Dia 24 – Cartagena: o alívio, o recomeço e a alegria de voltar a sorrir
Acordei cedo e decidida a sair mais cedo da cidade. Barranquilla tem seus encantos, mas não fluiu como eu esperava— desde o momento em que cheguei, senti vontade de ir embora. Eu não sei se foi o bairro onde fiquei, se foi o hotel, se foi o clima abafado, mas eu estava genuinamente cansada já da cidade.
Levantei, tomei meu café da manhã — e desta vez foi um café à la carte, o que achei bem estranho, porque nunca tinha visto isso antes. Enfim, escolhi o que queria em um menu que era exatamente o mesmo de todos os dias anteriores. Comi rápido, subi pro quarto, tomei banho, me arrumei, e só pensava numa coisa: ir embora.
Na hora do check-out, pedi um desconto pelos inúmeros imprevistos que tive durante a hospedagem — e, sinceramente, me deram muito pouco. Apenas 15% sobre as refeições, o que considerei irrisório diante de tudo que o hotel deixou de entregar. Mas tudo bem, o que eu queria mesmo era sair dali.
Peguei um táxi até o terminal da MarSol, paguei a corrida e, por sorte, consegui embarcar antes do horário previsto. Meu transfer era às 10h, mas às 9h eu já estava pronta pra ir — e eles me deixaram entrar no ônibus das 9h. E foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Às 11h30 da manhã, eu já estava em Cartagena. E foi só colocar os pés na cidade pra sentir a diferença. O ar, o som, as cores, o movimento — Cartagena vibra.
É viva, quente, intensa, cheia de ritmo, de sorriso, de sol.
A energia daqui me atravessou desde o primeiro momento.
Foi como se eu respirasse de novo. 🌴☀️
Um recomeço, uma leveza, uma alegria de estar viva e presente.

🌴 Primeiros passos em Cartagena: calor, encantamento e um pequeno imprevisto
Cheguei à unidade da MarSol em Cartagena e logo peguei um táxi por 20 mil pesos até o hotel. Achei que só conseguiria fazer o check-in às 15h, mas, pra minha surpresa, a recepcionista foi super ágil — meio-dia eu já estava no quarto no Hotel Boutique Las Carretas. Que alegria! Antecipei a entrada em três horas e já comecei com o pé direito. Além disso, o hotel fica a 1 minuto a pé da Torre del Reloj, simplesmente incrível.
O quarto fica no terceiro andar, bem pertinho do terraço, e é uma delícia. A primeira coisa que fiz foi fechar o passeio pra Islas del Rosario, um all-day num resort spa all inclusive que parece ser incrível. Escolhi o pacote que mais fazia sentido pra mim e deixei combinado pra eles me confirmarem os detalhes depois.
Deixei as coisas no quarto e fui viver Cartagena.
Fui pras ruas, caminhei, respirei o ar quente e vibrante da cidade. Hoje até tinha um ventinho, o que tornou o calor mais suportável — e, pra minha surpresa, minha pele está lidando super bem com o clima daqui.





Cartagena é viva, pulsante, colorida.
As ruas são cheias de música, de aromas, de vida.
E eu me emocionei. Chorei! É uma cidade que toca.
Cada esquina parece contar uma história, e cada cor parece vibrar com uma alegria própria.
Quente, colorida e um pouco bagunçada – Cartagena das Índias, ou simplesmente Cartagena, é um lugar que transborda história.
Por muito tempo Cartagena foi um dos portos mais importantes da América, era por lá que os espanhóis levavam as riquezas do nosso continente e onde ocorria um intenso tráfego de escravos vindos da África. Por esses e outros motivos a cidade foi alvo de muitas invasões e ataques de tropas francesas, inglesas e holandesas, o que levou o Rei Felipe II a construir uma muralha de 11 quilômetros de extensão ao seu redor. Por estar no Caribe Colombiano, muitos viajantes pensam queCartagena é um destino de praia. No entanto, tenha em mente que a cidade em si é um destino histórico, e as praias urbanas são bem feiosas.
Para conhecer àquele mar azulzinho, o lugar mais próximo da Cidade Amuralhada são as praias da Isla Baru e Isla del Rosario. No entanto, estes lugares na Colômbia já foram tomados pelo turismo de massa, e o passeio pode acabar sendo frustrante. A melhor pedida para curtir o caribe como ele merece é esticar a viagem até as ilhas de San Bernardo ou San Andrés.
Para conhecer as principais atrações históricas de Cartagena passe ao menos três noites por lá, e visite lugares como a Ciudad Vieja (também chamada de Cidade Amuralhada, que basicamente é o centro-histórico), Santuario San Pedro Claver, Palacio de la Inquisición, Plaza de las Bóvedas, Castillo de San Felipe de Barajas, Cerro de la Popa e Café del Mar (para o pôr do sol mais tradicional da cidade!)
Pesquisei onde almoçar e escolhi o La Mulata, um restaurante que todo mundo recomendava. E não foi à toa: comida maravilhosa, divina, perfeita, excepcional. Saí de lá leve, feliz e satisfeita, caminhando pelas ruas de volta pro hotel, planejando um descanso rápido antes de continuar explorando a cidade a partir das quatro da tarde.


Mas aí veio um imprevisto.
Cheguei no quarto e percebi que a roda da minha mala tinha estourado.
Pedi fita adesiva na recepção pra tentar remendar, mas a mala — de tecido — já estava rasgando. Entrei em pânico. Mais um gasto, mais um imprevisto no meio da viagem.
Pesquisei na internet e descobri a loja Totto Travel, uma marca colombiana super recomendada. Caminhei até lá e acabei comprando uma nova mala — 629 mil pesos depois 💸.
Mas, sinceramente, valeu.
A mala é grande, resistente, anti-impacto e pelo menos sabia que iria conseguir viajar tranquila até o final — San Andrés.
Foi difícil acomodar tudo dentro dela, porque, embora seja “large”, parecia um pouquinho menor que a minha antiga. Mas deu certo. Coube no limite, tudo encaixadinho.
Confesso que fiquei um pouco irritada com tudo isso. Toda viagem tem algo que se rompe, algo que quebra, algo que vai embora.
Mas, no fim, eu sempre penso deixa esta energia ir:
“Melhor quebrar o que é material do que o que é essencial.”
A mala se compra, o que a gente não recupera é saúde, paz e bem-estar.
E é isso que eu tô preservando aqui.
🌇 O pôr do sol que acalmou a alma
Depois de organizar a nova mala e acomodar tudo, tentei resolver o pagamento do passeio pra Islas del Rosario (410 mil pesos), mas o sistema não aceitava. Então parei de tentar. Tomei um banho, me arrumei e saí.
Eu queria ver o pôr do sol de Cartagena.
Imaginava que dava pra assistir da Torre do Relógio, mas descobri que não era bem assim. Precisei caminhar um pouco mais, até a muralha, e dali sim, o espetáculo acontece.
Neste dia o céu estava meio nublado — não ficou exatamente como eu esperava mas, ainda assim, foi lindo.
Senti o vento quente, o barulho da cidade, as vozes misturadas, e percebi:
eu estava feliz de novo.

