Bogotá – semana 1 da viagem

Plaza Bolívar

Dia 1 – Chegada à Colômbia 🇨🇴

Acordei às 6h30, finalizei os últimos ajustes da casa e segui para o aeroporto de Florianópolis. O trajeto levou cerca de 30 minutos e, para minha surpresa, o aeroporto estava bem tranquilo. Fiz o despacho da mala no guichê da Gol e comemorei minha primeira vitória da viagem: 24,5 kg na bagagem! Pode parecer detalhe, mas considerando que havia pelo menos 3 kg de produtos de higiene e 2 kg de suplementos, foi um verdadeiro feito. E o melhor é que essa mala tende a ficar mais leve ao longo dos dias — afinal, shampoo, vitaminas e whey vão sendo consumidos no caminho.

Vencendo o excesso de peso na bagagem

O voo de Floripa até São Paulo foi tranquilo. Em Guarulhos, eu já estava com os cartões de embarque, então bastou seguir até a área de conexões internacionais. Achei curioso que, ao passar pelo controle, fui escolhida de forma aleatória para revista completa — precisei tirar os tênis, abrir a mochila e passar por inspeção corporal. Nada demais, mas vale o registro.

💡 DICA! Leve sempre os itens de higiene de mão em uma embalagem ziplock transparente. Evita constrangimentos e agiliza o processo de embarque.

O Terminal 2 de Guarulhos, onde foi o meu embarque, deixou a desejar: poucas opções de restaurantes e áreas de descanso. Por sorte, descobri que meu cartão dava acesso à sala VIP via LoungeKey (gratuito 4 vezes ao ano). Foi a melhor decisão do dia. Tive comida à vontade, banheiro limpo, internet excelente e até consegui participar de uma reunião de trabalho. O custo compensou muito — uma refeição simples no aeroporto sairia facilmente por R$ 60.

Sala Vip

Às 15h50, deixei a sala VIP e fui até o portão de embarque do voo das 16h50 rumo a Bogotá. Precisei fazer um check-in rápido no balcão da Avianca, apenas para confirmar presença e vincular minha bagagem ao voo. A parceria Gol + Avianca me surpreendeu: a mala despachada em Florianópolis seguiu direto até Bogotá, sem precisar ser retirada em São Paulo.

💡 DICA! Se você costuma viajar com bagagem despachada, use uma SmartTag ou AirTag. A minha mostrou exatamente onde minha mala estava — próxima ao avião — e me deu uma tranquilidade enorme. Tenho duas: uma na mala e outra na bolsa, que carrego comigo por segurança, especialmente aqui na Colômbia.

O voo foi agradável: avião moderno, assentos um pouco mais espaçosos que os da Gol (apesar de não reclinarem), e quase nada de turbulência. A Avianca não oferece serviço de bordo gratuito e como chegaria tarde da noite comprei um sanduíche durante o voo mesmo. Paguei certa de 10 dólares e o pagamento é feito somente em cartão. Foi o que me salvou! Chegamos com 20 minutos de antecedência, às 8h17 (horário local), mas o desembarque demorou um pouco — ficamos até 9h20 dentro do avião, pois ele estacionou longe do terminal e tivemos que esperar o ônibus para o desembarque.

A chegada em Bogotá, confesso, foi o único ponto cansativo. O controle migratório estava lotado, com filas que pareciam intermináveis, mas o processo em si foi simples. A agente perguntou o motivo da viagem, confirmei que era turismo, informei o nome do hotel e pronto. Curiosamente, ninguém pediu meu certificado da vacina contra febre amarela, embora ele seja exigido para entrada no país.

Quando saí da imigração, minha mala estava lá, sozinha me esperando — intacta e firme. A parte mais confusa foi encontrar a saída do aeroporto: precisei passar as malas por um scanner, seguir a sinalização até o primeiro piso e recusar diversos táxis oferecendo corrida. Optei por pegar Uber, o que exigiu subir de volta ao segundo piso, mas acabou sendo tranquilo e seguro.

A viagem até o hotel foi serena e quando cheguei percebi que ele tinha formato de flat, o que é ótimo para o meu estilo de viagem. O acesso não era muito claro, mas logo encontrei a entrada lateral. Fiz o check-in rapidamente e subi para o quarto.

O Taj 97 é uma gracinha de flat. Ele tem máquina de lavar, banheiro amplo, fogão, geladeira, forno micro-ondas, bancada para trabalhar, bancada para refeições, uma cama de solteiro, uma cama de casal e TV. Tudo muito funcional e bem distribuído. Paguei cerca de R$1.500 pela estadia e a internet foi excelente — fundamental para os dias de trabalho remoto. O prédio ainda tem uma área de refeição no térreo, algo como um pequeno restaurante, mas ele já estava fechado quando cheguei (funciona até as 22h).

Planejei preparar meu próprio café — afinal, essa é uma das partes mais gostosas de estar viajando e, ao mesmo tempo, manter a rotina. Na manhã seguinte, o plano foi tomar café, comprar algumas coisinhas no mercado e começar a sentir o ritmo de Bogotá.

Minhas primeiras impressões da cidade? Bogotá tem um frio noturno ameno, algo entre 10 °C e 12 °C, mas muito mais suportável que o frio úmido de Florianópolis. A cidade é organizada, o trânsito é intenso e as pessoas fumam bastante.

Foi um dia longo, de despedidas, aeroportos e descobertas, mas também de pequenas vitórias — como despachar a mala certa, chegar segura ao hotel e dar o primeiro passo em uma jornada que promete ser inesquecível.

💡 DICAS!

  • Faça o check-in online, mas verifique sempre no balcão se há confirmação de bagagem em voos compartilhados (como Gol + Avianca).
  • Se tiver longas conexões, uma sala VIP pode valer o investimento.
  • E nunca subestime o poder de um sanduíche a bordo quando o destino chega tarde da noite.
Plaza Bolívar em Bogotá

Dia 2 – Primeiras voltas pela cidade 🇨🇴

O segundo dia começou cedo — bem mais cedo do que eu planejava. Programei o despertador para as 9h, mas às 6h30 já acordei com o barulho de obra aqui perto. Tentei resistir, mas às 7h30 acabei levantando, liguei o computador e aproveitei o tempo para resolver algumas pendências: pagamentos pro meu pai, mensagens, e-mails.

O café da manhã foi bem improvisado, mas com gostinho de vitória: trouxe café do Brasil e meu whey protein, e isso me salvou. Como cheguei muito tarde na sexta-feira, não tinha conseguido ir ao mercado. Depois do café, me arrumei e saí pra resolver isso.

