Medellín – Semana 2 da viagem

Dia 9 – Chegada a Medellín: novas paisagens, novos ares 🌦️🏞️

Acordei às 7h da manhã depois de uma boa noite de sono, porém leve. Fiz meu último café da manhã em Bogotá: ovos com queijo e o restinho do café passado, que ficou um pouco forte, o que me deixou com taquicardia por alguns minutos, mas logo passou.

Depois da ducha, revisei as malas, troquei algumas roupas de lugar e ajustei o peso para evitar excesso. A expectativa era que, depois de uma semana, que os suplementos e produtos que eu trouxe tivessem diminuído o peso total — mas não foi bem assim.

Saí do Taj 97 por volta das 9h30, peguei um Uber até o aeroporto (74 mil pesos) — praticamente o mesmo valor da chegada. O trajeto foi tranquilo, e eu aproveitei pra contemplar a cidade pela janela, com o coração dividido: feliz por seguir rumo a Medellín, mas já com saudade de Bogotá. Mesmo com o frio, a altitude e as crises de rinite, Bogotá me acolheu de um jeito bonito.

No saguão da Avianca, enquanto esperava na fila, vi um casal despachando quatro cachorros — grandes, em caixas de transporte enormes. Eles pareciam tranquilos, mas eu, que amo animais, não consegui evitar o aperto no peito. Lembrei do Kokito, o filhote de bulldog francês que morreu sufocado num voo da United, e de outro cachorro que faleceu num voo da Air France, mesmo seguindo todos os protocolos.
Ver os quatro embarcando me emocionou — pensei em como é entregar quem se ama nas mãos de estranhos e confiar.

Logo percebi um pequeno estresse na área de despacho — nada com os bichinhos, mas provavelmente com a papelada —, até que tudo se resolveu. As caixas eram grandes, bem equipadas, com água e ração presas na portinha. Pareciam prontos para uma longa viagem, talvez até os Estados Unidos.

Quando chegou minha vez, expliquei que tinha comprado a passagem pela Gol, que era categoria Prata, e perguntei se tinha direito à mala despachada de 23 kg. A atendente confirmou que sim, mas a balança trouxe a surpresa: 26,5 kg, dois a mais do que no voo vindo do Brasil. Paguei 120 mil pesos de excesso, o equivalente a uns R$160, e dei graças a Deus por não precisar pagar a mala inteira. A culpa? Provavelmente os pacotes de café Amor Perfecto, de 350 g cada, e o fato de eu não ter consumido tanto do que trouxe quanto esperava.

Com o check-in feito, passei pelo raio-x (onde uma funcionária claramente de mau humor implicou porque eu quis terminar minha garrafa d’água). Respirei fundo e deixei pra lá. Fiquei mais de uma hora esperando no saguão — o portão ainda não estava definido. Ao meio-dia, anunciaram: embarque pelo portão D13.

Descobertas no embarque ✈️

Antes de embarcar, dei uma passada no banheiro e, de volta ao portão, notei que meu cartão de embarque mostrava o grupo B. Fiquei empolgada: grupo B é embarque prioritário! Abri o app da Smiles e confirmei — realmente, sou categoria Prata. Eu já sabia da mudança, mas não imaginava o quanto isso me traria benefícios: bagagem gratuita, embarque antecipado e assentos melhores. E, o melhor: estou a poucos pontos de virar Ouro.

💡 DICA! Programas de milhas de companhias áreas são bem vantajosos. Vale pesquisar e assinar da sua cia área preferida.

Uma amiga havia me dito que, nos voos internos da Colômbia, só é permitido um item de mão — ou bolsa, ou mochila. Então, coloquei minha bolsa dentro da mochila ficar com um volume só em mãos, mas descobri algo ainda melhor: meu assento era na saída de emergência, e lá não pode deixar nada embaixo do banco. Ou seja: minha mochila teria que ir no compartimento superior, o que garante espaço e conforto extra. Nova lição de viagem: sempre escolher a saída de emergência.

O voo foi curtíssimo — 30 minutos — e tranquilo, por este motivo não tomei Dramin e me arrependi: bastou um leve balanço pra eu ficar enjoada.
Mas passou rápido, e logo já estávamos aterrissando em Medellín.

Medellín

Primeiros passos em Medellín 🌧️🏙️

Descemos pelas escadas, porque o avião não conectou diretamente ao terminal.
Peguei minha mala rapidamente — o SmartTag confirmou que ela estava em Medellín, o que sempre traz aquele alívio. 

Antes mesmo de sair da área de bagagem, abri o aplicativo do Uber: o Uber Comfort custava 159 mil pesos, o que me fez gelar. Eu não sabia que o aeroporto era tão distante da cidade em si. O hotel havia oferecido transporte por 150 mil pesos (só ida), então as opções eram igualmente caras.

Pesquisei mais e encontrei o Uber Yá, equivalente ao nosso Uber X, por um preço bem melhor. O motorista pediu pra eu ir até a porta 5, perguntou a cor da minha roupa — achei estranho, mas respondi. No fim, era um motorista de Uber Black que tinha alternado para Uber Yá para conseguir uma corrida. Ou seja: viajei em um carro de luxo, com segurança e conforto, pagando o preço do Uber comum. Pura sorte.

O caminho até Medellín foi uma experiência em si: um túnel de 9 quilômetros escavado sob a montanha conecta o aeroporto à cidade. Quando saímos do túnel, a vista me emocionou — Medellín é um vale e dá pra ver a cidade inteira aninhada entre montanhas verdes. Começou a chover, e eu vim olhando o vale, a chuva e contemplando a beleza do lugar devagar.

Cheguei ao Soul Lifestyle Hotel por volta das 15h20, fiz o check-in sem problemas, paguei com cartão de crédito internacional e subi pro apartamento 303. E que lugar lindo. Amplo, iluminado, com máquina de lavar, cozinha completa, bancada para trabalho, varanda e uma cama deliciosa. Bem diferente do flat menor que eu tinha em Bogotá.