Voltei pro hotel, consegui finalmente concluir o pagamento do passeio do meu aniversário, troquei os óculos de sol pelos de grau, retoquei a make leve — protetor com cor, um pózinho, lápis e gloss.
Um visual bem natural, bem verão, bem Cartagena.
Saí de novo.
Caminhei, caminhei, caminhei.
Vi danças, canções, sorrisos, energia, vida pulsando nas ruas.
Pessoas falando alto, rindo, vendendo, dançando, vivendo.
Cartagena tem uma vibração inexplicável, uma energia que te atravessa e te alimenta.
Literalmente, Cartagena me encheu de energia.











Pesquisei restaurantes e fui no Porthos.
Comi um Poke — evitei carboidratos, porque tinha exagerado nas limonadas de coco (já tinham sido duas neste dia 😂).
Fiquei andando até as nove da noite, sem pressa, apenas absorvendo a cidade.
Voltei pro hotel cansada, feliz, plena.
Arrumei minhas coisas pro passeio de amanhã, o passeio do meu aniversário, e fechei o dia com o coração cheio.
Neste dia eu entendi o propósito de tudo.
Eu não estava ali para “fazer turismo”, para marcar pontos no mapa.
Eu estava ali pra viver a Colômbia.
E viver envolve todos os tons — até os dias que não dão certo.

Barranquilla foi uma experiência abaixo da expectativa, mas vivida.
Eu senti tédio, senti ansiedade, senti vontade de ir embora.
Bogotá me acolheu, Medellín me inspirou, Santa Marta me acalmou, Barranquilla me ensinou e Cartagena me devolveu a alegria.
Agora, olhando em retrospecto, percebo que tudo se encaixou.
Três dias inteiros em Santa Marta, dois em Barranquilla, e agora, com a manhã que ganhei por ter saído mais cedo, três dias completos em Cartagena.
Tudo se alinhou perfeitamente, como se o destino tivesse ajustado o roteiro pra mim.
E é isso: cada cidade tem seu tempo, seu pulso, sua lição.
Bogotá e Medellín pediram movimento; Santa Marta e Cartagena pedem pausa.
E eu aprendi que viver também é desacelerar. 🌅
💡 DICAS!
- Segue tua intuição de mudança: se um lugar não flui, muda o rumo. Sair de Barranquilla mais cedo foi o que abriu espaço pra Cartagena te receber com leveza.
- Não deixa o calor te vencer: usa roupas leves, protetor com cor e leva sempre uma garrafinha de água — o clima é intenso, mas o vento ajuda.
- Tem sempre um plano B pra imprevistos: mala quebrada, carteira rasgada, pagamento travado… respira, resolve e segue. Essas coisas fazem parte da estrada.
- Experimenta o La Mulata: comida divina, atendimento acolhedor e uma energia que resume o espírito caribenho — imperdível.
- Assiste ao pôr do sol das muralhas: o espetáculo é mais bonito dali, com o mar aberto ao fundo. Mesmo com nuvens, a vista é emocionante.
🎂 Dia 25 – Islas del Rosario: aniversário, mar e gratidão
Acordei por volta das seis, tomei meu remédio da tireoide, comecei a me arrumar e esperei o café da manhã, que era servido às sete. Tomei meu café, subi pro quarto umas sete e meia e terminei de me arrumar pra ir pegar a lancha que levava até o arquipélago de Rosário, em uma das suas ilhas.
Quando eu ainda estava me arrumando, a recepção me ligou pedindo pra eu descer. Fui caminhando até o que eles chamam de Muelle — píer. Lá, entendi a dinâmica: são vários portões, várias empresas organizando os passeios. Esperei no portão 3 até ser chamada, e aí embarquei rumo à Isla del Encanto, que tem um hotel de mesmo nome.

O trajeto levou mais ou menos uma hora e vinte em alto-mar. E foi impossível conter a emoção — chorei várias vezes. Me emocionei ouvindo o som das ondas, a música que tocava no barco, o vento no rosto. Eu estava vivendo o meu aniversário numa cidade tão incrível como Cartagena, com uma energia tão viva, tão intensa. Era o tipo de dia que não dá pra explicar, só sentir.
Chegando à ilha, o nível da maré estava alto e a água, um pouco turva e agitada. Mesmo assim, consegui tomar meu banho de mar — e foi maravilhoso. Depois, peguei uma cadeira, deitei um pouco, e explorei as piscinas e as outras áreas do spa resort. Por volta de meio-dia e meia, pedi um Coco Loco — aquele drinque clássico, gelado e docinho. Acho que ganhei um pouquinho de peso (ou talvez só retenção mesmo, de tanta limonada de coco e uns golinhos de álcool a mais esses dias 😅).












Às 12h30 chamaram pro almoço — estava incluído no pacote, e ainda bem, porque foi um passeio caro (mil reais!). A comida estava bem gostosa, bem preparada. Um casal peruano sentou perto de mim e puxou conversa; depois até me convidaram pra tomar um trago. Eu fui um pouco, mas recusei bebida alcoólica depois do almoço — e, confesso, fiquei meio desconfiada também, né? Vai que… 😂 Então fiquei só um pouquinho, e depois voltei pra piscina.
Tentei dar mais um mergulho no mar, mas a água já estava muito turva e revolta. Então fiquei curtindo o sol e o som das risadas, até que, às duas e meia, chamaram pra voltar. Às três a lancha partiu, e às quatro eu já estava de volta em Cartagena.
Cheguei, tomei banho, me arrumei e, por volta de 18h30, saí pra comemorar o meu aniversário. Fui primeiro ao Alquímico, que é um bar super conhecido, achei que fosse restaurante também, mas é só bar. Pedi um petisco e um Pisco Sour, delicioso. Percebi que precisava comer algo mais substancioso antes de continuar bebendo. Então paguei a conta, agradeci e fui caminhar.





Entrei no Museu da Esmeralda, vi um colar lindíssimo — fiquei super tentada a comprar, mas ainda bem que me segurei. Não dá pra me dar presente todo dia, senão eu voltaria pobre 😂. Depois fui ao San Valentín, indicação de uma amiga, e pedi massa com salmão e, claro, mais uma limonada de coco (a segunda do dia!). O prato estava delicioso, mas pesado — comi demais, fiquei cheia e sem vontade de voltar pro Alquímico.

Caminhei um pouquinho pela praça, curtindo o clima da noite, mas o cansaço bateu forte. Às 21h50 voltei pro hotel, tomei um banho e deitei.
Foi um dia intenso, bonito e cheio de emoções. Um aniversário vivido com o coração aberto — entre o mar, o sol, a comida, a música e a sensação profunda de estar viva, inteira, em paz. No dia seguinte, queria correr pela muralha e aproveitar o amanhecer, mas em mais um aniversário conhecendo o mundo… eu só queria agradecer.
💡 DICAS!
- Reserve o passeio com antecedência: as lanchas para as Ilhas do Rosário costumam sair cedo (entre 7h e 8h30) e cada empresa tem seu portão de embarque. Chegar 30 minutos antes evita confusão.
- Prepare-se para o trajeto: o mar aberto balança bastante — vá de estômago leve, use protetor solar antes do embarque e, se possível, sente na parte da frente da lancha para apreciar o visual.
- Leve o essencial para a ilha: toalha, chapéu, óculos, biquíni, protetor e uma muda de roupa seca. Não leve nada que não queira molhar com maresia.
- Prove o Coco Loco: bebida típica das ilhas, feita com coco, rum e frutas tropicais. Um brinde perfeito pra celebrar o Caribe (com moderação 😉).
- Não gaste por impulso: o colar da esmeralda é lindo, mas o verdadeiro presente é o momento. O aniversário vivido no mar já é um luxo.
- Celebre com calma: não é sobre festa, é sobre presença. Cartagena foi teu presente — e o mar, teu bolo com velas líquidas.
🌴 Dia 26 – Cartagena: despedidas quentes e o coração leve
Acordei por volta das seis da manhã. Tomei meu remédio da tireoide e logo cedo, fui correr pela cidade amuralhada. Foram vinte e cinco minutos de corrida, leve, em Z2. Apesar do calor intenso, o vento que batia entre as muralhas e a sombra dos casarões tornaram o treino gostoso. Foi um momento meu com a cidade — um agradecimento, uma despedida em movimento.

Voltei pro hotel, tomei uma ducha, me arrumei com calma, desci para o café e saí para viver meu último dia em Cartagena — uma cidade que vibra alto e me atravessou de tantas formas. Saí para fazer compras.
Queria levar comigo algo que simbolizasse Cartagena, e decidi comprar as tão sonhadas esmeraldas. Mas fui a outra joalheria, a Joyería Caribe, uma loja tradicional e certificada. O atendimento foi incrível: atencioso, gentil, cheio de histórias sobre as pedras e o trabalho artesanal. Gostei tanto que uma das atendentes se ofereceu pra ir até uma lojinha local pra comprar imãs de geladeira pra mim mais baratos, pois eu estava achando tudo muito caro. Uma querida!
De lá, passei no Hard Rock Café, porque eu coleciono as guitarrinhas e não podia sair sem a de Cartagena. Saí com meu pin novo e o coração leve. Depois, larguei tudo no hotel e antes de sair para a segunda caminhada do dia, aproveitei pra mandar uma msg pra veterinária dos meus gatos, pra saber como eles estavam. Fiquei feliz em saber que estão todos bem. Foi como fechar um ciclo — a Juliana viajante e a Juliana de casa coexistindo em paz por um instante. 🐾
Saí então para conhecer a região de Getsemaní, um dos lugares mais vibrantes da cidade — colorido, vivo, cheio de murais, arte de rua, som, calor, vida. Almocei por lá, no El Cabildo, e comi muito bem.

A origem: o bairro dos “Gritos de Liberdade”
Historicamente, Getsemaní era o bairro onde viviam os escravizados, artesãos e a classe trabalhadora durante o período colonial. Enquanto a elite vivia dentro da Cidade Amuralhada, Getsemaní era o subúrbio vibrante e independente. Foi lá, na Plaza de la Trinidad, que em 1811 o povo se reuniu para dar o primeiro grito de independência contra a coroa espanhola.
A resistência cultural e os grafites
Durante muito tempo, o bairro foi evitado por turistas devido à criminalidade. No entanto, nos últimos 20 anos, ele passou por uma revitalização incrível movida pelos próprios moradores e artistas locais.
- Os Grafites: Não são apenas “bonitos”; eles contam a história da resistência afro-colombiana, das tradições locais (como as frutas das Palenqueras) e da luta contra a gentrificação.
- As Ruas: Lugares como a Calle de las Sombrillas (rua dos guarda-chuvas) e a Calle de la Sierpe são galerias a céu aberto que mostram esse novo momento do bairro.

A essência: onde a cidade pulsa
Diferente do centro histórico, que hoje é dominado por hotéis de luxo e lojas de grife, em Getsemaní você ainda vê os vizinhos sentados em cadeiras de plástico na calçada conversando e jogando dominó. É o lugar do “realismo mágico” de Gabriel García Márquez em cada esquina.









Voltei pro hotel por volta das três da tarde, tomei uma ducha rápida, troquei de roupa e decidi caminhar de novo — dessa vez, uma longa caminhada de despedida. Foram uma hora e meia de percurso pelo Centro Histórico, passando pelas igrejas, pelo Las Bóvedas, pela Plaza San Diego, e até o Monumento da Índia Catalina.
Fotografei, observei, respirei a energia da cidade. Cartagena é uma explosão de cores, sons e cheiros. É quente, intensa, barulhenta, viva. Um pouco “over”, talvez, mas é isso que a torna tão singular. E eu deixei que essa intensidade me atravessasse mais uma vez.




















Quando o sol começou a baixar, parei numa gelateria italiana e pedi três sabores: limão com coco, caramelo salgado e outro que nem lembro mais o nome — só lembro da delícia do momento. Fiquei ali, conversando com uma amiga do Brasil, vendo as pessoas passarem, rindo sozinha. Depois voltei pro hotel, tomei outro banho, me arrumei e saí pra jantar.
Passei novamente pelo Hard Rock Café — não resisti e voltei pra comprar uma blusinha. Queria ter esse símbolo comigo, um pedacinho de Cartagena pra vestir no Brasil. Continuei caminhando pelas praças até perto das nove da noite, já cansada, mas querendo absorver cada pedacinho da cidade antes de partir.



Perguntei na recepção onde eu poderia comer algo leve, e eles me recomendaram o Porthos, o mesmo restaurante onde eu já havia comido antes. Pedi um hambúrguer e uma Coca-Cola, perfeitos pra fechar a noite. Os pratos colombianos são bem servidos e, comendo fora todos os dias, eu sei que ganhei um pouco de peso — talvez mais retenção do que gordura, resultado de tanta comida boa, limonadas de coco e um pouco de álcool. Mas tudo bem. O corpo também viaja, também sente, também vive.
Voltei pro hotel por volta das dez, satisfeita. Tomei um banho, arrumei as malas pra viagem do dia seguinte e me deixei cair na cama com o coração leve. Estava feliz com o meu espanhol, com a minha coragem, com tudo que vivi.
Às vezes me faltam palavras para explicar estes 26 dias na Colômbia. Vinte e seis dias em que me comuniquei com o mundo e isso já é imenso. O coração… o coração estava grato. Grato por cada amanhecer, por cada conversa, por cada pôr do sol.
Cartagena, obrigada por me devolver o brilho, o riso e o vento quente no rosto. 🌅💛 San Andrés me espera, e depois, o retorno pra casa.
💡 DICAS!
- Corra cedo: Se quiser treinar em Cartagena, saia antes das 7h — o calor aumenta rápido, mas o vento da muralha deixa a corrida leve e deliciosa.
- Hidrate-se muito: A cidade é úmida e abafada. Tenha sempre uma garrafinha de água (ou uma limonada de coco 🥥) por perto.
Compre com segurança: Para joias e esmeraldas, prefira lojas com certificação de autenticidade. A Joyería Caribe é uma excelente opção. - Getsemaní é imperdível: Vá no fim da manhã ou início da tarde, quando ainda há sombra e o movimento é mais tranquilo. Leve roupa leve e chapéu.
- Cartagena a pé: Leve calçados confortáveis; o Centro Histórico é melhor explorado caminhando.
- Restaurantes recomendados:
- 🍽️ La Mulata – para um almoço local, saboroso e bem servido.
- 🍹 Porthos – para jantar leve e ambiente agradável.
💎 El Cabildo – em Getsemaní, ótimo custo-benefício e pratos frescos.
- Compre algo simbólico: Um pin do Hard Rock Café, uma joia ou uma lembrança artesanal — um gesto pequeno que guarda a energia da cidade.
🌺 Dia 27 – San Andrés: a calma depois da intensidade
Acordei por volta das 5h30, ainda em Cartagena, terminei de arrumar minhas coisas e tomei uma ducha rápida. Optei por não tomar café pois o táxi que eu havia deixado reservado na noite anterior chegou pontualmente às 6h30. Paguei 30 mil pesos e, em dez minutos, já estava no aeroporto. O trânsito, nesse horário, é super tranquilo.
Meu voo era pela Latam, porque eu decidi cancelar a passagem que tinha com a Avianca (que exigia conexão em Bogotá) pra vir direto a San Andrés. Acho que foi uma das melhores decisões da viagem — ganhei tempo e evitei o cansaço de mais um deslocamento longo.
No aeroporto, tive apenas um pequeno contratempo: precisei pagar o excesso de bagagem e a atendente me mandou para outro guichê. A moça parecia mais interessada em conversar sobre uma troca de plantão do que em me atender, mas tudo bem — depois de alguns minutos, deu certo. Antes do embarque, paguei também a taxa turística obrigatória pra entrar em San Andrés: 146 mil pesos.
O voo foi tranquilo, um pouco vazio até — acho que éramos no máximo 30 pessoas. Um pouquinho de turbulência, mas nada fora do normal. E, quando o avião começou a descer, eu já senti: aquele azul do mar de San Andrés é inacreditável. 💙

Assim que desembarquei, encontrei Airton, o taxista indicado pela minha amiga. Mandei mensagem pra ele com antecedência e ele foi um verdadeiro achado — educado, gentil e super prestativo. Me cobrou 27 mil pesos pra me trazer até o hotel e ainda me levou antes a um caixa eletrônico pra tentar sacar dinheiro. A fila tava enorme e o caixa não aceitou meu cartão, mas tudo bem. Eu tinha o suficiente pra pagá-lo.
Durante o trajeto, ele foi me explicando sobre as perfumarias locais e os passeios da ilha, já me mandando tudo por WhatsApp — super organizado. Eu até queria fazer o passeio de bike, mas como me disseram que durava entre três e quatro horas, decidi deixar pra outro momento. Fechei o passeio de mulita (aqueles carrinhos elétricos que circulam a ilha) pra explorar no dia seguinte.
Cheguei no hotel e, pra minha sorte, o quarto estava disponível antes do horário. Era pra liberar às 15h, mas às 13h já estava pronto. Fique no Hotel Gran Caribe. Enquanto esperava, encontrei um quiosque de esquina com mesinhas e gente local tomando café. Sentei ali, pedi meu desayuno, conversei bastante em espanhol com os moradores e senti aquele prazer imenso de estar vivendo como uma local. Era quase 11h da manhã — um café-almoço delicioso e tranquilo. ☕
Depois do café, subi pro quarto, organizei minhas malas e meus posts de viagem, descansei um pouco e dei uma voltinha pra reconhecer a orla — que surpresa boa! 🌊 Ela é linda, cheia de lojinhas, tendas, restaurantes, gente sorrindo. Tem aquele ar de lugar simples e feliz. A energia é completamente diferente de Cartagena: mais tranquila, leve, acolhedora. Não é o caos vibrante e intenso da cidade muralhada, é um Caribe de calma e vento.
Voltei pro hotel, troquei de roupa e, às 17h saí pra fazer o que eu mais queria: correr na orla de San Andrés. Fiz 40 minutos em Z2, uma corrida leve, gostosa, de contemplação. O pôr do sol aqui é cedo — às 18h já começa a escurecer — então foi o horário perfeito. O vento ajudava, a temperatura era ideal, e a cada passo eu sentia o corpo soltar as tensões acumuladas.