O mercado foi uma experiência à parte. Fiquei mais de uma hora passeando pelos corredores e comprando tudo o que precisava para a semana: macarrão, carne, frango, manteiga, queijo, pão, Jamón, sabão em pó… de tudo um pouco. No total, gastei cerca de 200 mil pesos colombianos — e garanti minhas principais refeições por vários dias. A ideia era simples: preparar café da manhã, almoço e jantar em casa, e deixar os gastos externos para cafés, sucos e pequenas refeições. Essa estratégia gerou uma economia significativa ao longo das três semanas de trabalho remoto na Colômbia.

Mercado da semana

De volta ao flat, organizei as compras, cozinhei e almocei. Depois, decidi sair para caminhar e começar a explorar os arredores. Fui até a Zona T, uma das áreas mais vibrantes de Bogotá. Ela é cheia de restaurantes, bares e lojas — inclusive o Shopping Andino, que é bem bonito e moderno. No começo, a cidade ainda parecia só uma metrópole grande, mas à medida que fui andando e observando as pessoas, comecei a me encantar com o ritmo, o estilo e o clima.

💡 DICA! Bogotá é conhecida por seu clima de montanha — nem quente, nem frio —, fresco e imprevisível, e as pessoas se vestem muito bem. Vale caprichar nos looks de meia estação e camadas leves.

Parei para experimentar uma limonada de coco, e foi amor à primeira vista (ou melhor, ao primeiro gole). É cremosa, refrescante e levemente doce — uma das bebidas mais gostosas que já provei em viagens.

Limonada de coco

Logo depois, encontrei o Wesam, meu amigo e grande conselheiro de viagem. Ele me levou a um parque vertical, que fica pertinho da Zona T. O lugar é incrível: tem piscina, quadra de basquete, academia e um mirador com vista linda da cidade. Tiramos várias fotos lá e ainda vimos um curta passando no telão — o do gatinho preto – Flow, aquele que concorreu ao Oscar. A estrutura é super moderna e o parque fica ainda mais bonito à noite, todo iluminado.

Eu e Wesam do alto do Parque Vertical

Depois, voltamos para a Zona T e tentamos entrar em um restaurante — mas não deixaram o Wesam entrar porque ele estava de bermuda. Acabamos indo a outro, o Isola, e foi uma ótima surpresa. Pedimos batata frita trufada, pastelzinho e eu ainda experimentei uma margarita mango biche. Uma das melhores margaritas que já provei!

De lá, fomos caminhando até a Zona G, que é uma região mais gastronômica, cheia de restaurantes charmosos. A caminhada noturna foi uma delícia — segura, tranquila e com aquele clima fresco da cidade. Escolhemos um lugar para comer, uma hamburgueria. Bogotá, de fato, me surpreendeu positivamente. É organizada, limpa e transmite uma sensação de segurança.

Os carros andam devagar, o trânsito flui com calma e o comportamento das pessoas é muito respeitoso. Claro, há detalhes que chamam atenção: sente-se muito cheiro de cigarro e de combustível (diesel), e as construções — quase todas de tijolo à vista — dão à cidade uma identidade própria.

💡 CURIOSIDADE: grande parte dos prédios de Bogotá é feita com tijolos aparentes. Aparentemente, essa estrutura ajuda a manter o interior mais quente. A maioria dos apartamentos não tem ar-condicionado, ventilador e nem calefação, e mesmo assim, os ambientes são agradáveis. Em alguns lugares, vê-se apenas pequenas labaredas de fogo, usadas para aquecer o espaço — dão até um charme especial às noites frias.

Bogotá do alto com os seus tijolos a vista

Voltei para o hotel no fim da noite, feliz e impressionada com a energia da cidade. Claro, o fato de estar com o Wesam ajudou a me sentir mais confiante, mas já percebo que Bogotá tem um ritmo próprio, calmo e acolhedor.

A comida é saborosa e a cada esquina parece haver algo novo para descobrir. No dia seguinte, o plano foi acordar cedo, correr pela Carrera 7, visitar o Cerro Monserrate (subir de funicular e descer de teleférico), explorar La Candelaria e encerrar o dia na Plaza Bolívar.

💡 DICAS!

  • Faça compras no mercado logo nos primeiros dias — ajuda a economizar e a manter a rotina.
  • Experimente a limonada de coco — é quase um patrimônio nacional.
  • E não subestime o poder de caminhar: Bogotá revela sua beleza nas ruas.

Dia 3 – Corrida na Carrera 7, subida ao Cerro Monserrate e um mergulho na alma de Bogotá 🏃‍♀️⛰️🇨🇴

O dia começou cedo, às 6h30, com uma leve dor de barriga — culpa da margarita de manga da noite anterior na Zona T. Inacreditavelmente tenho intolerância a frutose, mas quis ter a experiência completa, e valeu a pena. Ainda bem que o desconforto passou rápido, porque o corpo precisava estar pronto para o treino matinal.

Saí do Taj 97 empolgada e fui direto pra Carrera 7, uma das avenidas mais icônicas de Bogotá. O mapa dizia que levaria 30 minutos até lá, mas em menos de 10 já estava na pista. Comecei a correr animada, mas logo senti o impacto da altitude — as pernas pesadas, o ar mais rarefeito, a respiração curta. Bogotá está a 2.600 metros acima do nível do mar, e o corpo sente.

Depois dos primeiros 3 km, tudo fluiu: o corpo aqueceu, o ritmo encaixou e a corrida virou prazer. Fiz 6 km no total, parando aqui e ali pra fotografar uma igreja, as montanhas ao fundo e as construções de tijolo à vista. Terminei feliz, realizada e com aquela sensação boa de ter começado o domingo de um jeito que só quem ama correr entende.

Corrida na Carrera 7

💡 DICA! Quem corre em Bogotá precisa respeitar o corpo. A altitude impacta o desempenho — vá devagar nos primeiros quilômetros e hidrate-se bem.

Depois do treino, parei num Oxxo pra comprar água, voltei pro flat e preparei meu café da manhã. Planejava sair às 10h, mas me atrasei um pouco — e o atraso acabou sendo providencial, já que percebi no meio do caminho que tinha deixado a cafeteira ligada. Voltei de Uber, gastei 35 mil pesos a mais, mas voltei em paz. Melhor gastar do que incendiar o Taj 97 rsrsrs.

Subida ao Monserrate

Na segunda tentativa, cheguei de vez ao Cerro Monserrate — um dos pontos mais altos e famosos de Bogotá. O lugar estava lotado, o que parece ser a regra por aqui. Logo percebi que havia uma opção de Fast Pass, um ingresso com acesso rápido ao funicular e ao teleférico. Comprei o meu por 87 mil pesos e não me arrependi — economizei pelo menos uma hora de fila.