Varanda do apartamento

Enquanto arrumava minhas coisas, a chuva engrossou — mas aqui isso é normal.
Medellín é chamada de “Cidade da Eterna Primavera”, mas a primavera vem com pancadas de chuva quase diárias. Mesmo assim, o clima é gostoso: ameno, úmido, leve. Minha rinite desapareceu na hora.

Falei com meu pai por vídeo, mostrei os presentinhos e o café colombiano.
Depois fui ao mercado — um Carulla dentro do Mall Dos —, e levei quase duas horas entre idas e vindas pelos corredores. Gastei 297 mil pesos, mas trouxe variedade: ovos, pães, queijos, carnes, frutas e mais café. Voltei de Uber porque chovia forte, e descobri que o hotel empresta guarda-chuvas pros hóspedes, já que a chuva aqui é parte da rotina.

Subi ao terraço para conhecer o espaço: piscina, academia, sauna e salão de jogos.
Voltei, tomei banho, preparei um jantar simples — sanduíche e carne —, gravei alguns conteúdos pro blog e sentei pra tomar meu chá.

Reflexões sob a chuva ☕🌧️

Enquanto a chuva caía lá fora, eu olhava pela janela e lembrava que, antes de chegar aqui, eu tinha ficado realmente preocupada com a previsão do tempo. Era chuva todos os dias, sem exceção.
E eu me perguntava: será que é normal chover tanto assim? Será que vou conseguir aproveitar Medellín?

Mas depois que o rapaz da recepção me explicou que a cidade é assim mesmo, que aqui chove quase todos os dias e que por isso eles têm guarda-chuvas para todos os hóspedes, eu sorri. Pensei comigo: “Então eu vou viver Medellín do jeito que Medellín quiser que eu viva ela.” Se for uma semana inteira de chuva, que seja uma semana inteira de chuva — do mesmo jeito que já vivi neve no deserto do Atacama.

No fundo, o que eu sinto é gratidão. Porque deu tudo certo até aqui. São dez dias de viagem, e o único “problema” tem sido gastar um pouco mais com Uber — mas é o preço da segurança numa cidade nova, e tudo bem.

Olho pra trás e penso: cheguei até aqui. E me dá um orgulho imenso das escolhas que fiz, dos apartamentos que reservei, da vida que tô construindo em movimento. E com esta reflexão, fechei meu dia. Em uma cama macia e com a chuva caindo lá fora — eu adormeci com o coração cheio, pronta pra viver Medellín.

🌧️ Fim do Dia 9 – Medellín
Nem toda chegada precisa de sol pra ser luminosa. Às vezes, é a chuva que faz tudo florescer. 🌿

💡 DICAS!

  • Transporte: o Uber Ya é uma boa alternativa ao Uber Comfort, mas mantenha atenção à segurança.
  • Hospedagem: ficar em El Poblado é estratégico — bairro seguro e perto de tudo
  • Compras: o mercado de Medellín é mais barato que o de Bogotá; vale estocar comida pra semana.
  • Clima: a chuva é constante, então peça um guarda-chuva na recepção e viva o ritmo da cidade.

Dia 10 — Corrida na Ciclovia e o Encanto da Comuna 13

Acordei por volta das 6h30 da manhã para tomar meu remédio da tireoide. Coloquei outro despertador para às 7h, levantei e quando abri a janela, vi que o céu estava nublado e garoava levemente, sem sinal de chuva forte — um ótimo sinal para fazer a corrida matinal.

Comi um gel de carboidrato, tomei um pouco de água e comecei a me arrumar. Coloquei o short, o top, a blusinha leve e o corta-vento amarrado na cintura. Preparei minha garrafinha com eletrólitos de coco, ajeitei o cabelo, o boné e o fone de ouvido, e saí para correr. Desci pela Calle 5 até a ciclovia, seguindo a dica da recepção. Em dez minutos já estava lá.

Foram 41 minutos de corrida, alternando ritmo leve e moderado (Z2/Z4), com subidas e descidas que exigiam das pernas e do fôlego. Medellín respira vida — gente caminhando, correndo, pedalando, cachorros por todos os lados, barracas de frutas e cafés. É uma cidade viva, acolhedora e musical. Corri ouvindo minhas músicas, observando a paisagem e, por várias vezes, senti vontade de chorar de felicidade. O sonho de conhecer o mundo estava acontecendo, e eu estava ali, vivendo-o.

Corrida em Medellín

Voltei para o apartamento, exausta e feliz. Preparei meu café da manhã: ovos mexidos, pão com jamón y queso e o café colombiano Amor Perfecto, que comprei no mercado no dia anterior. O cheiro do café invadiu o apartamento e me deu a sensação de lar — ainda que temporário. Tomei uma ducha e me arrumei para sair.

Pouco depois, o Jorge, colega de trabalho, chegou para me levar até as Escaleras de la Comuna 13. No caminho, fomos conversando em espanhol — e ele me elogiou, dizendo que meu espanhol estava ótimo para quem estudou dois anos e agora só pratica viajando. Durante o trajeto, que levou cerca de 30 minutos, ele me contou sobre Medellín: como o rio corta a cidade, que o metrô é um dos mais seguros do mundo, a arborização é impressionante e, o mais curioso, não há necessidade de ar-condicionado — o clima é sempre agradável.

Quando cheguei à Comuna 13, entendi o que ele quis dizer quando falava da energia da cidade. O início é uma verdadeira feira de sons, cores e gente. Lojinhas de souvenirs, bares, vendedores de frutas e grafites por todos os lados. Subi as escadas rolantes cobertas — símbolo da transformação do bairro. Há 20 anos, aquela área era uma das mais violentas de Medellín, controlada pelo tráfico, onde entrar sem autorização era sentença de morte. Hoje, é um dos lugares mais vibrantes e turísticos da Colômbia, cheio de arte, dança, música e vida.