Definitivamente, foi a melhor corrida da viagem. San Andrés é mais fresco, tem vento constante, e o calor não chega a ser insuportável como em Barranquilla. Aliás, Barranquilla continua no topo da lista de lugares mais quentes que já conheci. 😂
Voltei pro quarto, tomei uma ducha e saí pra passear pela orla. Entrei em algumas lojas duty free — aqui tudo é livre de impostos, então é o paraíso das comprinhas.
O Paraíso das Compras: por que vale tanto a pena?
Além das paisagens surreais, San Andrés tem um atrativo que mexe com qualquer viajante: o status de Duty Free. Como a ilha é uma zona franca, os preços de itens importados costumam ser muito mais baixos que no continente ou no Brasil. Foi lá que fiz um dos meus melhores achados da viagem: os cobiçados perfumes árabes. Consegui comprar dois perfumes ( Um deles foi o Yara, super famoso e muito desejado. E que delícia o cheiro dele) e dois body splashes originais por um valor que valeu cada centavo. Se você gosta de fragrâncias intensas e exclusivas, prepare o bolso e o olfato, porque a variedade nas lojas do centro é enorme e a economia é real.
💡 DICA DE OURO!
Porém, tenha cuidado com as falsificações. Por ser uma zona franca, o centro da ilha é inundado de lojas, mas infelizmente o número de perfumes falsificados é enorme. Para não cair em cilada, eu recomendo de olhos fechados a La Riviera. Ela é uma das lojas mais tradicionais, recomendadas e seguras da ilha. Foi lá que garanti meus mimos com a certeza de que eram originais. Vale muito a pena pela economia, mas só se você comprar em lugares de confiança como esse!
Pra fechar o dia, sentei em uma creperia na beira da praia, pedi meu prato e uma limonada de coco (claro 😍) Fiquei ali, curtindo o som do mar e o vento até umas 10h da noite. Foi um fim de dia perfeito. San Andrés tem exatamente o que eu buscava: paz, brisa e sossego.




💡 DICAS!
- Pague a taxa turística com antecedência: ao desembarcar, você precisa pagar uma taxa de entrada na ilha (146 mil pesos). Tenha o valor em espécie e o comprovante sempre à mão, pois será solicitado no hotel.
- Combine o transporte com um taxista local confiável: os táxis oficiais funcionam bem, mas combinar com um motorista antes (como o William, no meu caso) traz tranquilidade e segurança.
- Corra ou caminhe pela orla ao final da tarde: a orla é segura, plana e tem vento constante. O pôr do sol é cedo (18h), então aproveite o horário das 17h às 18h.
- San Andrés é quente, mas o vento ajuda: diferente de Barranquilla, o vento ameniza o calor e torna os passeios muito mais agradáveis.
- Duty free imperdíveis: aproveite os preços livres de imposto, especialmente pra perfumes e cosméticos.
🌧️ Dia 28 – San Andrés: entre chuva, mar e aprendizado
Não tem jeito: um dos principais lugares para conhecer na Colômbia, ou que pelo menos desperta interesse na maioria dos viajantes, é a Ilha de San Andrés, que curiosamente fica mais próxima da costa da Nicarágua do que da Colômbia. Com àquela água clarinha e areia branca que é o sonho de muita gente, quem faz um roteiro de viagem a San Andrés ganha ainda como bônus a deliciosa culinária colombiana e a simpatia do seu povo.

Localizada a cerca de 700 km da costa colombiana, Isla San Andrés guarda uma história fascinante que vai muito além das suas praias de areia branca. Embora pertença à Colômbia, a ilha carrega uma herança inglesa e africana profunda, refletida no dialeto local, o creole, e na arquitetura de madeira colorida. Mas o verdadeiro tesouro da ilha não está em terra firme: San Andrés abriga a terceira maior barreira de corais do mundo, perdendo apenas para a Austrália e Belize. Esse ecossistema é o coração da Reserva da Biosfera Seaflower, reconhecida pela UNESCO pela sua biodiversidade única e vital para o equilíbrio do Caribe.
Mergulhar nessas águas é entender por que o destino é chamado de “Mar de Sete Cores”. A barreira de corais não só protege a ilha das ondas mais fortes, como também cria as piscinas naturais cristalinas que vemos nos cartões-postais. Historicamente, essa geografia peculiar transformou o arquipélago em um ponto estratégico para navegadores e piratas — como o famoso Henry Morgan, que diz a lenda, escondeu seus tesouros em cavernas locais. Hoje, o maior tesouro é a preservação dessa barreira, que convida o viajante a um olhar mais consciente sobre a fragilidade e a beleza desse paraíso azul.
Acordei cedo, ainda com o estômago meio revirado. Acho que o crepe de salmão da noite anterior, cheio de queijo, não caiu tão bem. Eu quase nunca como tanto queijo, e meu corpo sentiu. Fiquei com um certo desconforto,que passou perto do meio da manhã.
Tomei café cedo e me arrumei cheia de expectativa para o grande passeio do dia: Johnny Cay + El Acuario + Manglares. Mas às 9h30 o céu desabou. Uma chuva tropical intensa, daquelas que não acabam nunca, caiu — culpa do furacão Melissa, que estava passando perto daqui. Resultado: passeio cancelado.
Fiquei muito frustrada e subi pro quarto chateada, pensando: “de novo?” No Atacama eu não consegui fazer dois passeios por causa da neve; e em San Andrés foi por conta da chuva — eu sou a rainha de viajar e viver algum evento climático. Faz parte! No fim, o que importava é que eu estava bem, saudável, com o coração cheio e com histórias lindas pra contar. 🌴
Aproveitei a manhã pra atualizar o blog e postar fotos no Instagram. E, quando a chuva deu uma trégua, lá pelas 10h30, aluguei uma mulita (espécie de buggy pequeno) por 180 mil pesos o dia inteiro e saí pra fazer a volta à ilha.
A paisagem é simplesmente maravilhosa, mesmo com o céu nublado. Imagina isso tudo com sol — deve ser o paraíso. Na primeira volta, ainda peguei chuva forte, fiquei toda molhada e com frio, mas o cenário compensava: mar azul-esverdeado, coqueiros e aquele clima caribenho irresistível.

Parei pra almoçar no Punta Sur, um restaurante bem na ponta da ilha. Pedi um pollo a la plancha com batatas fritas e arroz — simples e bem gostoso, embora um pouco caro (39 mil pesos). Depois do almoço, veio mais chuva. Muita chuva. E eu só pensava: “Ok, Juliana, respira. É sobre viver o que vem.”

Cheguei de volta ao hotel por volta das 15h20, toda encharcada, e decidi que o dia não podia terminar assim. Subi, tomei banho, troquei a canga molhada por uma sequinha, comi um docinho e desci de novo.
Peguei outra vez a mulita e fiz uma segunda volta à ilha, dessa vez sem chuva. O clima estava abafado, mas agradável. Fui direto pro lado leste — o mais bonito, com mar cristalino — e parei em um ponto pra tomar um banho de mar inesquecível. Entrei naquela água verde e quente, cheia de peixinhos, e fiquei uns 20 minutos só sentindo.
Foi o presente que o dia me deu. 🌊💙





Depois voltei, tomei banho, resolvi algumas coisinhas do blog e da veterinária dos gatos, e saí pra explorar as lojinhas. Fui provar perfumes de novo com a intenção de comprar mais um antes de fechar a viagem. Mais tarde, jantei algo leve: uma shawarma com Pepsi — digestiva e simples, do jeito que eu precisava. Caminhei um pouco pela orla, aproveitei o ventinho e voltei pro hotel pra fazer skincare e preparar tudo pro passeio do dia seguinte.
Descobri que Johnny Cay seguia fechado, mas os outros passeios continuam acontecendo, mesmo com tempo instável. O último dia então seria de Acuário e outros lugares.
E enquanto eu estava ali, arrumando minhas coisas, eu chorei.
Chorei porque a viagem estava chegando ao fim.
Chorei porque terminei em paz.
Chorei porque também queria voltar pro meu país, pros meus gatos, pra minha rotina — mas, ao mesmo tempo, eu não queria ir embora.
Chorei de gratidão, porque eu consegui. Eu cheguei até aqui.
Cheguei sozinha, mas com o apoio de muita gente boa.
Muita gente que fez diferença pra que eu me redescobrisse nesse mundão, e pra que eu entendesse que eu posso realizar meus sonhos sozinha — com coragem, com planejamento e com amor por mim mesma.
E o mais bonito é que, pela primeira vez, eu percebi que eu não me sentia sozinha.
Nem pra jantar, nem pra tomar café, nem pra caminhar.
Eu estive comigo — e isso foi suficiente. 💫
O céu podia estar cinza, mas o mar de San Andrés segue azul.
E eu seguia feliz por estar ali.
💡 DICAS!
- Se chover, alugue uma mulita — dá pra explorar toda a ilha e ainda se divertir no processo.
- Leve capa de chuva e canga extra — as pancadas são tropicais e imprevisíveis.
- Punta Sur é parada obrigatória pra almoço, com boa comida e vista incrível.
- O lado leste da ilha é o mais bonito e tem os pontos ideais pra banho de mar.
- Use o tempo nublado a seu favor — o mar continua quente e cristalino, e o sol fraco protege a pele.
- Melhor época pra visitar: entre novembro e maio, com menos chuva e muito sol (mas preços mais altos).
🌴 Dia 29 – San Andrés: o último mergulho no paraíso
Acordei cedo, umas seis e meia da manhã, tomei meu café, me arrumei e fiquei pronta, cheia de expectativa para o meu último grande passeio da viagem: Johnny Cay, o aquário, os manguezais e Palito.
Mas, por conta das condições climáticas — o furacão Melissa ainda deixava resquícios de instabilidade no Caribe —, Johnny Cay estava fechada. Fiquei triste, frustrada, confusa, com aquela sensação de “poxa, justo hoje?”. Eu tinha sonhado em ver as sete cores do mar e mergulhar nas águas mais cristalinas de San Andrés. Mesmo assim, não deixei o desânimo vencer. Troquei o passeio VIP (feito de lancha) por um passeio Portom, feito de balsa — mais devagar, mais tranquilo, mas que pelo menos me permitiria aproveitar o dia.
O céu abriu, o sol apareceu e, junto com ele, o calor do Caribe me abraçou mais uma vez. Saí do hotel às 8h30, caminhei até a marina, confirmei meu nome na lista, e às 9h embarcamos. Durante o trajeto, havia um grupo de homens brasileiros no barco. Pedi ao guia, em espanhol, que não dissesse que eu era brasileira — queria passar o dia falando apenas espanhol, desconectada da minha rotina. Eles faziam barulho, gritavam, riam alto. Eu só queria silêncio, mar, vento.
E foi exatamente isso que encontrei.
O mar estava deslumbrante — vários tons de azul e verde, entrecortados por corais e reflexos de luz. Mesmo com o céu parcialmente nublado, a paisagem era de tirar o fôlego. Fiquei observando cada detalhe e, no meio do caminho, chorei.



Chorei por gratidão.
Por ter chegado até aqui.
Por ter feito essa viagem sozinha, mas cercada de tanta gente boa.
Foram seis cidades, seis histórias, seis versões de mim mesma.
Cada uma me deu algo: coragem, paciência, serenidade, introspecção, amor.
E ali, em meio ao mar caribenho, eu percebi — eu consegui. 🌊
Chegamos ao El Acuario por volta das 10h. O lugar é lindo, mas muito cheio, muito turístico, muito caótico.
A travessia pra outra parte do aquário é feita por uma ponte flutuante de plástico, que balança a cada passo. É divertida e desconfortável ao mesmo tempo. Guardei minhas coisas num locker, prendi o cabelo, passei protetor solar e fui mergulhar.

E que mergulho!
A água tem vida. Peixinhos coloridos passando entre as pernas, corais por todos os lados, o corpo leve boiando em um mar que parece infinito. Fiquei ali por quase duas horas, flutuando, sentindo a textura da água — quente, salgada, envolvente.
Usei Havaianas mesmo, enquanto quase todo mundo estava com aquelas sapatilhas de neoprene com solado de borracha. Achei desnecessário — eu só queria sentir o chão do Caribe.






Quando deu meio-dia, partimos rumo à praia de Rocky Cay onde seria a parada para almoço.
Confesso que a praia não me impressionou tanto: a água estava turva, meio escura, e o restaurante me pareceu um pouco insalubre. Pedi apenas batata frita e Coca-Cola. Nada mais. Ficamos ali até por volta das duas e meia da tarde.
Depois seguimos para Palito, e foi ali que o Caribe voltou a me surpreender.
São pequenas piscinas naturais que se formam no meio do oceano — bancos de areia de um verde translúcido, tão rasos que dá pra ficar de pé no meio do mar. Lembra Maragogi, lembra Fortaleza, mas é diferente. O azul aqui é outro azul.

Foi em Palito que um rapaz brasileiro me estendeu a mão pra ajudar a descer do barco.
A gente começou a conversar em espanhol e ele perguntou de onde eu era.
Eu sorri e disse:
“Soy del mundo.” 🌍
E deixei ele lá, meio perdido, sem entender nada.
Não quis dizer que era brasileira. Não queria conversa, nem tradução.
Consegui enganar um brasileiro em espanhol. 😄



Depois de Palito, seguimos pelos Manguezais, uma área de proteção ambiental. O guia explicou que, antigamente, era possível entrar, mas hoje o acesso é restrito. Por volta das 16h, voltamos ao porto.
Cheguei no hotel cansada, mas leve. Tomei uma ducha, vesti uma roupa fresca e fui atrás da missão que tinha começado no dia anterior: comprar mais um perfume, o que simbolizaria a Colômbia.
E encontrei: Tiramisu Coco. 🌺
Um perfume árabe, doce, cremoso, cheio de calor — exatamente como foram esses 30 dias.
Coco é o cheiro dessa viagem. O Coco Loco dos drinks, o arroz de coco, a limonada de coco que virou minha paixão. Coco é o sabor do Caribe, o aroma do que eu vivi. Coco seria o meu cheiro, cheiro da Colômbia. Depois das compras, finalizei minha coleção de ímãs de geladeira — uma de cada cidade, cada uma com uma memória única.
À noite, fui jantar no famoso La Regatta, um dos restaurantes mais tradicionais da ilha.
O ambiente é lindo, romântico, todo cercado pelo mar, com uma vista espetacular e música suave de fundo. Pedi um Coco Loco, uma entrada fria de atum — que estava fabulosa, delicada, fresca, perfeitamente temperada —, um arroz com camarão como prato principal e uma limonada de coco pra fechar a noite.







A conta: 202 mil pesos colombianos.
Caro, sim. Mas também… foi o jantar do meu encerramento.
E, mesmo achando o prato principal apenas ok, a experiência de estar ali — cercada pelo mar, brindando o fim da minha jornada — valeu cada centavo. ✨
Voltei para o hotel com o coração tranquilo, entre nostalgia e gratidão.
Eu queria voltar pra casa, pros meus gatos, pra minha rotina — mas, ao mesmo tempo, eu não queria ir embora.
Bogotá me acolheu, Medellín me inspirou, Santa Marta me acalmou, Barranquilla me ensinou paciência, Cartagena me reacendeu e San Andrés me fez agradecer.
Mesmo com chuva, com imprevistos, com malas rasgadas e gastos extras, tudo valeu a pena.
Eu volto mais forte, mais leve e, acima de tudo, em paz.
Eu venci meus medos.
Descobri que não preciso de ninguém pra realizar meus sonhos — e que, mesmo sozinha, nunca estive só. 🌎💫

💡 DICAS!
- Protetor solar sempre! Mesmo nublado, o sol do Caribe é forte.
- Use sapatilhas aquáticas se quiser conforto nos corais (Havaianas funcionam, mas escorregam).
- Evite comer em restaurantes improvisados de praia, a higiene pode ser precária.
- Leve pouco dinheiro vivo, mas o suficiente pra consumo nos pontos turísticos.
- Perfumes árabes e cosméticos têm ótimo custo-benefício nos duty free.
- La Regatta: reserve com antecedência, vá pelo ambiente, e se quiser se mimar, peça a entrada de atum — é simplesmente perfeita.
✈️ Dia 30 — O retorno: entre o cansaço, a gratidão e a volta pra casa
Depois de um jantar farto no La Regatta, cheguei ao hotel por volta das nove da noite, exausta e satisfeita. Tinha comido demais — o Coco Loco, a entrada fria de atum, o arroz com camarão — e, por isso, o sono veio rápido. Me arrumei, organizei as malas e, pouco depois, já estava deitada. Dormi profundamente.
Acordei às cinco e meia da manhã com a sensação de dever cumprido. Tomei um banho — meio banho, na verdade, porque a água estava terminando justo quando liguei o chuveiro. Perguntei na recepção, preocupada, e eles disseram que o abastecimento voltaria em instantes. Por sorte, voltou mesmo. Deu tempo de me arrumar direitinho e deixar tudo pronto.
Às seis e meia, eu já estava com tudo fechado e organizado: malas prontas, roupa separada, documentos em ordem. Pedi ajuda pra descer as malas e confirmei com a recepção se o táxi estaria realmente no horário — eu já tinha deixado reservado desde a noite anterior pra não correr riscos.
O taxista chegou dez para as sete, pontual. Às sete e cinco, eu já estava no aeroporto.
Não consegui tomar café da manhã — pedi apenas dois pãezinhos, pra não sair com o estômago totalmente vazio.
Por ser uma ilha turística, San Andrés tem um processo de embarque diferente: além do check-in, é preciso apresentar o comprovante da taxa turística, que eles conferem antes de liberar a saída. Tudo certinho, pago e em ordem.
Às sete e vinte, eu já tinha terminado todo o processo — era literalmente a única pessoa no balcão. Fiz o check-in, passei pelo raio-X e fiquei pronta para embarcar. Meu voo só sairia às 9h20, então fiquei ali, esperando o tempo passar, olhando o celular e pensando: “Por que será que eu vim tão cedo?” 😅
Mas bastou olhar em volta pra entender — o aeroporto estava completamente lotado. Provavelmente muita gente tinha voos mais cedo, e eu acabei chegando no intervalo certo. O embarque foi tranquilo, meu grupo B subiu junto com os prioritários, consegui levar o perfume novo na mala de mão, e o voo estava quase vazio. Um silêncio bom, um clima calmo.
E eu olhava pela janela aquele mar que já estava ficando distante, e pensava: “Pronto. Agora é hora de voltar.”
O avião decolou pontualmente.
San Andrés ficou pequena lá embaixo — azul, verde, dourada — e eu fiquei grande aqui em cima, inteira.
Chegamos em Bogotá no horário previsto.
E foi aí que começaram os estresses do retorno. Subi para o segundo piso, onde ficam os balcões de embarque internacional. E foi ali que começou minha sequência de mini estresses colombianos.
Fui direto ao guichê da Avianca, tentando explicar que eu tinha comprado a Tarifa Plus pela Gol, que eu era Grupo B (categoria Prata) e que haviam alterado meu voo de domingo pra sábado sem me consultar — mudando também a tarifa e o grupo de embarque pra Econômica, Grupo E. Expliquei tudo. Mostrei e-mail, aplicativo, número do voo.
A moça olhou pra mim com cara de “não posso fazer nada” e disse:
“Señora, tiene que reclamar directamente con Gol.” Respirei fundo. “Mas é Gol ou Avianca? Porque ninguém quer ser dono do problema.”
Ela ainda completou dizendo que não sabia se eu poderia embarcar com os perfumes do Duty Free na bagagem de mão.
Sério. Uma companhia aérea que não sabe as próprias regras de embarque internacional.
Por precaução, ela me mandou ir até a imigração perguntar.
Lá fui eu. Tentei explicar em espanhol que não era sobre despacho de bagagem, e sim sobre levar perfumes como item de Duty Free.
Meu espanhol até travou um pouco — porque quando fico nervosa, ele fica embolado.
Mas deu certo. Eles entenderam, olharam as embalagens e confirmaram: “Sí, puede pasar. Solo frascos hasta 100 ml.”
Voltei pro balcão da Avianca com a resposta pronta e um fio de paciência restante.
Expliquei novamente sobre o Grupo B, e ela achou que eu queria trocar de assento. Tentei resumir: eu não queria perder o direito de embarcar com prioridade, nem correr o risco de ter que despachar minha bolsa com os perfumes dentro. Ela, sem emoção: “Tranquila, no habrá problema.” Tranquila eu não estava. Mas fingi que sim.
Aí veio a primeira vitória do dia: minha mala estava com 26,5 kg, e o limite era 23kg.
Ela olhou, suspirou e… não me cobrou.
Talvez tenha notado meu olhar de quem já viveu um mês inteiro de check-ins e despachos.
Depois, passei pela imigração — perfumes ok, documentos ok, carimbo no passaporte, check.
Entrei na área internacional já exausta, mas aliviada. Resolvi ir até a sala VIP — e me arrependi.
A comida era fraquinha, nada apetitoso. Peguei um café, um pãozinho, umas bolachinhas.
No embarque, veio o momento da redenção.
Expliquei calmamente pra atendente de portão toda a história: que eu era Grupo B, categoria Prata, e que havia viajado assim toda a Colômbia. Ela me olhou, digitou algo no sistema e, com um sorriso discreto, disse: “Puede pasar, señora. Grupo B.” E eu pensei: “Aleluia. No fim, deu tudo certo — mesmo dando tudo errado.” 😅
Entrei no avião, sentei, respirei fundo.
Bogotá ficou lá embaixo, fria e nublada.
E eu sabia: a viagem estava chegando ao fim.
O voo saiu com cerca de 20 minutos de atraso, rumo ao Galeão.
Eu já estava exausta, com fome e com o estômago em guerra. Depois de uns 30 minutos de voo, não aguentei mais.
Chamei a comissária e falei, quase implorando: “Eu preciso comer.”
Eles vendem lanches pagos, e eu pedi tudo: batata frita, sanduíche de frango e uma Coca-Cola.
Eu já tinha tomado um Dramin, mas o estômago roncava tanto que o remédio mal fez efeito.
Só que o cartão não passava. Três tentativas, três erros de leitura.
No fim, ela me olhou e disse: “Tranquila, señora.” Ganhei um lanche de graça da Avianca. 🍔
Comi, me acalmei e consegui cochilar um pouco.
O voo teve turbulência — e, pela primeira vez, eu não senti medo. O avião tremia, balançava, e eu só pensava: “Tá tudo bem. Eu tô voltando pra casa.”
Chegamos no Rio de Janeiro por volta da 1h30 da manhã (horário do Brasil) — ou quase 11h da Colômbia.
A imigração foi tranquila, sem filas, o atendente brasileiro super gentil. Mas o descanso durou pouco. A Avianca me obrigou a retirar a bagagem no Rio, mesmo depois de garantir que iria direto até Floripa. Tive que refazer todo o processo, despachar novamente e esperar o balcão da Gol abrir. E como ninguém sobrevive sem café, fui comer. Um croque monsieur, um cappuccino, um brownie e dois chocolates — total: R$ 125,00. ☕🍫 Paguei com vale-alimentação e segui o baile.
Aí sim, o balcão da Gol abriu. Expliquei tudo pra atendente — o voo alterado, o grupo errado, a confusão com a Avianca.
E ela foi um anjo: me colocou novamente como Grupo B, trocou meu assento, não cobrou despacho e ainda me tratou como se eu fosse VIP. Me reconheceu como categoria Prata e resolveu tudo em dez minutos.
Passei pela segurança, meus perfumes passaram, tudo passou. Sentei no saguão, e finalmente, por volta das 4h da manhã, consegui tirar um cochilo. Às 5h, embarquei rumo a Florianópolis. O voo foi calmo, com leves tremores — e mais uma dor de barriga (já virou tradição).
Mas deu tudo certo.
Às 10h da manhã, eu estava em casa.
No meu lar. Com minhas malas inteiras, meus perfumes, meus souvenirs e meu coração em paz.
Abri a porta, respirei fundo e pensei:
“Eu consegui.” 🌎
Foram 30 dias, seis cidades, mil histórias.
Tive imprevistos, sim.
Mas vivi o que sonhei viver — e mais um pouco.
Conheci a Colômbia com os cinco sentidos: vi suas cores, ouvi seus sons, provei seus sabores, senti suas texturas, respirei suas essências. Encontrei o amor por mim mesma — por ter tido coragem, por ter ido, por ter ficado, por ter vivido tudo.
Eu não me senti sozinha em nenhum momento.
Nem pra jantar, nem pra caminhar, nem pra ver o pôr do sol.
Eu me senti livre.
E, sinceramente, eu voltaria.
Voltaria pra Colômbia. Voltaria pra mim. 💛
💡 DICAS!
- Faça o check-in online e chegue cedo ao aeroporto de San Andrés; os trâmites são longos.
- Mantenha o comprovante da taxa turística, ele é exigido na saída da ilha.
- Leve snacks na mala de mão — a comida da sala VIP de Bogotá é fraca e cara.
- Se comprar perfumes, leve-os na sacola lacrada do Duty Free com a nota fiscal visível.
- E, acima de tudo: viajar sozinha é um ato de coragem.
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