Furnicular

O tempo estava instável: nublado, com garoa leve, e de repente um sol escaldante. Foi quando descobri outro detalhe curioso da cidade: o índice de radiação UV. Naquele dia, marcava 11 — extremo. As recomendações eram claras: “evite sair de casa entre 10h e 16h”. Absurdo pra quem está turistando, né? Mas serviu de alerta: o sol aqui é forte de verdade. (Colocar porque).

Isso acontece por uma combinação geográfica específica: a altitude e a latitude. Como eu coloquei, Bogotá está a aproximadamente 2.600 metros acima do nível do mar. Nessa altura, a camada de atmosfera é muito mais fina, o que significa que existe menos ‘filtro’ natural para absorver e espalhar os raios ultravioletas antes que eles cheguem à sua pele.

Para completar, a cidade está localizada muito próxima à Linha do Equador, onde os raios solares atingem a Terra de forma muito mais direta e vertical. Ou seja: você está mais perto do sol e com menos proteção atmosférica. É o cenário perfeito para queimaduras sérias, mesmo quando o céu está nublado ou o clima parece ‘fresquinho’.

Subi de funicular e desci de teleférico. Ambos estavam cheios — e o teleférico, especialmente, parecia o bondinho do Pão de Açúcar, com dezenas de pessoas por cabine. Foi um pouco caótico, mas bastou chegar ao topo pra esquecer o desconforto.

Vista do Cerro Montserrat

A vista panorâmica de Bogotá é de tirar o fôlego. A cidade parece não ter fim, um mar de prédios e avenidas se estendendo até as montanhas. Lá em cima, visitei a Basílica do Señor de Monserrate, caminhei pelas lojinhas e comprei três ímãs de geladeira — os primeiros da viagem. Fiquei lá por cerca de duas horas, entre meio-dia e duas da tarde. Apesar da multidão, valeu cada segundo. A vista, o vento, a energia das pessoas… tudo faz o lugar ser especial.

💡 DICAS!

  • Monserrate fica a 3.150 metros de altitude. Leve casaco e use protetor solar — você vai sentir frio e calor no mesmo dia.
  • O perigo das nuvens: Explique que as nuvens barram a luz visível (o brilho do sol), mas não barram a radiação UV. Por isso, a gente não sente o “calor” imediato na pele e acaba esquecendo do protetor solar, o que é um erro clássico em cidades de altitude.

La Candelaria e Plaza Bolívar

Desci de teleférico e segui caminhando pelo centro histórico, descendo pela Rua de Las Aguas. Passei em frente à Quinta de Bolívar, uma antiga casa-museu dedicada ao libertador Simón Bolívar, mas não entrei — só aceitavam pagamento em dinheiro, e eu estava apenas com cartão.

Continuei descendo até chegar em La Candelaria, o bairro mais histórico e colorido de Bogotá. As ruas são de paralelepípedo, cheias de cafés, murais de arte e lojinhas. Caminhei com calma, observando as pessoas, os sons, os cheiros, e me surpreendi com o clima de segurança. Apesar da fama de perigoso, me senti tranquila o tempo todo nessa região central.

Passei por todos os museus que estavam no meu roteiro — Museu Botero, Casa de la Moneda, Museu do Ouro —, mas não entrei em nenhum. Museus exigem tempo, silêncio, entrega. E o meu dia era de movimento, de rua, de sentir a cidade viva.

Por volta das 15h, parei em um Juan Valdez Café, onde comi um pastel delicioso e um brownie maravilhoso. Pedi um café gelado e acabei recebendo uma bebida alcoólica — provavelmente não entendi direito o espanhol da atendente, que aqui é mais rápido e menos “limpo” do que o do Chile. Bebi um gole, não gostei e deixei o copo cheio na mesa. Faz parte.

Juan Valdez

Segui a caminhada rumo à Plaza Bolívar — mas acabei saindo no Teatro Colón antes. E foi ali que vi o centro de Bogotá pulsando: uma multidão infinita de pessoas. Gente de todas as idades, vendedores, artistas de rua, pombos, crianças, balões — um caos alegre e colorido.

Por um momento, senti um pouco de medo com o celular, mas eu tinha uma guia presa ao corpo, então estava segura. Fui caminhando com atenção e, com a ajuda do ChatGPT (meu guia em tempo integral😄), consegui me localizar até chegar na Plaza Bolívar.

A praça é enorme, linda e imponente. Cheia de vida, de gente, de história. Tirei fotos maravilhosas, ainda que lotadas — fico imaginando o quanto seria linda vazia, só com o som dos passos e do vento.

Plaza Bolívar

💡 CURIOSIDADE: a Plaza Bolívar é o coração político da Colômbia. Nela ficam o Capitólio Nacional, a Catedral Primada e o Palácio da Justiça — e cada prédio conta um pedaço da história do país.

Capitólio Nacional: conhecido como a ‘obra do milênio’, ele levou impressionantes 80 anos para ser concluído (entre 1848 e 1926). Sua imponente arquitetura neoclássica, com colunas jônicas pesadas, reflete o desejo da época de espelhar as democracias europeias e norte-americanas. É a sede do Congresso e um símbolo da estabilidade legislativa.

Catedral Primada: além de sua beleza arquitetônica, ela ocupa um lugar sagrado na história: foi construída no mesmo local onde foi celebrada a primeira missa de fundação de Bogotá, em 1538. O prédio atual é a quarta versão da catedral, já que as anteriores foram destruídas por terremotos ou pelo tempo.

Palácio da Justiça: é, talvez, o prédio com a carga emocional mais forte. O edifício que vemos hoje é o terceiro a ocupar o local. O anterior foi palco do trágico cerco de 1985, um dos episódios mais dramáticos da história recente da Colômbia. Hoje, ele se ergue como um símbolo de resiliência e da força do poder judiciário.”

Ao dar a volta no Capitólio, encontrei o que buscava desde cedo: um espaço de silêncio e paz. Quase nenhum turista, poucos locais, só o som leve do vento. Fiquei um tempo ali, sentada, respirando e olhando o Palácio de Nariño. Era o fechamento perfeito de um dia intenso.

Palácio de Nariño – Sede da Presidência da República

Pensei no quanto às vezes me cobro pra “ver tudo” em uma cidade. Mas não dá pra viver tudo em sete dias. E talvez nem precise. Neste dia, eu vivi Bogotá — corri, subi montanha, desci ruela, comi pastel, me perdi, me encontrei, me estressei e me encantei.

Voltei pra casa por volta das 17h, com o coração cheio e a mente calma. No dia seguinte começou uma nova fase: trabalhar, treinar e, entre um compromisso e outro, continuar descobrindo o que mais essa cidade tem pra me oferecer.

💡 DICAS!

