivi Bogotá — corri, subi montanha, desci ruela, comi pastel, me perdi, me encontrei, me estressei e me encantei.
Voltei pra casa por volta das 17h, com o coração cheio e a mente calma. No dia seguinte começou uma nova fase: trabalhar, treinar e, entre um compromisso e outro, continuar descobrindo o que mais essa cidade tem pra me oferecer.
💡 DICAS!
- A radiação UV em Bogotá é altíssima: use protetor solar, mesmo com o céu nublado.
- Em Monserrate, compre o Fast Pass — evita filas gigantes.
- Aos domingos, a cidade fecha a Carrera 7 (e várias outras avenidas principais) para a Ciclovía Dominical — um projeto lindo que transforma as ruas em pistas para ciclistas, corredores e pedestres. É uma experiência imperdível para quem quer sentir o ritmo da cidade e se misturar aos locais.
- Na Candelaria, aproveite o passeio pelas ruas coloridas sem pressa.
- E, na Plaza Bolívar, permita-se apenas estar.
Dia 4 – Rotina em outro país: trabalho, treino e vida real ☕💻🏋️♀️
Depois de um fim de semana cheio de descobertas, o quarto dia em Bogotá foi diferente — o primeiro realmente comum. E essa “normalidade” até causou uma estranheza boa. Pela primeira vez desde que cheguei, vivi um dia que se parecia com a minha rotina em Florianópolis.
Consegui dormir cedo, tive uma ótima noite de sono e acordei às 6h da manhã (8h no Brasil), descansada e com energia. Preparei um café simples, com meu pãozinho e ovos mexidos, passei meu café, depois tomei uma ducha antes de abrir o computador. Às 7h, já estava em reunião — e o dia seguiu assim até as 10h (meio-dia no horário de Brasília).
No intervalo, tomei meu whey protein e fui treinar. A academia do Taj 97 me surpreendeu positivamente. Pequena, mas funcional, deu pra improvisar bem o treino de fortalecimento. O corpo respondeu bem — foi aquele treino bom, que revigora e dá a sensação de estar “em casa”.

Depois do treino, subi, tomei banho e preparei meu almoço. A tarde seguiu com mais reuniões, entre 13h e 18h (horário de Brasília). Um dia intenso de trabalho, mas fluido. Lá fora, o tempo alternava entre sol e friozinho — aquele clima montanhoso que já estou aprendendo a amar.
Quando finalizei o expediente, resolvi sair um pouco. Caminhei até o Parque 93, que fica a cerca de 20 minutos do hotel. O parque é agradável, cercado por cafés e restaurantes, mas confesso: achei simples, nada muito marcante. Tirei algumas fotos, dei uma volta e segui o plano de resolver uma pendência prática — fazer minhas unhas em Bogotá.

Um pequeno caos chamado “acrigel” 💅
Antes da viagem, minha manicure no Brasil e eu montamos uma estratégia: remover parte da esmaltação acrílica para evitar descolamento durante o mês fora. Mas o plano falhou. Dois dias depois, as unhas começaram a soltar — e logo no primeiro dia aqui, uma delas já estava descolando completamente.
Fiquei chateada, pois o descolamento de unhas possibilita infiltração, o que pode dar fungos. Então, resolvi agir. Pesquisei salões próximos e encontrei a Magic Nails, um espaço que parecia promissor. Antes de ir, enviei mensagem para minha amiga Colombiana Paula Trespalacios para confirmar se era um lugar seguro. Ela garantiu que sim — e eu fui.
O resultado? Muito melhor do que eu esperava. Estava com a expectativa muito baixa e ficou incrível e linda. Apenas a técnica delas é um pouco diferente, mas o resultado final foi igual.
Usei o tempo no salão pra praticar o espanhol e aprender novas palavras: polvito (pozinho), manicura, me dolió. A conversa fluiu, e percebi o quanto meu espanhol está destravando. Ainda tropeço nos conectores e nas construções mais naturais, mas o avanço é claro — e ouvir o idioma o dia inteiro tem feito a diferença.