Vista do alto da Comuna 13

Fui subindo, subindo, até chegar ao topo. A vista é deslumbrante: Medellín se revela de dentro do vale, com suas casas amontoadas, ruas estreitas e um mar de construções que se espalham morro acima. Parei em um mirante, pedi empanadas com Coca-Cola, simples e deliciosas, e fiquei um bom tempo contemplando o horizonte. Fiz fotos e vídeos incríveis — inclusive um pequeno mal-entendido de preço com a fotógrafa (foram 15 mil pesos, e talvez paguei 5 mil a mais do que deveria, mas quem liga? valeu cada imagem).

Na descida, o movimento aumentou. A música, os gritos e o calor humano tomaram conta de tudo. Era contagiante e caótico ao mesmo tempo — Medellín pulsando. Já cansada, comprei meus imãs de geladeira de Medellín (a coleção segue crescendo!) e peguei o metrobus por 2 mil pesos, seguindo o conselho do Jorge.

Na estação San Javier, comprei o cartão do metrô e carreguei com quatro viagens — que servem tanto para o metrô comum quanto para o Metro Cable. Subi no teleférico e, conforme a cabine avançava, vi a cidade por outro ângulo: casas amontoadas, fumaça saindo das chaminés, o som das ruas lá embaixo, pessoas circulando, vidas acontecendo. Foi uma das experiências mais emocionantes da viagem.

Metro Cable

Voltei pela linha B, troquei para a linha A, e desci na estação Aguacatala. Lá, um policial me orientou e me acompanhou até o ponto onde pedi o Uber. Foram apenas dois quilômetros até o hotel, mas depois de correr, subir escadas e explorar tanto, o corpo pedia descanso.

Cheguei no Soul Lifestyle Hotel, tomei uma ducha quente e cozinhei um jantar leve. Fiz meu chá, comi um docinho e fiquei revisando o itinerário da semana, ajustando alguns passeios conforme as dicas de segurança do Jorge.

Antes de dormir, olhei o céu pela janela. O céu estava limpo, sem nuvens. E foi aí que entendi: não posso e não devo lutar contra o clima. Assim como vivi neve no Atacama, vou viver dias de chuva e dias de céu aberto em Medellín. A cidade me recebe do jeito dela — e eu só preciso estar aberta para sentir. 💛

💡 DICAS!

  • Clima: Medellín muda rápido — leve sempre uma corta-vento impermeável.
  • Comuna 13: vá de manhã, quando está mais vazio e a luz é perfeita para fotos.
  • Transporte: suba e desça pelo Metro Cable — a vista das comunidades é imperdível.
  • Calçado: prefira calçado de couro ou impermeável do que tênis — seca rápido e evita desconforto com chuva.

Dia 11 — Adaptação e Resiliência em Medellín

Acordei depois de uma noite de sono realmente boa — dormi por volta das 22h e levantei às 6h30, descansada. Como não tinha reunião às 9h no horário do Brasil, me permiti dormir meia hora a mais. Acordei, fiz meu café, preparei meus ovos e sentei na frente do computador. Ainda sinto que estou me adaptando à rotina de conciliar trabalho, treinos e o desejo de explorar Medellín — uma cidade vibrante, viva e completamente diferente de Bogotá.

Às 10h da manhã (7h em Medellín), tive reunião com a minha área onde compartilhamos as principais evoluções e resultados do trimestre. Depois, continuei o dia entre reuniões, alinhamentos e mensagens pendentes. Por volta do meio-dia, senti cólica e resolvi não ir para a academia como planejei. Tomei uma ducha, fiz meu almoço com calma e entrei em uma reunião sobre performance e mudanças da empresa. Foi um dia cheio e mentalmente intenso.

Às 16h20, decidi sair. O plano inicial era conhecer o Paseo Junín e a Catedral Metropolitana, mas o pessoal da recepção me alertou: era feriado (ou “festivo”, como eles dizem por aqui), e a região do centro estaria com pouco policiamento. Eles sugeriram que eu optasse por uma área mais segura, como El Poblado, e eu decidi seguir o conselho. Caminhei um pouco, o sol apareceu forte — o suficiente para me fazer suar — e voltei para chamar um Uber. Achei curioso que o motorista pediu para eu sentar na frente; aceitei, um pouco desconfiada, mas tudo correu bem. Poucos minutos depois, cheguei ao Parque El Poblado, o mesmo que eu havia passado correndo no domingo.

O parque é pequeno, simples, e no entorno havia uma feirinha de artesanato. Entre as tendas, uma chamou minha atenção: bolsas de couro lindas, com design artesanal. Comecei a conversar com o vendedor — um senhor simpático, dono de um sorriso calmo e fala mansa. Ele me explicou sobre o couro, sobre os tipos de costura, e a conversa foi fluindo. Falamos sobre o Brasil, sobre a segurança em Medellín, sobre viagens, sobre sonhos. Ele comentou que sempre quis conhecer a América Central, mas que tinha medo de viajar pela América Latina. Foi uma troca boa, humana, dessas que a gente sente que valem o dia. Acabei comprando uma bolsa, resistindo bravamente à tentação de levar uma segunda (embora eu ainda pensasse em voltar antes de me despedir de Medellín).