  • A radiação UV em Bogotá é altíssima: use protetor solar, mesmo com o céu nublado.
  • Em Monserrate, compre o Fast Pass — evita filas gigantes.
  • Aos domingos, a cidade fecha a Carrera 7 (e várias outras avenidas principais) para a Ciclovía Dominical — um projeto lindo que transforma as ruas em pistas para ciclistas, corredores e pedestres. É uma experiência imperdível para quem quer sentir o ritmo da cidade e se misturar aos locais.
  • Na Candelaria, aproveite o passeio pelas ruas coloridas sem pressa.
  • E, na Plaza Bolívar, permita-se apenas estar.

Dia 4 – Rotina em outro país: trabalho, treino e vida real ☕💻🏋️‍♀️

Depois de um fim de semana cheio de descobertas, o quarto dia em Bogotá foi diferente — o primeiro realmente comum. E essa “normalidade” até causou uma estranheza boa. Pela primeira vez desde que cheguei, vivi um dia que se parecia com a minha rotina em Florianópolis.

Consegui dormir cedo, tive uma ótima noite de sono e acordei às 6h da manhã (8h no Brasil), descansada e com energia. Preparei um café simples, com meu pãozinho e ovos mexidos, passei meu café, depois tomei uma ducha antes de abrir o computador. Às 7h, já estava em reunião — e o dia seguiu assim até as 10h (meio-dia no horário de Brasília).

No intervalo, tomei meu whey protein e fui treinar. A academia do Taj 97 me surpreendeu positivamente. Pequena, mas funcional, deu pra improvisar bem o treino de fortalecimento. O corpo respondeu bem — foi aquele treino bom, que revigora e dá a sensação de estar “em casa”.

Academia do prédio

Depois do treino, subi, tomei banho e preparei meu almoço. A tarde seguiu com mais reuniões, entre 13h e 18h (horário de Brasília). Um dia intenso de trabalho, mas fluido. Lá fora, o tempo alternava entre sol e friozinho — aquele clima montanhoso que já estou aprendendo a amar.

Quando finalizei o expediente, resolvi sair um pouco. Caminhei até o Parque 93, que fica a cerca de 20 minutos do hotel. O parque é agradável, cercado por cafés e restaurantes, mas confesso: achei simples, nada muito marcante. Tirei algumas fotos, dei uma volta e segui o plano de resolver uma pendência prática — fazer minhas unhas em Bogotá.

Parque 93

Um pequeno caos chamado “acrigel” 💅

Antes da viagem, minha manicure no Brasil e eu montamos uma estratégia: remover parte da esmaltação acrílica para evitar descolamento durante o mês fora. Mas o plano falhou. Dois dias depois, as unhas começaram a soltar — e logo no primeiro dia aqui, uma delas já estava descolando completamente.

Fiquei chateada, pois o descolamento de unhas possibilita infiltração, o que pode dar fungos. Então, resolvi agir. Pesquisei salões próximos e encontrei a Magic Nails, um espaço que parecia promissor. Antes de ir, enviei mensagem para minha amiga Colombiana Paula Trespalacios para confirmar se era um lugar seguro. Ela garantiu que sim — e eu fui.

O resultado? Muito melhor do que eu esperava. Estava com a expectativa muito baixa e ficou incrível e linda. Apenas a técnica delas é um pouco diferente, mas o resultado final foi igual.

Usei o tempo no salão pra praticar o espanhol e aprender novas palavras: polvito (pozinho), manicura, me dolió. A conversa fluiu, e percebi o quanto meu espanhol está destravando. Ainda tropeço nos conectores e nas construções mais naturais, mas o avanço é claro — e ouvir o idioma o dia inteiro tem feito a diferença.

Unhas feitas em Bogotá

Entre o frio, o chá e as pequenas alegrias 🌙

Voltei pro flat com o friozinho típico da noite bogotana. Preparei um chá quente, comi algumas bolachinhas e cozinhei algo leve pro jantar. Tomei um multigrip — a garganta estava arranhando um pouco, talvez pelo ar seco e pelas variações de temperatura — e decidi dormir cedo novamente.

Passei um pouquinho de frio durante a noite anterior, então improvisei: lavei uma calça e separei outra para dormir. Pequenos ajustes da vida real em outro país.

Este dia senti saudade de Floripa, mas também um orgulho enorme por estar conseguindo viver a rotina aqui com leveza. Trabalhar, treinar, cuidar da casa, resolver imprevistos, praticar o idioma… tudo isso, em outro lugar, tem um sabor diferente.

💡 DICAS!

  • Se for trabalhar remotamente em Bogotá, busque hospedagem com academia e boa internet — faz toda a diferença para manter o ritmo.
  • Traga sempre um plano B de autocuidado (manicure, cabelo, farmácia, etc.) — pequenas coisas do dia a dia também precisam de solução durante viagens longas.
  • A temperatura de Bogotá pode variar muito ao longo do dia — leve camadas leves e confortáveis.
  • E, se estiver aprendendo espanhol, use o cotidiano a seu favor: converse com os locais, pergunte, ouça. É no improviso que o idioma começa a fluir.

Dia 5 – Corrida, rotina e descobertas em Usaquén 🏃‍♀️☕🇨🇴

O quinto dia começou cedo — 6h da manhã. Acordei sem tomar ducha, porque o treino do dia seria de corrida. Preparei meu café da manhã de sempre — ovos mexidos, café e um pedacinho de pão — e abri o laptop para as primeiras reuniões do dia.

Foram duas reuniões seguidas, e depois fiquei mergulhada em alinhamentos, mensagens e suporte ao time. A rotina de trabalho remoto começa a se encaixar bem aqui: o cenário é outro, mas o ritmo é o mesmo.

Por volta das 10h (meio-dia no Brasil), me preparei para o treino. Tomei meu whey com leite para garantir energia e fui na academia do prédio correr. O plano inicial era fazer uma corrida de fartlek, mas como ainda estou resfriada e em altitude, optei por reduzir a intensidade e troquei o treino. Deixei este para quinta.

Foi uma das corridas mais difíceis que já fiz. A altitude de Bogotá cobra seu preço: nos primeiros 10 minutos, o coração parecia sair pela boca. Precisei parar, respirar, tomar água e recomeçar. Corri mais 10 minutos, parei de novo. Aos poucos, o corpo foi cedendo, e consegui finalizar 32 minutos de corrida.

Foi uma corrida produtiva, mas pesada. O ar seco, o clima instável e o corpo ainda debilitado me desafiaram. Mesmo assim, terminei com a sensação boa de quem insistiu e venceu o dia.