Entre o frio, o chá e as pequenas alegrias 🌙
Voltei pro flat com o friozinho típico da noite bogotana. Preparei um chá quente, comi algumas bolachinhas e cozinhei algo leve pro jantar. Tomei um multigrip — a garganta estava arranhando um pouco, talvez pelo ar seco e pelas variações de temperatura — e decidi dormir cedo novamente.
Passei um pouquinho de frio durante a noite anterior, então improvisei: lavei uma calça e separei outra para dormir. Pequenos ajustes da vida real em outro país.
Este dia senti saudade de Floripa, mas também um orgulho enorme por estar conseguindo viver a rotina aqui com leveza. Trabalhar, treinar, cuidar da casa, resolver imprevistos, praticar o idioma… tudo isso, em outro lugar, tem um sabor diferente.
💡 DICAS!
- Se for trabalhar remotamente em Bogotá, busque hospedagem com academia e boa internet — faz toda a diferença para manter o ritmo.
- Traga sempre um plano B de autocuidado (manicure, cabelo, farmácia, etc.) — pequenas coisas do dia a dia também precisam de solução durante viagens longas.
- A temperatura de Bogotá pode variar muito ao longo do dia — leve camadas leves e confortáveis.
- E, se estiver aprendendo espanhol, use o cotidiano a seu favor: converse com os locais, pergunte, ouça. É no improviso que o idioma começa a fluir.
Dia 5 – Corrida, rotina e descobertas em Usaquén 🏃♀️☕🇨🇴
O quinto dia começou cedo — 6h da manhã. Acordei sem tomar ducha, porque o treino do dia seria de corrida. Preparei meu café da manhã de sempre — ovos mexidos, café e um pedacinho de pão — e abri o laptop para as primeiras reuniões do dia.
Foram duas reuniões seguidas, e depois fiquei mergulhada em alinhamentos, mensagens e suporte ao time. A rotina de trabalho remoto começa a se encaixar bem aqui: o cenário é outro, mas o ritmo é o mesmo.
Por volta das 10h (meio-dia no Brasil), me preparei para o treino. Tomei meu whey com leite para garantir energia e fui na academia do prédio correr. O plano inicial era fazer uma corrida de fartlek, mas como ainda estou resfriada e em altitude, optei por reduzir a intensidade e troquei o treino. Deixei este para quinta.
Foi uma das corridas mais difíceis que já fiz. A altitude de Bogotá cobra seu preço: nos primeiros 10 minutos, o coração parecia sair pela boca. Precisei parar, respirar, tomar água e recomeçar. Corri mais 10 minutos, parei de novo. Aos poucos, o corpo foi cedendo, e consegui finalizar 32 minutos de corrida.
Foi uma corrida produtiva, mas pesada. O ar seco, o clima instável e o corpo ainda debilitado me desafiaram. Mesmo assim, terminei com a sensação boa de quem insistiu e venceu o dia.
Voltei exausta, subi as escadas até o flat com o corpo cansado, mas feliz. Tomei uma ducha longa e quente, reidratei com eletrólitos à base de água de coco e fiz o meu almoço. Trabalhei mais um pouco, fechei algumas reuniões importantes e finalizei o expediente sentindo que o dia foi equilibrado — corpo, mente e trabalho em harmonia.
Tarde em Usaquén
No fim da tarde, fui até a Plaza de Usaquén, também chamada de Parque Fundacional de Usaquén. É um bairro encantador, de ruas de paralelepípedo, casas coloridas e uma atmosfera quase de cidade do interior. No centro, a Iglesia Santa Bárbara de Usaquén, do século XVII, observa silenciosa o movimento das lojinhas e cafeterias que a cercam.

Mesmo sendo um dia de semana, havia vida por ali — pequenas barracas abertas, artesãos vendendo lembranças e o som suave das músicas colombianas que sempre parecem sair de algum canto.
A praça em si é simples, como tantas outras praças da América Latina. Mas o encanto desse passeio não está na praça — está na experiência. Caminhar pelas ruazinhas, ver as fachadas coloridas e sentir o cheiro da cidade foi um prazer em si.
E, claro, eu não resisti ao artesanato local. Comprei pequenas colheres, pilões e tigelas esculpidos em duas madeiras típicas da Colômbia: a Guaiacã (Guayacán) e a Bera (ou Beira).