Feira do parque

Olhei outras bancas e saí dali por volta das 17h40. Decidi voltar caminhando para o apartamento. Reconheci o trajeto da corrida de domingo e nem precisei do mapa. No caminho, vi três ou quatro pessoas dormindo na rua — fiquei um pouco apreensiva, mas segui firme. Trinta minutos depois, estava em “casa”. Cheguei cansada, com cólica, mas com a sensação de que precisava me mover. Tomei um whey protein com leite, comi um pão e decidi ir treinar. E foi a melhor coisa que eu fiz. O treino aliviou a cólica, melhorou o humor e me devolveu a energia. Adaptei alguns exercícios, mas consegui manter a rotina — como se eu estivesse em Floripa. Voltei, tomei uma ducha quente, acendi um incenso de lavanda e comecei a organizar o jantar. Descobri um modo de lavar e secar as roupas sem travar a máquina (finalmente!), pois em Bogotá apanhei para entender o funcionamento da mesma.

Este foi um dia de adaptação e resiliência. Um dia que me ensinou que não dá pra controlar tudo — e tá tudo bem. Eu tinha planejado treinar às 10h, mas treinei às 19h. Tinha planejado ir ao centro, mas fui a El Poblado. Tinha planejado correr, mas não corri. Mesmo assim, fiz o que era importante. Trabalhei, vivi um pouco da cidade e fechei o dia tranquila, sem culpa, feliz por ter conseguido equilibrar o que eu precisava com o que eu podia.

Antes de jantar, olhei pela janela. O céu de Medellín estava limpo, sem nuvens. E foi ali que eu entendi: não posso lutar contra o clima — nem contra o ritmo da vida. Assim como vivi neve no Atacama, vou viver dias de chuva e dias de sol aqui. A cidade me recebe do jeito dela, e eu só preciso estar aberta para sentir.

💡 DICAS!

  • Em Medellín, os feriados (“festivos”) impactam fortemente o funcionamento da cidade: comércio fechado, pouco policiamento e ruas mais vazias — planeje seus passeios fora desses dias.
  • A região de El Poblado é uma das mais seguras e agradáveis para explorar a pé, com cafés, feirinhas e artesanato local.
  • Mais do que planejar, permitir-se adaptar é o que garante uma experiência leve e verdadeira numa viagem longa.

Dia 12 — Um caos chamado adaptação

Acordei às 6h, fiz meu café e tomei uma ducha antes de começar o dia. A manhã foi produtiva: consegui endereçar vários pontos da operação e saí da primeira bateria de reuniões com a sensação boa de ter avançado. Às 10h (meio-dia no Brasil), me arrumei para fazer meu treino de natação. Cheguei toda animada na piscina — e encontrei o portão trancado. Piscina fechada até as duas da tarde. Foi minha primeira frustração do dia. Como estou na TPM, tudo parece ganhar intensidade — e essa era só a primeira provação da jornada. Respirei fundo. “Desafio. Adaptação total”, pensei. Voltei para o apartamento, fiz um bom almoço e segui trabalhando até umas 15h45, quando decidi que precisava sair e mudar o clima do dia.

Meu plano inicial era correr no Jardim Botânico e visitar o Parque del Deseo, mas descobri que às terças estão fechados. Então mudei o rumo e escolhi o Parque del Río, que parecia uma boa alternativa para correr, caminhar e recarregar as energias. Desci para pedir o Uber — e o aplicativo simplesmente deslogou, alegando “atividade suspeita”. Tentei senha, telefone, mensagem… nada. Subi de volta pro apartamento e xinguei em todas as línguas que conheço. TPM somada à tecnologia falhando é uma mistura explosiva. Depois de muito insistir, o app voltou a funcionar. Respirei fundo e pedi o Uber mais barato, o “Ya”, tentando não gastar tanto. Só que o motorista resolveu competir com outro carro, os dois começaram a se apertar na pista e — inacreditavelmente — o outro motorista arrancou o retrovisor do Uber. O meu motorista surtou, entrou na contramão, acelerou e foi brigar com o homem no meio da rua. Foi a primeira vez na vida que vivi uma cena dessas. Desci do carro tremendo, cancelei a corrida e pensei seriamente em desistir do passeio.

Mandei mensagem pro Jorge (meu anjo colombiano nessa viagem) e ele respondeu: “Vai, Ju. Tu se preparou pra passear. Não deixa o medo estragar teu dia.” E foi exatamente isso que eu fiz. Pedi um Uber Comfort dessa vez, pra me sentir segura, e segui pro parque.

Parque del Rio

Quando cheguei, ainda passei por uma sequência de pequenos perrengues: precisei ir ao banheiro, derrubei minhas coisas no chão, quase desisti outra vez — mas respirei e deixei a energia fluir. E o Parque del Río fez tudo valer a pena. Ele circunda o rio, tem áreas verdes lindas, mirantes, cafés, restaurantes, banheiros públicos limpos e uma energia boa que faz a gente esquecer qualquer contratempo. Vi famílias passeando, pessoas correndo, praticando yoga, andando de skate. E ali, finalmente, meu treino encaixou. Corri leve, feliz e aliviada. Era o fim de um dia que começou torto, mas terminou me lembrando que tudo passa — até a TPM.

Voltei pra casa às 19h30, o que é raro, já que costumo voltar antes do pôr do sol. Tomei uma boa ducha, botei a roupa pra lavar, cozinhei a comida que faltavam pra semana e trabalhei um pouco mais. Resolvi o que dava pra resolver e, perto das 23h deitei e dormi. Dormi em paz, com a sensação de que o dia, mesmo conturbado, me ensinou sobre o poder da flexibilidade e da leveza.

💡DICAS!

  • Evite marcar passeios fixos em Medellín às terças: vários parques e museus fecham.
  • O Parque del Río é ótimo para correr e observar o pôr do sol, mas vale ir antes das 17h30
  • Prefira Uber Comfort à noite — é mais caro, mas oferece mais segurança.
  • E, se o dia começar caótico, respira: às vezes, é só o universo te empurrando para um cenário melhor.