Voltei exausta, subi as escadas até o flat com o corpo cansado, mas feliz. Tomei uma ducha longa e quente, reidratei com eletrólitos à base de água de coco e fiz o meu almoço. Trabalhei mais um pouco, fechei algumas reuniões importantes e finalizei o expediente sentindo que o dia foi equilibrado — corpo, mente e trabalho em harmonia.

Tarde em Usaquén

No fim da tarde, fui até a Plaza de Usaquén, também chamada de Parque Fundacional de Usaquén. É um bairro encantador, de ruas de paralelepípedo, casas coloridas e uma atmosfera quase de cidade do interior. No centro, a Iglesia Santa Bárbara de Usaquén, do século XVII, observa silenciosa o movimento das lojinhas e cafeterias que a cercam.

Iglesia Santa Bárbara de Usaquén

Mesmo sendo um dia de semana, havia vida por ali — pequenas barracas abertas, artesãos vendendo lembranças e o som suave das músicas colombianas que sempre parecem sair de algum canto.

A praça em si é simples, como tantas outras praças da América Latina. Mas o encanto desse passeio não está na praça — está na experiência. Caminhar pelas ruazinhas, ver as fachadas coloridas e sentir o cheiro da cidade foi um prazer em si.

E, claro, eu não resisti ao artesanato local. Comprei pequenas colheres, pilões e tigelas esculpidos em duas madeiras típicas da Colômbia: a Guaiacã (Guayacán) e a Bera (ou Beira).

Artesanato local

A Guaiacã é uma madeira nobre, considerada uma das mais duras e resistentes do mundo. É densa, pesada, quase como ferro. Descobri que ela cresce lentamente nas regiões de clima quente do Caribe colombiano e que, além da beleza, é símbolo de força e longevidade. Já a Bera, mais clara e ligeiramente aromática, é uma madeira de textura suave e usada para utensílios de cozinha finos.

Pegando as peças na mão, dá pra sentir a diferença: o peso, o toque liso, a cor quente e natural. São objetos feitos pra durar uma vida inteira — e que carregam o espírito da floresta. Paguei 160 mil pesos (cerca de R$200) e saí com a mochila mais pesada (quase dois quilos a mais!), mas o coração leve.

São artesanias que não se encontram no Brasil, e saber que cada peça foi talhada à mão, com madeiras locais e técnicas tradicionais, fez da compra uma experiência cultural, não apenas um consumo.

💬 Talvez o mais bonito seja isso: descobrir que um simples pilão pode contar a história de um país.

🌳 Nota cultural – O símbolo do Guaiacã na Colômbia

O Guaiacã (Guayacán) não é apenas uma madeira — é uma árvore-símbolo do Caribe colombiano. Suas flores roxas e amarelas colorem cidades como Cartagena, Barranquilla e Santa Marta entre março e maio, transformando as ruas em tapetes de cor.

É considerada uma das árvores mais belas e resistentes do país, capaz de sobreviver a longos períodos de seca. Por isso, é vista como símbolo de resiliência e força, valores profundamente ligados à identidade colombiana.

Levar um pedaço de Guaiacã na bagagem é como levar um pedacinho da Colômbia — sua terra, sua cor e sua alma.

Um café com alma colombiana ☕

Depois das compras, parei na cafeteria Unión Libre, uma das revendedoras oficiais do lendário Amor Perfecto — considerado o melhor café premium da Colômbia e um verdadeiro símbolo nacional.

O Amor Perfecto é mais do que uma marca: é um movimento. Eles foram pioneiros em quebrar o paradigma de que o bom café colombiano era apenas para exportação. Criaram o conceito de café “tostado en origen”, ou seja, torrado ainda dentro do país, respeitando o ciclo do grão e valorizando o produtor local.

Cada xícara é uma declaração de amor ao café colombiano — e o nome “Amor Perfecto” não é à toa. O objetivo deles é que o colombiano volte a beber o seu próprio café, em vez de exportar o melhor e ficar com o resto.

Pedi um descafeinado por conta da hora, e o sabor me surpreendeu: rico, cremoso, com notas suaves de cacau e castanha. Veio acompanhado de um prato maravilhoso de huevos com salmón y aguacate, servido com pão. Foi uma das melhores refeições que fiz até agora.

Amor Perfecto e um lanche delicioso

O ambiente da Unión Libre é moderno, mas com aquele charme rústico de cafeteria latino-americana: paredes de tijolo, aroma de torra fresca, gente lendo, conversando baixinho, o som metálico da máquina de espresso.

Comprei 3 pacotes de café moído do Amor Perfecto, um pra levar pro meu pai — presente com alma, assim como as peças de madeira.

💬 O café aqui não é apenas uma bebida: é uma forma de pertencer.

Noite tranquila e balanço da semana 🌙

De volta ao apartamento, revisei as finanças e constatei o que já imaginava: gastei mais do que o planejado. Trouxe R$4.000 para alimentação, transporte e pequenos presentes, e em cinco dias já tinha gastado R$2.160.

O maior vilão? O Uber. Só com deslocamentos, foram cerca de R$1.000. Bogotá é uma cidade grande, com distâncias longas e trânsito intenso. E como mulher viajando sozinha, escolhi sempre o Uber Comfort, que é mais caro, mas muito mais seguro.

Os passeios, em compensação, foram na sua maioria gratuitos até aqui — o único gasto maior tinha sido o ingresso do teleférico de Monserrate.

Pequenas invenções, grandes aprendizados ☕✨

No fim da noite, ainda um pouco resfriada e com o corpo pedindo descanso, inventei um jeito novo de me cuidar. Aqui não tem chaleira, e eu estava cansada de esquentar água toda vez naquela panelinha pequena para preparar o chá. Então, olhando para cafeteira, tive uma ideia:
limpei bem, coloquei o chá dentro e deixei a água passar.

O resultado? Um chá quentinho, perfumado, feito com o mesmo ritual do café. O aroma tomou conta da cozinha — um cheirinho de casa em pleno apartamento colombiano. E o melhor: agora tenho mais de uma xícara pra me acompanhar enquanto escrevo e me preparo pra dormir.

💬 Viajar também é isso: descobrir novos jeitos de fazer o que sempre fizemos.

Essas pequenas adaptações são o que tornam a rotina fora do país mais leve.
A gente percebe que não precisa ter tudo igual ao que tem em casa — basta um pouco de criatividade e vontade de se ajustar. Improvisar, aqui, virou sinônimo de pertencer.

Coloquei o pijama, deixei o chá do lado e decidi que o plano era simples: descansar e anotar os aprendizados dos primeiros dias. Sigo com o coração leve, o nariz um pouco entupido, e o sentimento de estar, aos poucos, vivendo a Colômbia como quem mora aqui. Sem roteiros, sem pressa — só vivendo o que o país quiser me mostrar.