A Guaiacã é uma madeira nobre, considerada uma das mais duras e resistentes do mundo. É densa, pesada, quase como ferro. Descobri que ela cresce lentamente nas regiões de clima quente do Caribe colombiano e que, além da beleza, é símbolo de força e longevidade. Já a Bera, mais clara e ligeiramente aromática, é uma madeira de textura suave e usada para utensílios de cozinha finos.
Pegando as peças na mão, dá pra sentir a diferença: o peso, o toque liso, a cor quente e natural. São objetos feitos pra durar uma vida inteira — e que carregam o espírito da floresta. Paguei 160 mil pesos (cerca de R$200) e saí com a mochila mais pesada (quase dois quilos a mais!), mas o coração leve.
São artesanias que não se encontram no Brasil, e saber que cada peça foi talhada à mão, com madeiras locais e técnicas tradicionais, fez da compra uma experiência cultural, não apenas um consumo.
💬 Talvez o mais bonito seja isso: descobrir que um simples pilão pode contar a história de um país.
🌳 Nota cultural – O símbolo do Guaiacã na Colômbia
O Guaiacã (Guayacán) não é apenas uma madeira — é uma árvore-símbolo do Caribe colombiano. Suas flores roxas e amarelas colorem cidades como Cartagena, Barranquilla e Santa Marta entre março e maio, transformando as ruas em tapetes de cor.
É considerada uma das árvores mais belas e resistentes do país, capaz de sobreviver a longos períodos de seca. Por isso, é vista como símbolo de resiliência e força, valores profundamente ligados à identidade colombiana.
Levar um pedaço de Guaiacã na bagagem é como levar um pedacinho da Colômbia — sua terra, sua cor e sua alma.
Um café com alma colombiana ☕
Depois das compras, parei na cafeteria Unión Libre, uma das revendedoras oficiais do lendário Amor Perfecto — considerado o melhor café premium da Colômbia e um verdadeiro símbolo nacional.
O Amor Perfecto é mais do que uma marca: é um movimento. Eles foram pioneiros em quebrar o paradigma de que o bom café colombiano era apenas para exportação. Criaram o conceito de café “tostado en origen”, ou seja, torrado ainda dentro do país, respeitando o ciclo do grão e valorizando o produtor local.
Cada xícara é uma declaração de amor ao café colombiano — e o nome “Amor Perfecto” não é à toa. O objetivo deles é que o colombiano volte a beber o seu próprio café, em vez de exportar o melhor e ficar com o resto.
Pedi um descafeinado por conta da hora, e o sabor me surpreendeu: rico, cremoso, com notas suaves de cacau e castanha. Veio acompanhado de um prato maravilhoso de huevos com salmón y aguacate, servido com pão. Foi uma das melhores refeições que fiz até agora.

O ambiente da Unión Libre é moderno, mas com aquele charme rústico de cafeteria latino-americana: paredes de tijolo, aroma de torra fresca, gente lendo, conversando baixinho, o som metálico da máquina de espresso.
Comprei 3 pacotes de café moído do Amor Perfecto, um pra levar pro meu pai — presente com alma, assim como as peças de madeira.
💬 O café aqui não é apenas uma bebida: é uma forma de pertencer.
Noite tranquila e balanço da semana 🌙
De volta ao apartamento, revisei as finanças e constatei o que já imaginava: gastei mais do que o planejado. Trouxe R$4.000 para alimentação, transporte e pequenos presentes, e em cinco dias já tinha gastado R$2.160.
O maior vilão? O Uber. Só com deslocamentos, foram cerca de R$1.000. Bogotá é uma cidade grande, com distâncias longas e trânsito intenso. E como mulher viajando sozinha, escolhi sempre o Uber Comfort, que é mais caro, mas muito mais seguro.
Os passeios, em compensação, foram na sua maioria gratuitos até aqui — o único gasto maior tinha sido o ingresso do teleférico de Monserrate.
Pequenas invenções, grandes aprendizados ☕✨
No fim da noite, ainda um pouco resfriada e com o corpo pedindo descanso, inventei um jeito novo de me cuidar. Aqui não tem chaleira, e eu estava cansada de esquentar água toda vez naquela panelinha pequena para preparar o chá. Então, olhando para cafeteira, tive uma ideia:
limpei bem, coloquei o chá dentro e deixei a água passar.
O resultado? Um chá quentinho, perfumado, feito com o mesmo ritual do café. O aroma tomou conta da cozinha — um cheirinho de casa em pleno apartamento colombiano. E o melhor: agora tenho mais de uma xícara pra me acompanhar enquanto escrevo e me preparo pra dormir.
💬 Viajar também é isso: descobrir novos jeitos de fazer o que sempre fizemos.
Essas pequenas adaptações são o que tornam a rotina fora do país mais leve.
A gente percebe que não precisa ter tudo igual ao que tem em casa — basta um pouco de criatividade e vontade de se ajustar. Improvisar, aqui, virou sinônimo de pertencer.
Coloquei o pijama, deixei o chá do lado e decidi que o plano era simples: descansar e anotar os aprendizados dos primeiros dias. Sigo com o coração leve, o nariz um pouco entupido, e o sentimento de estar, aos poucos, vivendo a Colômbia como quem mora aqui. Sem roteiros, sem pressa — só vivendo o que o país quiser me mostrar.
💡 DICAS!
- Prepare o bolso: o transporte em Bogotá é caro, especialmente se optar pelo Uber Comfort (mais seguro para mulheres viajando sozinhas).
- Artesanato local: procure peças de Guaiacã (Guayacán) e Bera/Beira — madeiras típicas, resistentes e de beleza única, esculpidas à mão por artesãos locais.
- Café Amor Perfecto: símbolo do café colombiano, torrado no país e servido em cafeterias parceiras como a Unión Libre — vale cada gole e cada grão levado na mala.
- Improviso e adaptação: nem sempre a cozinha terá tudo que você precisa — improvise, crie, adapte. Até uma cafeteira pode virar chaleira.
- Clima e saúde: o ar seco e a altitude exigem hidratação constante.
- Souvenirs e economia: compre em Bogotá e Medellín — nas cidades do Caribe, os preços sobem muito.
Dia 6 – Entre o trabalho, a fé e o cotidiano 💻⛪🌦️
Acordei cedo, como sempre, tomei uma ducha calma, mais por conforto do que por necessidade: o hidratante da noite anterior ainda deixava a pele um pouco melada, e eu queria começar o dia leve.
Enquanto preparava meus ovos com café, abri o computador para acompanhar uma roda de conversa da CS & Sales Week, uma semana especial da companhia que celebra o propósito do time e o porquê de existirmos como organização. O encontro trouxe histórias inspiradoras — um lembrete sobre a importância das pessoas e das conexões humanas no trabalho.
O resto da manhã seguiu no ritmo de sempre: reuniões, alinhamentos e decisões. Foi um dia cheio, daqueles em que o trabalho exige foco e equilíbrio. Fiquei pensando o quanto essa viagem também está me ensinando sobre isso — encontrar equilíbrio, entre a objetividade e a calma, entre o que precisa ser feito e o que pode esperar.
Depois do almoço, consegui encaixar o treino: fiz musculação e corrida. O corpo ainda sente a altitude e o resfriado, mas o exercício me ajuda a manter a energia e o foco.
No fim da tarde, resolvi sair. O frio estava aumentando, o céu começava a fechar, mas a vontade de respirar o ar da cidade falou mais alto. Chamei um Uber e fui até a Basílica Menor de Nuestra Señora de Lourdes.
A Basílica Menor de Nossa Senhora de Lourdes
O bairro é simples, cheio de cafés pequenos e um ar antigo de cidade que parou no tempo. A basílica, em estilo neogótico, impressiona logo de longe: suas torres finas e seus vitrais de 1930, recentemente restaurados, se destacam entre os prédios modernos ao redor.
Entrei durante a missa e fiquei no fundo observando o movimento — as pessoas, o som suave do órgão, o murmúrio das orações. Depois que a celebração terminou, voltei com calma para fazer fotos dos vitrais e da fachada. A luz atravessando o vidro colorido dava à nave um tom quase celestial.


Enquanto eu tirava as fotos, uma senhora se aproximou, ofereceu-se para registrar uma foto minha e começou a conversar. Falou sobre o bairro, sobre a fé e, num tom maternal, me alertou para cuidar do celular e evitar andar sozinha naquela região à noite. Me despedi com carinho, mas a conversa me deixou um pouco apreensiva — lembrei que estava só e que segurança também é parte da sabedoria de quem viaja.
💬 Esses encontros espontâneos são pequenos lembretes de que o mundo é feito de pessoas — e de cuidado.
Saí da basílica com vontade de ver a igreja iluminada, mas decidi voltar antes do anoitecer.

Caminhando de volta 🌇
Dessa vez, voltei a pé. O trajeto da Basílica até o Taj 97 levou cerca de 50 minutos, pela Carrera 11 — uma avenida segura, bonita e cheia de vida. Foi uma caminhada tranquila e silenciosa, acompanhada pelo som da cidade.
Reconheci os lugares que já havia cruzado de Uber: cafés, restaurantes, esquinas familiares. Passei pela Zona T, resisti bravamente à tentação de comprar um casaco novo (a vontade era grande!), e segui observando o entardecer. Bogotá tem algo de nostálgico — é uma cidade que convida a andar devagar, a reparar nas coisas.

💬 Acho que é caminhando que a gente realmente entende uma cidade.
Chegando no apartamento, passei no mercado para comprar água e chocolate — um mimo depois de um dia longo. Encontrei a moça da limpeza e pedi sabão, sacolas e retirada de lixo. São esses detalhes práticos que fazem a rotina de viagem parecer uma vida temporária em outro lugar.
Depois preparei um banho quente e um chá antes de dormir. Resolvi não passar hidratante, pra não ficar com aquela sensação melada — pequenas decisões do dia a dia que fazem diferença.
No dia seguinte não tinha reuniões tão cedo, podia acordar com mais calma, fazer minha terapia, e depois seguir com as atividades da tarde. O plano é correr no parque, talvez explorar mais uma região da cidade.
O dia 6 foi assim: um dia de trabalho e fé, de rotina e caminhada, de leveza e introspecção. Um dia sem grandes planos — e, por isso mesmo, cheio de significado.
💡 DICAS!
- A Basílica Menor de Nuestra Señora de Lourdes vale a visita: vá durante o dia e repare nos vitrais de 1930, que foram restaurados recentemente.
- Caminhar pela Carrera 11 é uma das melhores formas de conhecer Bogotá com segurança e observar o cotidiano da cidade.
- Mesmo nas regiões centrais, evite circular sozinha à noite; Bogotá é acolhedora, mas pede atenção.
- Leve casaco leve, calçado confortável e uma mente aberta para o que o dia trouxer.
- Valorize os dias comuns — eles são o verdadeiro retrato de viver fora.
Dia 7 – Entre a chuva e o silêncio ☔📚🌫️
Acordei mais tarde neste dia pois não havia reuniões nas primeiras horas da manhã, então pude desacelerar. Fiz meu café com calma — o mesmo ritual de sempre: ovos e café preto. O apartamento estava silencioso e a cidade ainda despertando.
Sentei em frente ao computador por algumas horas. Revisei relatórios, respondi mensagens e aproveitei para reler os relatos dos últimos dias. Foi bonito perceber o quanto já vivi em tão pouco tempo. Às 11h, tive minha sessão de terapia — uma pausa necessária no meio do ritmo remoto.
O corpo ainda estava frágil, meio febril, então decidi não correr neste dia. Cozinhei devagar, sem pressa. Como o café da manhã foi tardio, o almoço virou quase um lanche entre as reuniões. À tarde, tive alinhamentos e entrevistas de contratação. Mais uma reunião, mais um fechamento.
Quando o relógio marcou o fim do expediente, o céu já estava escurecendo. Chovia forte em Bogotá, entre relâmpagos e trovoadas. Do lado de dentro, eu só conseguia ouvir o vento e o som da chuva batendo com força — não via o vai e vem dos carros nem as poças se formando nas ruas.
Mas dava pra sentir o peso da chuva. O ar ficava mais denso, o som mais grosso, como se o céu tivesse corpo. Então, esperei o tempo dar uma trégua, ouvindo a tempestade cair e tentando decidir se valia a pena sair.
Quando a chuva finalmente diminuiu, por volta das 17h (19h Brasil) decidi ir mesmo assim. Eu queria muito conhecer o Parque Simón Bolívar, um dos espaços mais icônicos da cidade.
O parque é considerado o “pulmão verde” de Bogotá — um enorme refúgio urbano com lagos, jardins, trilhas, áreas para esportes e até um auditório onde acontecem shows e eventos culturais. É o tipo de lugar que representa a alma da cidade: onde famílias se encontram, corredores treinam, jovens tocam violão à beira do lago e o tempo parece passar mais devagar.
Mas o meu dia não estava no ritmo da cidade. Quando o Uber chegou, eram 16h45. Eu não imaginava que toda aquela chuva tivesse causado um trânsito tão intenso. O aplicativo marcava uma hora de trajeto até o ponto de entrada que eu havia colocado, na Avenida 68.
Tudo bem, pensei — “chego lá perto do pôr do sol e fico até umas 18h30”.
Foi então que o motorista comentou:
“El parque cierra a las seis.”
Olhei o visor: 5h35. Ele sugeriu que eu descesse antes, na Avenida 63, pois o lago estava mais perto e talvez ainda desse tempo de ver um pouco da paisagem antes dos portões fecharem.
Agradeci o gesto — e desci ali mesmo, apressada, tentando aproveitar cada minuto.
O parque estava quase vazio. O chão ainda molhado refletia o cinza do céu, e as árvores balançavam devagar, como se respirassem depois da tempestade. Caminhei rápido, tentando encontrar o lago principal, aquele que eu tinha visto em fotos. Encontrei, fiz um vídeo curto, tirei algumas fotos. Fiquei por ali uns quinze minutos.

Foi bonito, mas foi breve.
Não era o passeio que eu tinha imaginado.
Queria dar a volta completa no lago, correr um pouco, sentir o ar da cidade no fim da tarde. Mas o tempo, a chuva e o trânsito não deixaram. E o parque, como toda cidade grande, também tem seus horários — e fechava às seis.
Atravessei a passarela até a Biblioteca Pública Virgilio Barco, que fica ao lado do parque. A arquitetura circular é belíssima, com grandes janelas e uma vista panorâmica para o verde. Entrei por alguns minutos, olhei o saguão e os corredores, mas o café já estava fechado. Era 18h12 quando comecei a voltar pra casa.

No Uber de volta, fiquei olhando a cidade pela janela. O trânsito ainda estava parado, as luzes refletindo nas poças. A sensação era agridoce — de ter ido, mas não vivido. Gastei 70 mil pesos nesse pequeno deslocamento, e a verdade é que fui apenas pra “marcar o pin” no mapa.
Passei num mercadinho, comprei um salgadinho e um chocolate, e voltei pro apartamento. Acendi um incenso de Palo Santo e deixei o aroma preencher o flat. Fiquei sentada, quieta, refletindo sobre o dia — sobre o que deu certo, o que não deu, e o que ainda quero viver.
💬 Nem todos os dias de viagem são incríveis — e tudo bem.
Acho que foi um dia pra aprender a respeitar o tempo: o da cidade, o da chuva, o do corpo e o meu.
Eram dez da noite. Escovei os dentes, tomei um chá e deitei. Nada como outro dia.
💡 DICAS!
- O Parque Simón Bolívar é o principal parque urbano de Bogotá — com lago, trilhas, jardins e espaços culturais. Planeje-se para ir pela manhã ou início da tarde, pois ele fecha às 18h.
- A Biblioteca Virgilio Barco, logo ao lado, tem um design circular incrível e vista panorâmica.
- Depois de chuva forte, o trânsito pode ficar bem lento — evite deslocamentos longos no fim do dia.
- E lembre-se: se o passeio não sair como planejado, não significa que foi em vão. Cada dia de viagem ensina algo — até os mais nublados.
Dia 8 – Ritual de despedida ☕🎨🌇
Acordei às 6h da manhã com a sensação de que este seria um dia especial. O Portal 10/10 trazia consigo uma energia simbólica — de fechamento e recomeço.
Então, antes de abrir o computador, fiz um ritual simples e silencioso: três respirações profundas, incenso aceso, pensamentos de gratidão e intenção. Enquanto o aroma preenchia o flat, passei meu café, fiz meus ovos mexidos e escrevi no caderno o que eu desejava para o dia. Tomei uma ducha.
Comecei a manhã com uma mentoria às 9h30 (horário do Brasil), seguida de um alinhamento e mais uma sessão de mentoria. Me senti produtiva, focada, com a cabeça leve. Em seguida, fui treinar pernas na academia do prédio. Achei graça ao ver uma menina treinando com uma caixa de som gigante, enquanto eu usava meus fones — pequenas diferenças culturais que dão cor à rotina.
Voltei feliz. Fechei a semana de treinos com sucesso: três sessões de musculação e duas corridas concluídas. A terceira corrida, deixei planejada para Medellín, no domingo.
De banho tomado, preparei massa com atum e alcaparras, almocei e ainda encaixei e segui por mais uma tarde produtiva de trabalho. Com tudo encaminhado, decidi que o resto da tarde seria meu. Meu último passeio em Bogotá.
Retorno a La Candelaria para uma tarde cultural 🎨💰
Saí do apartamento às 15h, horário local (17h no Brasil). Queria aproveitar as últimas horas de luz e voltar antes do anoitecer.
Peguei um Uber rumo à La Candelaria, com destino certo: o Museu Botero, a Casa de la Moneda, e, se desse tempo, um chocolate quente no La Puerta Falsa. Cheguei por volta das 15h50. Passei pouco mais de uma hora entre os museus — o suficiente para me perder nas histórias que cada parede guardava.
O Museu Botero é encantador: instalado em uma casa colonial com jardins internos e um café escondido no fundo, abriga as obras do artista mais celebrado da Colômbia. As esculturas e pinturas, todas marcadas por formas arredondadas e proporções exageradas, expressam uma alegria visual que é a cara do país. Botero tinha fascínio pelo cotidiano, pela ironia leve e pelas curvas da vida.
Logo ao lado, descobri que o Museu Botero e a Casa de la Moneda são conectados — dividem o mesmo pátio colonial e ainda se unem a um terceiro espaço, o Museu do Banco da República.
A Casa de la Moneda guarda a trajetória econômica da Colômbia: moedas antigas, cédulas de diferentes períodos, cofres, matrizes de impressão e histórias sobre quem desenhou cada símbolo.
O som do chão de madeira rangendo sob os passos entrega a idade do lugar. As tábuas se movem, se abrem, respiram com o tempo. É como se cada ruído fosse uma lembrança viva da história.
O Museu do Banco da República, por sua vez, traz obras mais modernas, com artistas contemporâneos colombianos e latino-americanos. Não sou uma grande fã de museus — não tenho paciência pra ler cada placa —, mas me deixei ficar ali. Entre cores, moedas e quadros, senti que o tempo passou devagar.










Igreja de doce e o sabor da despedida 🍫⛪
Ao sair, caminhei cerca de 400 metros até a Iglesia del Carmen, uma das mais impressionantes de Bogotá. De longe, ela parece um doce gigante — toda branca e vermelha, com listras que lembram pirulito de natal. Fiquei admirando por fora, porque estava fechada. Dizem que o interior é ainda mais bonito, mas só a fachada já basta pra encantar.

Continuei o passeio descendo pela rua do Teatro Colón. O prédio é lindíssimo — imponente, cheio de detalhes arquitetônicos que chamam a atenção de quem passa. Vi que a bilheteria estava aberta e decidi entrar. Até me perguntei se eu deveria comprar um bilhete para conhecer o interior do teatro, que parecia maravilhoso visto de fora, mas devido ao tempo, eu segui em frente. Porém, quando retornei mais tarde para pegar o Uber de volta para o apartamento, percebi uma fila enorme na porta. Foi aí que entendi que naquela noite haveria espetáculo — e que o Teatro Colón segue vivo e ativo, pulsando cultura no coração de Bogotá.
Segui caminhando até a Plaza Bolívar, passando pelas colunas gregas do Capitólio e o Palácio da Justiça. Achei que encontraria a praça vazia, mas me enganei: ainda havia bastante movimento. Fiz mais algumas fotos, observei o vai e vem das pessoas e segui rumo à minha parada final: La Puerta Falsa.
O La Puerta Falsa existe desde 1816 e é um dos lugares mais tradicionais de Bogotá. Fica em uma ruazinha lateral à Catedral Primada, repleta de lojinhas e vendedores ambulantes.
No caminho, me senti um pouco vulnerável — o movimento era diferente e preferi guardar o celular.
Chegando lá, perguntei se havia ajiaco (a famosa sopa colombiana), mas já tinha acabado. A Dona sugeriu o tamale, servido na folha de bananeira — mas eu não estava com tanta fome. Então, ela sorriu e recomendou o clássico da casa: chocolate quente com queijo e pão.
Aceitei. E foi mágico!





Sentei num cantinho antigo, com paredes estreitas e cheiro de história.
O prato veio fumegante: uma xícara de chocolate quente, dois pãezinhos — um de milho e outro com manteiga — e um pedaço de queijo branco, que deve ser cortado em cubinhos e mergulhado no chocolate até derreter.
O queijo não mistura com o chocolate — só amolece, e o sabor é indescritível.
Aquele momento simples, entre o cheiro do cacau e o murmúrio das conversas, foi um dos mais emocionantes da viagem. De repente, senti vontade de chorar — de felicidade. De estar ali, viva, sozinha, corajosa e grata por estar realizando o sonho de conhecer o mundo.
Despedida e gratidão 🌙
Saí do La Puerta Falsa e voltei à Plaza Bolívar para ver a praça iluminada.
Tudo se acendeu, menos a Catedral — mas ainda assim o cenário era lindo.


Fiz minhas últimas fotos e, por volta das 18h15, caminhei até a Carrera 3, onde chamei o Uber de volta. No caminho, me perguntei como seria La Candelaria à noite — se haveria movimento, se alguém morava ali, se as ruas ficavam desertas. Bogotá sempre desperta mais perguntas do que respostas.
Cheguei ao apartamento extremamente feliz e realizada. Preparei meu chá, comi um chocolate, organizei a mala, fiz o check-in e deixei tudo pronto para o voo do dia seguinte, rumo a Medellín — e de novo, coração aberto.
Por um momento, senti saudade de casa, dos meus gatos, da minha rotina — mas também enti orgulho de estar vivendo tudo isso.
Bogotá me recebeu com frio, cultura, gentileza e um silêncio bonito.
💬 Foi a primeira cidade da viagem — e a que me ensinou a estar só, mas inteira.
💡 DICAS!
- O Museu Botero, a Casa de la Moneda e o Museu do Banco da República são conectados — dá pra visitar os três com calma em cerca de 1h30.
- A Iglesia del Carmen impressiona pela fachada listrada; vá de dia para boas fotos.
- O La Puerta Falsa é parada obrigatória: prove o chocolate com queijo e pão, um clássico local desde 1816.
- A Plaza Bolívar fica linda no fim da tarde — leve casaco e cuidado redobrado ao circular à noite.
- Bogotá pede calma, atenção e entrega. É uma cidade que se revela aos poucos — e recompensa quem a vive devagar.
Bogotá foi a porta de entrada perfeita, com seus contrastes, sua carga histórica e aquele friozinho de montanha que exige respeito e um bom café. Mas a Colômbia ainda guardava surpresas em outras altitudes e temperaturas. No próximo post, conto todos os detalhes da minha experiência de uma semana em Medellín: descubra como a ‘Cidade da Eterna Primavera’ me conquistou com seu ritmo vibrante e sua transformação urbana impressionante.
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