Dia 13 – Entre arte, medo e reflexão em Medellín

Acordei às 5h com uma cólica fortíssima. Era uma dor tão intensa que eu precisei levantar para tomar remédio. Deitei de novo, mas quase não consegui dormir. Às 6h, levantei de vez, tomei meu remédio da tireoide, uma ducha, passei o café e preparei algo leve. Segui com reuniões e assuntos de trabalho, e quando o relógio virou ali pelo final da manhã — meio da manhã aqui na Colômbia — decidi aproveitar para conhecer a Plaza Botero, um dos pontos mais conhecidos de Medellín.

Plaza Botero

O caminho até lá foi tenso. Para chegar à praça, o carro atravessa uma área muito vulnerável, quase como uma cracolândia, com pessoas caídas nas calçadas, dependentes químicos, rostos perdidos, um retrato duro da desigualdade. Já tinham me alertado que o centro não era seguro, e que, se eu quisesse ir, deveria ser de manhã. Fui com o mínimo possível: bolsa transversal por dentro da blusa, celular escondido e atenção redobrada.

Uma coisa me chamou atenção: Medellín é uma cidade perfumada. Mesmo em meio ao caos do trânsito e ao cheiro de diesel dos carros e dos alimentos sendo preparados nas ruas, o perfume das pessoas sobressai. É uma mistura curiosa — uma cidade perfumada, viva, contraditória.

Na Plaza Botero, as esculturas de Fernando Botero são realmente lindas, as fotos ficaram maravilhosas, mas eu não consegui relaxar. O movimento era grande, muitos ambulantes, muita gente. Fiz meus registros perto dos policiais, guardei o celular rapidamente e segui. Passei em frente ao Museo de Antioquia e a outro museu ali próximo, mas não entrei.

Segui então para o Paseo Junín, uma rua comercial charmosa, cheia de floriculturas, cafés e vitrines antigas. Conversei com um vendedor de flores sobre a segurança da cidade, e ele me disse, sem rodeios, que “nada é seguro na Colômbia, assim como no Brasil”. Depois dessa conversa, continuei caminhando e observando o movimento. Por mais que a região ainda passe uma sensação de insegurança, vi muitos senhores e senhoras com mais de 70 anos circulando por ali, tranquilos, como se essa vulnerabilidade fosse parte natural da vida. Talvez assuste apenas a nós, turistas.

Paseo Junin

No final do passeio, cheguei à Catedral Metropolitana. Uma policial muito atenciosa se ofereceu para me acompanhar até a entrada da igreja, para que eu pudesse fazer minhas fotos e visitar com calma. Conversamos sobre segurança; ela explicou que muitos furtos acontecem porque as pessoas andam distraídas com o celular na mão e que infelizmente, apesar de ser uma região bonita, se tornou uma das mais inseguras de Medellín.

Perguntei a ela onde ficava o restaurante Hacienda, e foi ela quem me orientou o caminho. Fiz o trajeto que ela indicou, mas, quando cheguei, encontrei a porta fechada. Queria muito ter comido alguma coisinha ali, mas o restaurante não estava aberto.

Apesar da vontade de continuar explorando, a insegurança pesava. Decidi então voltar. Entrei num quiosque de celulares, chamei o Uber — errei a primeira chamada, mas o valor foi devolvido — e esperei uns 20 minutos até o carro chegar. Peguei um Uber mais simples, sem ar-condicionado e apesar do calor forte, cheguei bem. Saí de casa por volta das 9h30 e voltei perto do meio-dia.

Choveu muito à tarde e a temperatura caiu. Fui ao mercado para repor alguns itens que faltavam e aproveitei para comprar mais cafés colombianos — decidi que vou pagar o excesso de bagagem que for preciso, porque no Caribe colombiano tudo tende a ser mais caro.

De volta ao apartamento, pedi para recolherem o lixo, coloquei roupa para lavar, fiz um lanche pensando em ir à academia, mas percebi que não tinha energia. Pouco depois, a menstruação desceu, e eu entendi o porquê do cansaço e da irritação. Decidi então ficar quieta, tomar uma boa ducha, acender um incenso, ficar mais comigo mesma e descansar. Dormi cedo, com a sensação de que o corpo precisava desse tempo de pausa.

💡 DICAS!

  • Visite a Plaza Botero e o Paseo Junín apenas pela manhã. Leve o mínimo, evite exibir o celular e caminhe sempre atento — a presença policial é constante, mas o cuidado pessoal é essencial.
  • Converse com os locais. Às vezes, uma conversa com um vendedor ou policial rende mais aprendizados sobre a cidade do que qualquer guia turístico.
  • O restaurante Hacienda é um clássico da cidade, mas tem horários restritos. Vale checar antes para não perder a visita.
  • Aproveite para comprar cafés colombianos em Medellín. A qualidade é excelente e o preço é bem mais baixo do que nas cidades do Caribe.
  • Respeite seus limites físicos. Em viagens longas, nem todos os dias precisam ser intensos — descansar também faz parte da experiência.

Dia 14 – Entre o sol, o metrô e um jantar que salvou o dia

O dia começou às 6h. Tomei uma ducha, preparei meu café como sempre e iniciei a rotina de reuniões: 1-1, alinhamentos, comunicações e mais uma série de chamadas ao longo da manhã. Ao meio-dia no horário do Brasil, decidi subir para dar uma olhada na piscina. A água estava tão quentinha que eu voltei correndo para o apartamento, coloquei o maiô e fui nadar.

O treino previsto era de 1.900 metros, e eu saí da piscina acreditando que tinha feito tudo certinho — até descobrir que o relógio estava marcando a metragem errada. A piscina estava cadastrada como se tivesse 25 metros, mas, na verdade, tinha só 12,5. No fim, nadei 1.125 metros. Ainda assim, pensei: melhor nadar 1.125 do que não nadar nada.