💡 DICAS!

  • Prepare o bolso: o transporte em Bogotá é caro, especialmente se optar pelo Uber Comfort (mais seguro para mulheres viajando sozinhas).
  • Artesanato local: procure peças de Guaiacã (Guayacán) e Bera/Beira — madeiras típicas, resistentes e de beleza única, esculpidas à mão por artesãos locais.
  • Café Amor Perfecto: símbolo do café colombiano, torrado no país e servido em cafeterias parceiras como a Unión Libre — vale cada gole e cada grão levado na mala.
  • Improviso e adaptação: nem sempre a cozinha terá tudo que você precisa — improvise, crie, adapte. Até uma cafeteira pode virar chaleira.
  • Clima e saúde: o ar seco e a altitude exigem hidratação constante.
  • Souvenirs e economia: compre em Bogotá e Medellín — nas cidades do Caribe, os preços sobem muito.

Dia 6 – Entre o trabalho, a fé e o cotidiano 💻⛪🌦️

Acordei cedo, como sempre, tomei uma ducha calma, mais por conforto do que por necessidade: o hidratante da noite anterior ainda deixava a pele um pouco melada, e eu queria começar o dia leve.

Enquanto preparava meus ovos com café, abri o computador para acompanhar uma roda de conversa da CS & Sales Week, uma semana especial da companhia que celebra o propósito do time e o porquê de existirmos como organização. O encontro trouxe histórias inspiradoras — um lembrete sobre a importância das pessoas e das conexões humanas no trabalho.

O resto da manhã seguiu no ritmo de sempre: reuniões, alinhamentos e decisões. Foi um dia cheio, daqueles em que o trabalho exige foco e equilíbrio. Fiquei pensando o quanto essa viagem também está me ensinando sobre isso — encontrar equilíbrio, entre a objetividade e a calma, entre o que precisa ser feito e o que pode esperar.

Depois do almoço, consegui encaixar o treino: fiz musculação e corrida. O corpo ainda sente a altitude e o resfriado, mas o exercício me ajuda a manter a energia e o foco.

No fim da tarde, resolvi sair. O frio estava aumentando, o céu começava a fechar, mas a vontade de respirar o ar da cidade falou mais alto. Chamei um Uber e fui até a Basílica Menor de Nuestra Señora de Lourdes.

A Basílica Menor de Nossa Senhora de Lourdes

O bairro é simples, cheio de cafés pequenos e um ar antigo de cidade que parou no tempo. A basílica, em estilo neogótico, impressiona logo de longe: suas torres finas e seus vitrais de 1930, recentemente restaurados, se destacam entre os prédios modernos ao redor.

Entrei durante a missa e fiquei no fundo observando o movimento — as pessoas, o som suave do órgão, o murmúrio das orações. Depois que a celebração terminou, voltei com calma para fazer fotos dos vitrais e da fachada. A luz atravessando o vidro colorido dava à nave um tom quase celestial.

Enquanto eu tirava as fotos, uma senhora se aproximou, ofereceu-se para registrar uma foto minha e começou a conversar. Falou sobre o bairro, sobre a fé e, num tom maternal, me alertou para cuidar do celular e evitar andar sozinha naquela região à noite. Me despedi com carinho, mas a conversa me deixou um pouco apreensiva — lembrei que estava só e que segurança também é parte da sabedoria de quem viaja.

💬 Esses encontros espontâneos são pequenos lembretes de que o mundo é feito de pessoas — e de cuidado.

Saí da basílica com vontade de ver a igreja iluminada, mas decidi voltar antes do anoitecer.

Basílica Menor de Nossa Senhora de Lourdes

Caminhando de volta 🌇

Dessa vez, voltei a pé. O trajeto da Basílica até o Taj 97 levou cerca de 50 minutos, pela Carrera 11 — uma avenida segura, bonita e cheia de vida. Foi uma caminhada tranquila e silenciosa, acompanhada pelo som da cidade.

Reconheci os lugares que já havia cruzado de Uber: cafés, restaurantes, esquinas familiares. Passei pela Zona T, resisti bravamente à tentação de comprar um casaco novo (a vontade era grande!), e segui observando o entardecer. Bogotá tem algo de nostálgico — é uma cidade que convida a andar devagar, a reparar nas coisas.

Zona T

💬 Acho que é caminhando que a gente realmente entende uma cidade.

Chegando no apartamento, passei no mercado para comprar água e chocolate — um mimo depois de um dia longo. Encontrei a moça da limpeza e pedi sabão, sacolas e retirada de lixo. São esses detalhes práticos que fazem a rotina de viagem parecer uma vida temporária em outro lugar.

Depois preparei um banho quente e um chá antes de dormir. Resolvi não passar hidratante, pra não ficar com aquela sensação melada — pequenas decisões do dia a dia que fazem diferença.

No dia seguinte não tinha reuniões tão cedo, podia acordar com mais calma, fazer minha terapia, e depois seguir com as atividades da tarde. O plano é correr no parque, talvez explorar mais uma região da cidade.

O dia 6 foi assim: um dia de trabalho e fé, de rotina e caminhada, de leveza e introspecção. Um dia sem grandes planos — e, por isso mesmo, cheio de significado.

💡 DICAS!

  • A Basílica Menor de Nuestra Señora de Lourdes vale a visita: vá durante o dia e repare nos vitrais de 1930, que foram restaurados recentemente.
  • Caminhar pela Carrera 11 é uma das melhores formas de conhecer Bogotá com segurança e observar o cotidiano da cidade.
  • Mesmo nas regiões centrais, evite circular sozinha à noite; Bogotá é acolhedora, mas pede atenção.
  • Leve casaco leve, calçado confortável e uma mente aberta para o que o dia trouxer.
  • Valorize os dias comuns — eles são o verdadeiro retrato de viver fora.

Dia 7 – Entre a chuva e o silêncio ☔📚🌫️

Acordei mais tarde neste dia pois não havia reuniões nas primeiras horas da manhã, então pude desacelerar. Fiz meu café com calma — o mesmo ritual de sempre: ovos e café preto. O apartamento estava silencioso e a cidade ainda despertando.

Sentei em frente ao computador por algumas horas. Revisei relatórios, respondi mensagens e aproveitei para reler os relatos dos últimos dias. Foi bonito perceber o quanto já vivi em tão pouco tempo. Às 11h, tive minha sessão de terapia — uma pausa necessária no meio do ritmo remoto.

O corpo ainda estava frágil, meio febril, então decidi não correr neste dia. Cozinhei devagar, sem pressa. Como o café da manhã foi tardio, o almoço virou quase um lanche entre as reuniões. À tarde, tive alinhamentos e entrevistas de contratação. Mais uma reunião, mais um fechamento.

Quando o relógio marcou o fim do expediente, o céu já estava escurecendo. Chovia forte em Bogotá, entre relâmpagos e trovoadas. Do lado de dentro, eu só conseguia ouvir o vento e o som da chuva batendo com força — não via o vai e vem dos carros nem as poças se formando nas ruas.
Mas dava pra sentir o peso da chuva. O ar ficava mais denso, o som mais grosso, como se o céu tivesse corpo. Então, esperei o tempo dar uma trégua, ouvindo a tempestade cair e tentando decidir se valia a pena sair.

Quando a chuva finalmente diminuiu, por volta das 17h (19h Brasil) decidi ir mesmo assim. Eu queria muito conhecer o Parque Simón Bolívar, um dos espaços mais icônicos da cidade.

O parque é considerado o “pulmão verde” de Bogotá — um enorme refúgio urbano com lagos, jardins, trilhas, áreas para esportes e até um auditório onde acontecem shows e eventos culturais. É o tipo de lugar que representa a alma da cidade: onde famílias se encontram, corredores treinam, jovens tocam violão à beira do lago e o tempo parece passar mais devagar.

Mas o meu dia não estava no ritmo da cidade. Quando o Uber chegou, eram 16h45. Eu não imaginava que toda aquela chuva tivesse causado um trânsito tão intenso. O aplicativo marcava uma hora de trajeto até o ponto de entrada que eu havia colocado, na Avenida 68

Tudo bem, pensei — “chego lá perto do pôr do sol e fico até umas 18h30”.

Foi então que o motorista comentou:

“El parque cierra a las seis.”

Olhei o visor: 5h35. Ele sugeriu que eu descesse antes, na Avenida 63, pois o lago estava mais perto e talvez ainda desse tempo de ver um pouco da paisagem antes dos portões fecharem.
Agradeci o gesto — e desci ali mesmo, apressada, tentando aproveitar cada minuto.

O parque estava quase vazio. O chão ainda molhado refletia o cinza do céu, e as árvores balançavam devagar, como se respirassem depois da tempestade. Caminhei rápido, tentando encontrar o lago principal, aquele que eu tinha visto em fotos. Encontrei, fiz um vídeo curto, tirei algumas fotos. Fiquei por ali uns quinze minutos.

Parque Simón Bolívar

Foi bonito, mas foi breve.
Não era o passeio que eu tinha imaginado.

Queria dar a volta completa no lago, correr um pouco, sentir o ar da cidade no fim da tarde. Mas o tempo, a chuva e o trânsito não deixaram. E o parque, como toda cidade grande, também tem seus horários — e fechava às seis.

Atravessei a passarela até a Biblioteca Pública Virgilio Barco, que fica ao lado do parque. A arquitetura circular é belíssima, com grandes janelas e uma vista panorâmica para o verde. Entrei por alguns minutos, olhei o saguão e os corredores, mas o café já estava fechado. Era 18h12 quando comecei a voltar pra casa.

Biblioteca Pública Virgilio Barco

No Uber de volta, fiquei olhando a cidade pela janela. O trânsito ainda estava parado, as luzes refletindo nas poças. A sensação era agridoce — de ter ido, mas não vivido. Gastei 70 mil pesos nesse pequeno deslocamento, e a verdade é que fui apenas pra “marcar o pin” no mapa.

Passei num mercadinho, comprei um salgadinho e um chocolate, e voltei pro apartamento. Acendi um incenso de Palo Santo e deixei o aroma preencher o flat. Fiquei sentada, quieta, refletindo sobre o dia — sobre o que deu certo, o que não deu, e o que ainda quero viver.

💬 Nem todos os dias de viagem são incríveis — e tudo bem.

Acho que foi um dia pra aprender a respeitar o tempo: o da cidade, o da chuva, o do corpo e o meu.

Eram dez da noite. Escovei os dentes, tomei um chá e deitei. Nada como outro dia.

💡 DICAS!

  • O Parque Simón Bolívar é o principal parque urbano de Bogotá — com lago, trilhas, jardins e espaços culturais. Planeje-se para ir pela manhã ou início da tarde, pois ele fecha às 18h.
  • A Biblioteca Virgilio Barco, logo ao lado, tem um design circular incrível e vista panorâmica.
  • Depois de chuva forte, o trânsito pode ficar bem lento — evite deslocamentos longos no fim do dia.
  • E lembre-se: se o passeio não sair como planejado, não significa que foi em vão. Cada dia de viagem ensina algo — até os mais nublados.

Dia 8 – Ritual de despedida ☕🎨🌇

Acordei às 6h da manhã com a sensação de que este seria um dia especial. O Portal 10/10 trazia consigo uma energia simbólica — de fechamento e recomeço.

Então, antes de abrir o computador, fiz um ritual simples e silencioso: três respirações profundas, incenso aceso, pensamentos de gratidão e intenção. Enquanto o aroma preenchia o flat, passei meu café, fiz meus ovos mexidos e escrevi no caderno o que eu desejava para o dia. Tomei uma ducha.

Comecei a manhã com uma mentoria às 9h30 (horário do Brasil), seguida de um alinhamento e mais uma sessão de mentoria. Me senti produtiva, focada, com a cabeça leve. Em seguida, fui treinar pernas na academia do prédio. Achei graça ao ver uma menina treinando com uma caixa de som gigante, enquanto eu usava meus fones — pequenas diferenças culturais que dão cor à rotina.

Voltei feliz. Fechei a semana de treinos com sucesso: três sessões de musculação e duas corridas concluídas. A terceira corrida, deixei planejada para Medellín, no domingo.

De banho tomado, preparei massa com atum e alcaparras, almocei e ainda encaixei e segui por mais uma tarde produtiva de trabalho. Com tudo encaminhado, decidi que o resto da tarde seria meu. Meu último passeio em Bogotá.

Retorno a La Candelaria para uma tarde cultural 🎨💰

Saí do apartamento às 15h, horário local (17h no Brasil). Queria aproveitar as últimas horas de luz e voltar antes do anoitecer.

Peguei um Uber rumo à La Candelaria, com destino certo: o Museu Botero, a Casa de la Moneda, e, se desse tempo, um chocolate quente no La Puerta Falsa. Cheguei por volta das 15h50. Passei pouco mais de uma hora entre os museus — o suficiente para me perder nas histórias que cada parede guardava.

O Museu Botero é encantador: instalado em uma casa colonial com jardins internos e um café escondido no fundo, abriga as obras do artista mais celebrado da Colômbia. As esculturas e pinturas, todas marcadas por formas arredondadas e proporções exageradas, expressam uma alegria visual que é a cara do país. Botero tinha fascínio pelo cotidiano, pela ironia leve e pelas curvas da vida.