Encaixamos um treino de natação

Durante o treino, um americano se incomodou com a água que respingava enquanto eu nadava. Pediu para eu trocar de lado. Fiz isso, e mesmo assim ele saiu da piscina logo depois. Rendi risadas internas — o cara não entendeu que natação envolve água, né? Quando cheguei ao apartamento, eram quase 13h30 no horário do Brasil. Fui direto pro banho e só então percebi: estava inteiramente marcada de sol. Trinta minutos nadando sob o céu de Medellín e fiquei vermelha, como se tivesse passado o dia inteiro na praia.

Preparei meu almoço e segui para mais algumas reuniões à tarde. No fim do expediente, decidi sair pra conhecer o Parque de los Deseos e o Jardín Botánico, onde eu planejava correr. Cheguei lá e descobri que o Jardim Botánico fecha às 16h. Fiquei indignada. Quatro horas da tarde? Sério? O parque ao lado, o tal do Parque de los Deseos, também me decepcionou: em 15 minutos eu já tinha caminhado tudo. Pequeno, simples e nada convidativo pra uma corrida. Ainda tentei dar uma olhada no Parque Explora, ali perto, mas também não valia o deslocamento. No fim das contas, saí de lá irritada e frustrada — se eu tivesse voltado ao Parque del Río, teria aproveitado muito mais.

Parque de Los Deseos

Pra compensar, decidi pegar o metrô. Já que eu tinha comprado a tarjeta e colocado quatro passagens, pelo menos faria valer o investimento. A viagem valeu a pena: o cartão e as passagens saíram por 29 mil pesos, e só nessas duas idas e voltas eu já economizei o que gastaria em Ubers. Peguei a linha azul em direção à Estrella, desci em El Poblado e aproveitei pra fazer a foto que eu queria de uma ponte estaiada toda colorida — um símbolo da cidade.

O curioso é que parecia que toda Medellín vinha na direção contrária de mim. Só eu subia a rua, e uma multidão descia. Eu, de viseira e fone de ouvido, frustrada com o passeio e com um humor que ainda oscilava. Caminhei até o Parque El Poblado, o mesmo da segunda-feira, e o tempo começou a fechar. Nuvens pesadas, cheiro de chuva no ar. Como seriam uns 30 minutos de caminhada até o hotel, decidi pegar um Uber antes que o temporal caísse.

Cheguei em casa um pouco triste. O passeio do dia não tinha sido o que eu esperava. Subi pra academia pra cumprir o treino de corrida: oito quilômetros na esteira. Quando vi, a velocidade máxima da esteira era 9 km/h. Fiquei puta da cara. Mas pensei comigo: melhor correr oito quilômetros a 9 do que cinco a 9,5. Melhor correr do que não correr. E fui. Terminei o treino exausta, suada, satisfeita. Tomei banho e percebi o quanto minhas costas estavam realmente queimadas.

À noite, o Wesam — meu amigo que reencontrei em Bogotá — me chamou pra jantar com o namorado e mais um amigo. Fui com eles ao Manicita Medallo, um restaurante encantador no bairro Manila, e foi simplesmente maravilhoso. A comida colombiana me surpreendeu de novo. Eles me perguntaram se eu achava melhor do que a brasileira, e eu nem soube responder. O prato era tão saboroso, tão rico, que nesse jantar precisei admitir: a culinária colombiana é incrível.

Entre risadas, brincadeiras e muita conversa em espanhol, senti o quanto precisava exatamente disso: boa comida, boas companhias e a chance de praticar o idioma de forma leve. Foi uma noite alegre, de aprendizado e conexão, dessas que curam qualquer dia estressante.

Cheguei em casa com o coração leve. Finalmente, o corpo começava a se reorganizar, eu tinha conseguido fazer os dois treinos do dia — natação e corrida — e ainda encerrei com amigos e risadas. Um dia que começou turbulento e terminou maravilhosamente bem, com a sensação de que tudo, absolutamente tudo, valeu a pena.

💡 DICAS!

  • O Jardín Botánico fecha às 16h. Vá de manhã se quiser entrar.
  • O Parque de los Deseos é pequeno, ótimo pra conhecer rapidinho, mas não pra correr.
  • O metrô de Medellín é rápido, limpo e seguro — vale comprar a tarjeta e usar durante a estadia.
  • O Parque del Río segue sendo o melhor da cidade pra treinar, caminhar e sentir o clima local.
  • O Manicita Medallo, no bairro Manila, tem comida deliciosa e ambiente acolhedor — perfeito pra fechar o dia.

Dia 15 – O cheiro de café, as cores de Provenza e a alegria de pertencer

O dia começou às seis da manhã. Acordei bem, ainda satisfeita do jantar da noite anterior, então decidi pular o café da manhã sólido e preparar apenas um café preto forte. Tomei uma ducha rápida e já sentei na frente do computador para a reunião mensal da área — tivemos boas notícias, comunicações felizes e a sensação de que estamos em um bom momento. Na sequência, fiz duas entrevistas de candidatos, finalizei algumas aprovações e fechei a manhã com o nosso Hangout da área.

Apesar de ter planejado ir à academia, a cólica falou mais alto. Sem disposição para treino pesado e sem paciência para a academia do hotel — que anda meio sujinha —, preferi não insistir. Tomei um copo de leite com whey protein e decidi cuidar da minha energia de outra forma: um bom passeio. O plano do dia era claro — visitar o Café Pergamino e depois conhecer Provenza, uma das regiões mais charmosas e vibrantes de Medellín.

Café Pergamino

Preparei um almoço leve, com salada e bife, e por volta de meio-dia saí do apartamento. Peguei um Uber e segui para o Pergamino, que fica numa região repleta de cafés, bares, restaurantes e coworkings. No segundo piso do café, o ambiente é acolhedor e perfeito para trabalhar. As pessoas estavam conectadas, algumas em reuniões, outras concentradas no laptop. A conexão era ótima e o clima, inspirador.

O Jorge já estava lá quando cheguei — almoçando e me esperando. Pauli chegou depois. Conectei-me à Wi-Fi, abri o computador e aproveitei a tarde para colocar a vida em ordem: revisei o orçamento da área, analisei as premissas orçamentárias, fiz as aprovações de candidatos e limpei uma boa parte dos meus e-mails. Pedi um croissant de chocolate e uma soda de maracujá (passion fruit soda, como eles chamam aqui). Trabalhei tranquila, conversamos, rimos, e o tempo voou.

Por volta das 15h30 (17h30 no Brasil), encerramos o expediente improvisado e descemos. Antes de seguir o passeio, deixamos todos os nossos notebooks e mochilas no carro do Jorge — uma decisão sábia para poder caminhar sem peso e com mais segurança. Comprei dois cafés do Pergamino e uma xícara linda da marca — lembranças que carregam o sabor e o aroma de Medellín.

Mis amigos Colombianos

Dali, caminhamos até o Parque Lleras — um lugar que eu tinha decidido evitar, porque a Pauli havia me alertado que à noite a região muda de perfil, tornando-se ponto de prostituição e drogas. Mas, como estava com o Jorge e a Paula, fui tranquila. Durante o dia, o parque é outra história: pequenino, bonito, cheio de árvores, limpo e com barraquinhas de artesanato em volta. É cercado por bares e restaurantes, tem uma energia leve e acolhedora.

Seguimos então caminhando até o Parque El Poblado, onde eu queria comprar a segunda bolsa de couro. Voltei às tendinhas que já tinha visitado antes, e com a ajuda dos dois, escolhi o modelo ideal. Acabei levando a que eu tanto queria desde o primeiro dia. Gosto de couro, porque é versátil, combina com tudo e dura uma vida.

Depois das compras, fomos conhecer Provenza, o coração boêmio de Medellín. E foi como caminhar por uma versão tropical da Zona T de Bogotá — ruas cheias de vida, com música, bares, restaurantes e cafés para todos os gostos. É uma região linda, viva, moderna e, ao mesmo tempo, charmosa. Ali tudo acontece: jovens reunidos nas esquinas, risadas, taças brindando e um perfume no ar que mistura café torrado e flor de jasmim.

Provenza

Paramos no El Social – Tienda Mixta, um bar histórico fundado em 1969, um dos mais tradicionais da cidade. Pedi uma limonada com coco e compartilhamos uma picada colombiana, uma tábua deliciosa de petiscos típicos. Ficamos ali conversando, comendo, observando a rua e rindo da vida.

Meu espanhol fluiu de um jeito que me surpreendeu. Em quinze dias, parece que destravei. Aprendo novas expressões todos os dias, e já me peguei sonhando em espanhol — o que é um ótimo sinal. Conversar, pedir, rir, entender e ser entendida: tudo isso tem me feito sentir mais viva e confiante.

Ficamos até por volta das 19h. No caminho de volta, o Jorge ainda passou de carro por Manila, outra região cheia de bares e restaurantes, mais local e menos turística do que Provenza. Ele disse que ali seria um ótimo bairro para alugar um apartamento. Concordei. É bonito, calmo e ainda tem o charme de Medellín sem o movimento intenso dos turistas.

Agora que já conheço melhor a cidade, entendo como ela se organiza. Medellín é dividida em comunas, e a minha — Comuna 14 – El Poblado — é uma das mais seguras e modernas. Dentro dela estão bairros como Manila, Provenza, Lleras e o próprio Poblado. Essa estrutura urbana é fascinante: cada bairro tem um ritmo, um som e uma alma própria.

Mas o que realmente marcou minha estadia aqui não foram os cafés, nem os parques, nem as compras. Foram as pessoas. O que fez diferença todos os dias da minha viagem foram as pessoas. As conversas, as trocas, as risadas, os conselhos, as dicas locais. Eu vim pra cá pra trabalhar, treinar, conhecer, me adaptar e ser resiliente — e tudo isso só aconteceu por causa das pessoas que cruzaram meu caminho.

Nos dias em que fiquei mais entediada ou chateada, percebo agora que não era sobre a cidade. Era sobre mim, sobre cólica, TPM, hormônios e cansaço. Medellín é linda — mesmo quando chove, mesmo quando frustra, mesmo quando dói um pouquinho. Da saudade do que já vivi, sinto falta de Bogotá, sinto falta da minha casa, dos meus gatos, das minhas rotinas. Dia de saudades boas. De gratidão. De paz.

O Jorge me trouxe de volta pra casa. Tomei banho, jantei, organizei as malas e deixei tudo pronto para o dia seguinte, dia de visitar Guatapé e Peñol. Que venham novas paisagens, novos aprendizados e novas histórias para contar.

💡 DICAS!

  • Café Pergamino: ambiente inspirador, ideal para trabalhar ou relaxar.
  • Provenza: bairro vibrante, com bares e restaurantes de todos os estilos.
  • El Social – Tienda Mixta: bar tradicional e autêntico, fundado em 1969.
  • Parque Lleras: bom para visitar de dia, evite à noite.
  • Bolsas de couro de El Poblado: peças lindas, artesanais e com excelente custo-benefício.
  • Deixe as mochilas no carro: se for passear entre bairros, é mais seguro caminhar sem peso.

Dia 16 — La Piedra del Peñol e Guatapé: histórias que emergem da terra

O dia 16 começou bem cedo. Acordei por volta das 5h40 da manhã, tomei meu banho, preparei o café e me arrumei. Peguei um Uber rumo ao Parque El Poblado às 7h30, ponto de partida do passeio de hoje: La Piedra del Peñol e Guatapé.

Cheguei rapidinho em dez minutos. Fiz o pagamento — 189 mil pesos — e percebi que me colocaram em um passeio mais completo do que o que eu havia escolhido. Acabei aceitando. O ônibus era todo colorido, parecendo saído dos Flintstones, sem banheiro, mas uma graça. Partimos quase às 8h40, depois de uma pequena espera, e seguimos estrada.

Ônibus do passeio

A primeira parada foi para provar morango com crema, uma fruta típica servida em uma paradinha rural. Depois, seguimos para o Alto del Cocho, onde havia lhamas, cabritinhos e cavalos. Você pode pagar pra pegar cenoura e alimentar as lhamas — dóceis, curiosas, simpáticas. Mas decidi só tirar fotos, fazer vídeos e tocar nelas.

Logo depois, passamos pela nova comunidade de Peñol, que foi reconstruída após a antiga cidade ter sido submersa pela represa. No centro da comunidade há uma grande estátua de uma fênix, símbolo de renascimento — representando a força e a capacidade do povo de Peñol de se reerguer das águas, literalmente. Foi ali que fizemos uma pequena parada para provar uma fruta típica da região: o tomate de árbol (ou tomate de árvore). Eles servem cortadinho, com um toque de açúcar mascavo, e o sabor é simplesmente delicioso — uma mistura entre o azedinho do maracujá e o doce suave da goiaba. Uma pausa rápida, mas muito gostosa, tanto pela simbologia do lugar quanto pelo sabor único dessa fruta colombiana.

Em seguida, pegamos um barco para visitar La Manuela, uma das antigas propriedades de Pablo Escobar, construída para a filha dele, Manuela, como presente de 15 anos. A casa foi parcialmente destruída por dinamite, e o que restou ainda guarda uma história impressionante: piscina intacta, heliporto, esconderijos e vistas absurdamente lindas da represa. Ele trouxe materiais da Ásia, plantas e madeiras do mundo todo. Caminhar por ali é como entrar num filme — e também numa história de excessos, poder e tragédia.

Voltamos de barco e seguimos para o almoço. A refeição inclusa era a tradicional bandeja paisa, com feijão, arroz, abacate, frango e banana frita. O feijão tinha gosto de barro (e meu intestino já estava sensível), então comi pouco — mas valeu pela experiência.

Bandeja Paisa

Depois, seguimos para o ponto alto do passeio: La Piedra del Peñol, uma formação gigantesca de origem geológica impressionante. São 720 degraus até o topo, e a subida é dura. Fiz em cerca de 12 minutos, exausta, mas encantada. A vista é de tirar o fôlego. A pedra surgiu do choque de duas placas tectônicas e dizem que o que se vê é apenas a ponta — a base subterrânea pode ser até três vezes maior.

Do alto da Piedra del Peñol

Houve até disputa entre os municípios de Peñol e Guatapé por sua posse. Ninguém queria a pedra por causa da sombra que ela projetava sobre as plantações, mas um homem visionário começou a comprar os terrenos em volta e previu o futuro: “as pessoas pagarão para subir e ver a vista”. Hoje, a pedra é um patrimônio nacional e uma das atrações mais visitadas da Colômbia.

A represa que se avista lá do alto foi formada com a realocação da antiga comunidade de Peñol — incluindo a remoção de casas, igrejas e até cemitérios. Um pedaço da antiga cidade está submerso sob aquela imensidão azul.

Depois da subida, fomos até Guatapé, uma vila pequena e colorida, de ruas floridas e paredes duplas pintadas à mão. Cada casa tem seu próprio desenho, criando um mosaico vivo de cores e símbolos. Andei pelas feirinhas, vi os tuk-tuks coloridos circulando pelas ruelas e me encantei com a atmosfera leve e vibrante do lugar.

No fim do dia, voltamos a Medellín — duas horas de estrada, já exausta, mas com o coração cheio. É o tipo de passeio que faz pensar na força da natureza e na capacidade humana de transformar até o inesperado em história. Casas dinamitadas, represas que engoliram cidades, pedras que viraram monumentos. Tudo faz parte dessa narrativa vibrante que é a Colômbia.

💡 DICAS!

  • Leve dinheiro em espécie, pois a entrada na Piedra del Peñol (30.000 COP) não aceita cartão.
  • Use roupas leves e tênis confortáveis — a subida é intensa e exige preparo físico.
  • Evite comer muito antes da escalada e leve água.
  • Reserve o dia todo: o passeio é longo e o trânsito na volta pode ser pesado.
  • Guatapé é ideal para comprar artesanatos e lembranças — os preços são melhores que em Medellín.

Rumo ao Caribe Colombiano

Medellín me deixou essa sensação de preenchimento, de ter testemunhado uma transformação que vai muito além do turismo. Mas, como toda boa jornada pela Colômbia, era hora de seguir o fluxo e mudar drasticamente o cenário: das montanhas e represas para a imensidão do mar.

No próximo post, deixamos a “Cidade da Eterna Primavera” para trás e mergulhamos na história e no calor da costa. Vou contar como foi a chegada em Santa Marta e as impressões de Barranquilla. Prepare o protetor solar, porque a nossa próxima parada é onde o Caribe começa a mostrar sua força e suas cores.

Nos vemos no litoral!

Sobre Ju Mostardeiro

Juliana Paul Mostardeiro é fundadora do Aqui é Assim, um espaço que une sua paixão por viajar à vontade de aproximar as pessoas de experiências transformadoras e estimulá-las a colocar uma mochila nas costas para ampliar sua visão de mundo. Ela acredita que viajar é uma das formas mais potentes de conexão humana e autodescoberta. Jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Liderança Exponencial, possui uma trajetória sólida no universo corporativo. Baseada em Florianópolis, utiliza sua expertise em liderança e gestão para desenvolver pessoas. Acredita em uma liderança humanizada e em ambientes modernos de trabalho que estimulem as competências únicas de cada um.

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