Logo ao lado, descobri que o Museu Botero e a Casa de la Moneda são conectados — dividem o mesmo pátio colonial e ainda se unem a um terceiro espaço, o Museu do Banco da República.

A Casa de la Moneda guarda a trajetória econômica da Colômbia: moedas antigas, cédulas de diferentes períodos, cofres, matrizes de impressão e histórias sobre quem desenhou cada símbolo.
O som do chão de madeira rangendo sob os passos entrega a idade do lugar. As tábuas se movem, se abrem, respiram com o tempo. É como se cada ruído fosse uma lembrança viva da história.

O Museu do Banco da República, por sua vez, traz obras mais modernas, com artistas contemporâneos colombianos e latino-americanos. Não sou uma grande fã de museus — não tenho paciência pra ler cada placa —, mas me deixei ficar ali. Entre cores, moedas e quadros, senti que o tempo passou devagar.

Igreja de doce e o sabor da despedida 🍫⛪

Ao sair, caminhei cerca de 400 metros até a Iglesia del Carmen, uma das mais impressionantes de Bogotá. De longe, ela parece um doce gigante — toda branca e vermelha, com listras que lembram pirulito de natal. Fiquei admirando por fora, porque estava fechada. Dizem que o interior é ainda mais bonito, mas só a fachada já basta pra encantar.

Iglesia del Carmen

Continuei o passeio descendo pela rua do Teatro Colón. O prédio é lindíssimo — imponente, cheio de detalhes arquitetônicos que chamam a atenção de quem passa. Vi que a bilheteria estava aberta e decidi entrar. Até me perguntei se eu deveria comprar um bilhete para conhecer o interior do teatro, que parecia maravilhoso visto de fora, mas devido ao tempo, eu segui em frente. Porém, quando retornei mais tarde para pegar o Uber de volta para o apartamento, percebi uma fila enorme na porta. Foi aí que entendi que naquela noite haveria espetáculo — e que o Teatro Colón segue vivo e ativo, pulsando cultura no coração de Bogotá.

Segui caminhando até a Plaza Bolívar, passando pelas colunas gregas do Capitólio e o Palácio da Justiça. Achei que encontraria a praça vazia, mas me enganei: ainda havia bastante movimento. Fiz mais algumas fotos, observei o vai e vem das pessoas e segui rumo à minha parada final: La Puerta Falsa.

O La Puerta Falsa existe desde 1816 e é um dos lugares mais tradicionais de Bogotá. Fica em uma ruazinha lateral à Catedral Primada, repleta de lojinhas e vendedores ambulantes.
No caminho, me senti um pouco vulnerável — o movimento era diferente e preferi guardar o celular.

Chegando lá, perguntei se havia ajiaco (a famosa sopa colombiana), mas já tinha acabado. A Dona sugeriu o tamale, servido na folha de bananeira — mas eu não estava com tanta fome. Então, ela sorriu e recomendou o clássico da casa: chocolate quente com queijo e pão.

Aceitei. E foi mágico!

Sentei num cantinho antigo, com paredes estreitas e cheiro de história.
O prato veio fumegante: uma xícara de chocolate quente, dois pãezinhos — um de milho e outro com manteiga — e um pedaço de queijo branco, que deve ser cortado em cubinhos e mergulhado no chocolate até derreter.
O queijo não mistura com o chocolate — só amolece, e o sabor é indescritível.

Aquele momento simples, entre o cheiro do cacau e o murmúrio das conversas, foi um dos mais emocionantes da viagem. De repente, senti vontade de chorar — de felicidade. De estar ali, viva, sozinha, corajosa e grata por estar realizando o sonho de conhecer o mundo.

Despedida e gratidão 🌙

Saí do La Puerta Falsa e voltei à Plaza Bolívar para ver a praça iluminada.
Tudo se acendeu, menos a Catedral — mas ainda assim o cenário era lindo.


Fiz minhas últimas fotos e, por volta das 18h15, caminhei até a Carrera 3, onde chamei o Uber de volta. No caminho, me perguntei como seria La Candelaria à noite — se haveria movimento, se alguém morava ali, se as ruas ficavam desertas. Bogotá sempre desperta mais perguntas do que respostas.

Cheguei ao apartamento extremamente feliz e realizada. Preparei meu chá, comi um chocolate, organizei a mala, fiz o check-in e deixei tudo pronto para o voo do dia seguinte, rumo a Medellín — e de novo, coração aberto.

Por um momento, senti saudade de casa, dos meus gatos, da minha rotina — mas também enti orgulho de estar vivendo tudo isso.

Bogotá me recebeu com frio, cultura, gentileza e um silêncio bonito.

💬 Foi a primeira cidade da viagem — e a que me ensinou a estar só, mas inteira.

💡 DICAS!

  • O Museu Botero, a Casa de la Moneda e o Museu do Banco da República são conectados — dá pra visitar os três com calma em cerca de 1h30.
  • A Iglesia del Carmen impressiona pela fachada listrada; vá de dia para boas fotos.
  • O La Puerta Falsa é parada obrigatória: prove o chocolate com queijo e pão, um clássico local desde 1816.
  • A Plaza Bolívar fica linda no fim da tarde — leve casaco e cuidado redobrado ao circular à noite.
  • Bogotá pede calma, atenção e entrega. É uma cidade que se revela aos poucos — e recompensa quem a vive devagar.

Bogotá foi a porta de entrada perfeita, com seus contrastes, sua carga histórica e aquele friozinho de montanha que exige respeito e um bom café. Mas a Colômbia ainda guardava surpresas em outras altitudes e temperaturas. No próximo post, conto todos os detalhes da minha experiência de uma semana em Medellín: descubra como a ‘Cidade da Eterna Primavera’ me conquistou com seu ritmo vibrante e sua transformação urbana impressionante.

Sobre Ju Mostardeiro

Juliana Paul Mostardeiro é fundadora do Aqui é Assim, um espaço que une sua paixão por viajar à vontade de aproximar as pessoas de experiências transformadoras e estimulá-las a colocar uma mochila nas costas para ampliar sua visão de mundo. Ela acredita que viajar é uma das formas mais potentes de conexão humana e autodescoberta. Jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Liderança Exponencial, possui uma trajetória sólida no universo corporativo. Baseada em Florianópolis, utiliza sua expertise em liderança e gestão para desenvolver pessoas. Acredita em uma liderança humanizada e em ambientes modernos de trabalho que estimulem as competências únicas de cada um.

Descubra mais

Colômbia — Um sonho adiado por cinco anos

Roteiro completo da minha experiência de 30 dias no país Conhecer a Colômbia sempre esteve …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *