Santa Marta e Barranquilla – Semana 3 da viagem

Dia 17 — Chegada a Santa Marta

O dia começou cedo. Eu tinha colocado o despertador às 6h30, mas acabei acordando um pouco antes, para tomar o remédio da tireoide. Então levantei e me arrumei pra sair pra correr. Às 7h30 eu já estava na ciclovia pra fechar Medellín com tudo: foram 25 minutos de corrida, leve, mas cheia de gratidão. Corri feliz, empolgada, realizada com tudo que vivi na cidade, mesmo com os imprevistos. Às 8h30 eu já estava de volta ao apartamento, tomei meu café com tranquilidade, revisei tudo o que precisava e, por volta das 11h15, chamei o Uber em direção ao aeroporto.

Corrida em Medellín

De manhã, eu já tinha testado o aplicativo e o valor estava alto. Às 11h15, o Uber Yá custava 110 mil pesos e o Comfort, 126 mil. Decidi ir de Comfort, porque o calor já começava a pegar. Só que no caminho teve trânsito e, no final, o valor atualizou para 146 mil pesos. Fiquei bem chateada — de todos os custos da viagem até agora, o transporte foi o maior. Não foi comida, nem passeio, foi Uber. Mas, como todas as minhas passagens internas foram compradas com milhas e sendo categoria Prata na Gol tenho direito à bagagem despachada gratuita, estes gastos de Uber estão sendo compensados por estas outras economias.

No aeroporto, cheguei perto do meio-dia. Fiz o despacho da bagagem e, como sempre, veio a dúvida sobre o peso. Saí do Brasil com 24,5 kg e, depois de ter consumido suplementos, shampoos, chás, era pra ter diminuído o peso — e não aumentado. Mas a balança da Avianca marcou 28,5 kg. Paguei 120 mil pesos de excesso e decidi que, no próximo voo, vou reorganizar tudo como estava na saída do Brasil. Quero testar se essas balanças estão certas, porque não é possível que 8 pacotes de café tenham feito tanta diferença.

Despacho feito, passei pelo raio-x e, às 12h30, já estava no portão 1C. O calor era absurdo. Não tinha ar-condicionado e o ar estava pesado, abafado. Sentei e esperei até 13h30, resolvendo algumas pendências no celular. Tomei um café no Juan Valdez — croissant de queijo com jamón — e quebrei meio comprimido de Dramin, para evitar enjoo no voo. O embarque começou por volta das 14h10. A comunicação do aeroporto era confusa, o som saía abafado, difícil de entender os avisos, mas fiquei de olho no movimento e deu tudo certo.

O voo não estava lotado. A mochila passou sem problema (o coração até bateu mais forte quando a moça olhou o tamanho dela, mas viu meu grupo B e deixou passar). O embarque foi feito direto na pista, com acesso de ônibus. Dentro do avião, tudo correu bem, apesar de eu achar o barulho um pouco alto e a descida muito inclinada — mas isso é só achismo, né? Às 16h20, eu já estava pousando em Santa Marta.

Desci do avião, fui ao banheiro e logo peguei a mala. Ela chegou inteira, só com o nome da marca arrancado — o que me fez reforçar a dica: use capas de pano na mala. Elas se destroem, mas protegem o que importa. A minha tem sobrevivido firme e forte desde o Paraguai.

Como já sabia que em Santa Marta não tinha Uber, tentei o inDriver, que dava 25 mil pesos. Os taxistas queriam cobrar 42, 50 mil. Falei “no, gracias” e continuei andando. O calor estava insano: 32 graus, e não é aquele calor seco — é abafado, o corpo sente o tempo todo. No caminho, perguntei pra um taxista onde podia chamar o app e ele se ofereceu pra me levar por 25 mil pesos. Ele foi tão gentil que ofereci 30. Ele ajudou com a mala e conversamos muito durante o trajeto. Ele elogiou meu espanhol, e fiquei feliz de perceber que, mesmo com o sotaque caribenho mais rápido e cantado, tô me virando bem.

O Grand Suites Apartment é simplesmente maravilhoso. Ganhei um upgrade gratuito: dois quartos, dois banheiros, sala enorme, sala de jantar, cozinha completa e uma varanda com vista para Marina. É o tipo de lugar pra passar 15 dias de férias com a família, espaçoso, confortável, com energia boa. Eu me senti presenteada — afinal, estou aqui para celebrar meu aniversário.

Vista do Gran Marina

Depois de deixar as malas, veio uma moça da recepção fazer o check-in. Ela me contou que eu estava designada para um quarto menor, mas decidiu me colocar nesse apartamento maior. Quando contei que era um presente de aniversário, ela abriu um sorriso e disse que era merecido.

Aí larguei tudo e fui direto ao mercado Carulla, o mesmo de Medellín. Fiz compras pros próximos dias: café, ovos, frutas, legumes, pão, carne — o básico pra não gastar comendo fora. Voltei, tomei uma ducha, preparei o jantar e fiquei ali, na frente do computador, organizando as fotos e planejando os próximos dias.

Durante a noite ventava muito, havia relâmpagos no céu e dava para ouvir o som das ondas vindo lá de longe. Acho que vai cair uma baita chuva. Eu estava feliz. Santa Marta me recebeu de braços abertos. 🌅

Dia 18 — Santa Marta: chuva, rotina e respeito à natureza

O que mais eu tenho feito nessa viagem é me adaptar. Adaptar-me aos passeios que nem sempre saem como o esperado, aos roteiros que precisam mudar conforme o clima, e, principalmente, às minhas próprias expectativas. Porque todo viajante cria planos — e quando eles não se cumprem, vem a frustração. Mas viver localmente é isso: ajustar o passo, aceitar o tempo e entender que a beleza da viagem está justamente no imprevisível.

Comecei o dia cedo, por volta das seis da manhã. Fiz minha rotina normal: ducha, café preto, e, como ainda estava sem fome — talvez reflexo do pãozinho da noite anterior —, fiz desjejum. Às 9h, já estava em terapia, uma das sessões quinzenais que mantenho à distância, junto ao meu processo de coaching. Depois, entrevistei a última candidata pendente do time e finalizei o processo de seleção — uma menina com bastante potencial.

Uma das reuniões do dia foi cancelada e acabei destinando a manhã para organizar os assuntos que antecediam as minhas férias: tinha um dia a mais de trabalho e depois dez dias de descanso. Fui emendando tarefas, revendo materiais, ajustando processos. Pensei em passear no fim da tarde e depois treinar (há uma academia paga — 15 mil pesos — e um espaço gratuito do prédio com três equipamentos aeróbicos), correr na rua ou fazer um treino de força com minhas bands no apartamento mesmo, já que me viro bem com o peso do corpo.

Durante a tarde, mergulhei em uma sequência de reuniões importantes. Era o fechamento antes das férias — e foi bem produtivo. Só que, entre uma reunião e outra, o céu desabou. Trovões, relâmpagos, raios em sequência, uma tempestade daquelas que transformam o dia em noite. Quando olhei pela janela, as ruas estavam completamente alagadas. 

Então, o passeio que eu planejava fazer — uma caminhada pelo Centro Histórico, a duas quadras do apartamento — não aconteceu. A chuva intensa durou das três da tarde até quase sete da noite. Por volta das oito, o céu começou a clarear, o vento ficou mais suave e os relâmpagos foram se afastando. 

O Grand Suites Apartment é tão perfeito que até nos dias de chuva ele me faz bem. Tem dois quartos, dois banheiros, uma varanda enorme, uma sala de jantar e uma vista linda da marina. Eu fico imaginando o quanto seria bom passar um mês inteiro aqui — trabalhando, treinando, escrevendo e aproveitando esse equilíbrio entre descanso e rotina. O prédio pertence ao AC Marriott Grand Marina Resort & Spa, que é o hotel ao lado, e foi então que eu descobri que era lá que ficava a academia.

Quando desci até a recepção para tirar algumas dúvidas sobre os passeios e também sobre os transportes disponíveis para Barranquilla, me explicaram que, por estarmos no nível do mar, quando chove muito, a água sobe e invade as vias — especialmente por estarmos tão próximos da marina. Foi então que decidi malhar, fui até o Marriott, pagar a taxa de uso da academia e garantir o meu treino do dia, já que não iria conseguir sair por conta da chuva. Também aproveitei para reservar o meu transporte para Barranquilla para o dia 23/10. O transfer privado custava 467 mil pesos, o que achei um absurdo — então optei pelo serviço coletivo da empresa MarSol, que busca os passageiros diretamente no hotel e custa cerca de 45 mil pesos. Bem mais razoável, prático e suficiente para quem quer fazer o trajeto com segurança e economia.

Em seguida, voltei ao apartamento, troquei de roupa e fui treinar. Fiz um treino de pernas excelente — potente e revigorante. É curioso perceber que, mesmo viajando, tenho conseguido manter entre cinco e sete treinos por semana. Em Florianópolis, com toda a estrutura, costumo fazer nove. Mas, considerando o ritmo de viagem, o clima e os deslocamentos, manter essa média já é uma vitória. O importante é seguir fazendo o possível.

Treino em Santa Marta

Voltei da academia, olhei o céu e senti que ele prometia limpar. Tomei um banho demorado, apliquei meu clareador facial — que fazia dias que não usava — e me preparei para um fim de noite tranquilo. Dormi cedo, umas dez da noite, pra garantir boas oito horas de descanso. A rotina de viagem, por mais leve que pareça, exige energia e presença.

Enquanto a chuva dava trégua e o vento soprava da marina, fiquei ali, grata. Pela casa que me acolhe, pela oportunidade de trabalhar de qualquer lugar e por poder equilibrar corpo, mente e alma mesmo longe de casa. Este foi um dia pra respeitar a natureza — e a mim mesma. Porque, às vezes, o melhor passeio é o de dentro. 🌙

💡 DICAS!

  • Tenha sempre um plano B: o clima muda rápido e imprevistos acontecem.
  • Gerencie suas frustrações e substitua atividades canceladas por outras que também tragam prazer.
  • Lembre-se do objetivo da viagem — o seu propósito é o que dá sentido ao roteiro.
  • Se chover, use o tempo para descansar, reorganizar ou treinar em casa.
  • Respeite a natureza: às vezes, ficar abrigada é o melhor tipo de cuidado.

Dia 19 – Santa Marta: Centro Histórico e Noite Caribenha

Como tinha chovido muito na noite anterior, o dia começou com adaptação de planos. Acordei cedo, tomei banho, preparei o café e iniciei as reuniões da manhã, que seguiram até o meio-dia (10h do horário local). O tempo ainda estava nublado e eu fiquei receosa de que outra tempestade tropical caísse — a previsão indicava chuva durante toda a semana. Por sorte, o dia ficou apenas encoberto, e eu agradeci, porque com o calor que faz em Santa Marta, um pouco de sombra é um verdadeiro presente.

Então, aproveitei o intervalo do almoço e fui conhecer o Centro Histórico. Comecei pela Plaza de los Novios, segui até a Catedral de Santa Marta e continuei explorando as ruazinhas cheias de lojinhas e restaurantes coloridos. Aprendi que o comércio só abre perto das nove da manhã, porque a vida noturna na cidade é intensa. Comprei alguns ímãs de geladeira — minha tradição de viagem — e caminhei até a Plaza Bolívar, registrando fotos e vídeos pelo caminho. O calor era quase insuportável: caminhei com camisa com medo de me queimar, suando e acabei tirando a camisa pra aguentar o clima abafado.

🌿 Parque de los Novios: localizado entre as carreras 2 e 3, é o coração do Centro Histórico. Antigamente era uma zona alagável transformada em praça pública e, com o tempo, virou ponto de encontro de casais — por isso o nome “Parque dos Namorados”. Hoje é cercado por bares, cafés e restaurantes, com uma atmosfera viva e acolhedora tanto de dia quanto à noite. É o lugar perfeito para sentir o clima caribenho e o vai-e-vem das pessoas.

Parque de Los Novios

Catedral Basílica Menor de Santa Marta: uma das igrejas mais antigas da Colômbia, cuja pedra fundamental foi lançada em 1766. Sua origem remonta à fundação da cidade, no século XVI, e ela sobreviveu a ataques, terremotos e várias reconstruções. O estilo é renascentista colonial, de linhas brancas e simples, e abriga desde 1953 os restos mortais de Rodrigo de Bastidas, o fundador de Santa Marta. Caminhar em volta da Catedral é sentir a história viva da cidade — um misto de serenidade e imponência no meio das ruas movimentadas do centro.

Catedral Basílica Menor de Santa Marta

Voltei pela orla até o apartamento, toda suada. Tomei uma ducha, preparei meu almoço e voltei às reuniões da tarde. Entre uma e outra, finalizei tudo o que precisava deixar pronto antes das férias: configurei e-mail, Slack, revisei pendências. Senti que estava tudo sob controle — férias curtas, mas merecidas.

Mais tarde, decidi fazer um treino de musculação. A ideia inicial era correr e nadar, mas como a piscina fecha cedo e o pôr do sol aqui é por volta das 17h30, optei por pagar mais 15 mil pesos para usar a academia do hotel de novo. Antes do treino, passei no mercado, comprei algumas coisas que precisava e chocolates — pequenos agrados pra mim mesma.

Quando voltei, o tempo estava estável e eu me senti segura para conhecer o Centro Histórico à noite. Tomei banho, me arrumei e saí quase às oito da noite. Confirmei na recepção que era seguro caminhar, e fui pela orla — cheia de gente, luzes e música. O único incômodo é o barulho constante das buzinas das motos, que parecem parte da cultura local. Caminhei até a Plaza de los Novios e a Catedral, tirei fotos, fiz vídeos e observei o movimento vibrante da cidade: bares, restaurantes, turistas e moradores aproveitando o clima quente da noite caribenha. Parei em uma gelateria, pedi um gelato delicioso e fiquei ali por alguns minutos, observando a vida ao redor. Depois, voltei pela orla, curtindo o vento quente e o som do mar.

Cheguei no apartamento por volta das 22h, sentei um pouco pra revisar meus relatos de Medellín e ajustar o blog. Tomei banho, cuidei da pele e fui dormir por volta das 23h30 — exausta, mas feliz. Dormi profundamente, pronta pra acordar cedo e seguir com energia renovada no dia seguinte.

💡 DICAS!

  • Aproveite as manhãs nubladas: o sol aqui é forte e o calor pode ser sufocante.
  • Pague a taxa da academia se quiser manter o treino — vale o investimento.
  • Caminhar à noite é seguro nas áreas movimentadas, mas prefira a orla e as praças principais.
  • O Centro Histórico de Santa Marta é pequeno, dá pra explorar tudo a pé e sentir a energia local.

Dia 20 – Santa Marta: o início das férias e o valor da rotina

O dia 20 começou bem cedinho. Acordei às 6h30 para tomar meu remédio da tireoide e, às 7h, me preparei para correr. Acabei me enrolando e só saí quase às 8h. Apesar da marina ser super próxima, a corrida foi extremamente difícil. Mesmo sem sol direto, o calor já era intenso. O treino era pesado, de zonas 4 e 5, e exigiu muito de mim — minha pele queimava, o rosto pegava fogo. Ainda assim, consegui completar os 46 minutos planejados, mesmo reduzindo um pouco o ritmo nas repetições. Voltei para casa com o rosto muito vermelho e quente, demorei quase uma hora para voltar ao normal. Fiquei preocupada com o melasma, mas ao mesmo tempo feliz por ter conseguido concluir um treino tão exigente.

Corrida na Orla de Santa Marta

Depois da corrida, tomei café na varanda, sentindo o vento e o prazer de estar oficialmente de férias. Eu tinha planejado visitar algumas praias — Playa Blanca, Cabo Tortuga e Playa Cristal —, mas soube que a Playa Cristal está fechada por motivos ambientais, já que a área é uma reserva indígena em período de preservação. E, olhando as fotos das outras praias, percebi que se pareciam muito com a praia da marina, que vejo todos os dias daqui do apartamento. Então decidi ficar.

É difícil tomar essa decisão quando estamos viajando, porque existe sempre a sensação de que estamos perdendo algo. Mas essa é a diferença entre turistar e viver um lugar. Quando a gente está turistando, quer ver tudo; quando a gente está vivendo, a gente escolhe o que faz sentido pro nosso corpo, pro nosso momento e pra nossa alma. Eu moro em uma ilha com 42 praias — não preciso correr atrás de mais uma. O que eu queria, na verdade, era um dia tranquilo, de descanso e conexão comigo.

Como o sol aqui é forte e o melasma exige cuidado, decidi evitar a exposição desnecessária. Prefiro aproveitar de uma forma que me faça bem, sem voltar para o Brasil frustrada com manchas ou incômodos. Então, escolhi ficar em casa, treinar e cuidar de mim. Peguei minhas bands e fiz um treino completo no apartamento mesmo — e foi ótimo. Enquanto treinava, pratiquei espanhol conversando com o ChatGPT (meu companheiro colombiano imaginário).

Depois do treino, preparei meu almoço, saí para comprar pão e, quando voltei, arrumei minhas coisas para ir à piscina. Eu queria nadar, mas haviam pessoas na piscina e eu não me senti confortável em fazer um treino de natação enquanto elas estavam ali usando o espaço. Então fiquei ali mesmo, relaxando nas espreguiçadeiras, curtindo o vento, rindo no Instagram e esperando o pôr do sol. E ele veio: um pôr do sol bonito, colorido e suave, que refletia na baía. Fiquei imaginando como deve ser num dia de céu totalmente limpo — deve ser espetacular.

Mais tarde, subi para me arrumar e decidi sair novamente para o Centro Histórico. Queria tomar um drink, comer algo leve, aproveitar a noite caribenha. Caminhei pelas ruazinhas iluminadas, fui até o bar Oulala Puerta, que me haviam recomendado, mas estava fechado. Continuei andando, observando as luzes, a música, o movimento. Acabei entrando no Craft & Waffles, onde pedi uma limonada de coco (minha nova paixão colombiana) e um sorvete delicioso.

Craft & Waffles

Saindo de lá, entrei em algumas lojinhas de artesanato. Descobri uma fibra natural usada para fazer bolsas típicas da Colômbia — cada peça é única, colorida, com desenhos diferentes. Entrei em quatro lojas até encontrar o modelo ideal, negociei o preço e comprei a minha. Um souvenir autêntico, impossível de achar no Brasil.

Artesanato local

Na volta, passei no bar do hotel, pedi um gin tônica diferente, com suco de maçã e chá de menta, e mais uma limonada de coco (porque, sinceramente, queria que existisse limonada de coco em todo lugar). Subi para o apartamento, jantei a massinha com carne que já tinha preparado, sentei na varanda e fiquei ouvindo o som do vento.

Gin tônica diferente, com suco de maçã e chá de menta

Hoje, eu percebi o quanto esse apartamento foi um dos melhores investimentos da viagem. É o espaço mais caro que reservei, mas também o mais especial — amplo, confortável, iluminado, com uma vista incrível da marina. Aqui eu me sinto em paz. Talvez o principal ganho desta viagem tenha sido justamente isso: o refúgio que encontrei neste lugar.

Durante a noite, o clima esfriou um pouco, e percebi um detalhe que me incomodou: depois da chuva, algumas ruas próximas ficaram alagadas e com cheiro de esgoto. Fiquei pensando se, por estarmos ao nível do mar, o sistema de drenagem não suporta o volume de água e o esgoto acaba retornando. Esse cheiro me fez até perder a vontade de entrar no mar — afinal, não sei se o tratamento daqui é adequado. É algo parecido com o que acontece em alguns pontos de Florianópolis, infelizmente.

Mas, mesmo com esse desconforto, o saldo do dia é de gratidão e plenitude. Eu vivi um dia de descanso, de contemplação, de respeito ao corpo e à natureza. Tomei a decisão de não correr no dia seguinte, de me permitir dormir até mais tarde, sem despertador, tomar café na varanda e ter uma manhã sem correria. Porque descansar também é parte da viagem.

💡 DICAS!

  • Corra cedo! Depois das 7h30 o calor é sufocante — o sol queima mesmo sem aparecer.
  • Curta o apartamento: o Grand Suites é um destino em si. Permita-se um dia de pausa — vale cada segundo.
  • Piscina não é só treino: às vezes, deitar e observar o pôr do sol é o melhor “exercício” do dia.
  • Compre artesanato local: as bolsas de guajaca são lindas e típicas — um souvenir autêntico da Colômbia.
  • Peça limonada de coco em todos os lugares. Cada uma é diferente, e todas são perfeitas.
  • Desacelere. Viver a Colômbia é muito mais do que turistar. É se permitir sentir — o vento, o cheiro, o tempo, e até o silêncio.

Dia 21 – Chegada a Barranquilla

Acordei cedo, tomei meu remédio da tireoide e o café da manhã na varanda do Grand Suites Apartment, apreciando a vista da Marina — meu último dia em Santa Marta. Depois do café, dei uma olhada rápida em algumas coisas de planejamento, tomei banho e comecei a me preparar pra ir pra Barranquilla.

Café da manhã com vista da Marina

Por volta do meio-dia, fiz o check-out e fiquei esperando o transporte no saguão do Marriott. O transfer chegou meio-dia e vinte e levou até o ponto da MarSol. Fizemos uma parada no Rodadero pra pegar mais passageiros e depois trocamos de van. Até aí, tudo tranquilo.

Quando estávamos chegando a Barranquilla, uma moça pediu pra descer e eu, atenta, olhei no mapa pra ver onde estava meu hotel. Já tinha passado uma quadra. Perguntei ao motorista se ele podia me deixar mais perto e ele disse que não dava pra dar a volta, mas que me deixaria a duas quadras. E lá fui eu, com minha mala enorme e mochila nas costas, caminhando uns seis a oito minutos pela rua até o Hotel Majestic.

Chegando lá, confesso: a primeira impressão não foi boa. Quando falaram “centro histórico”, eu imaginei outra coisa. Achei os casarões antigos bonitos, mas nada de espetacular. Uma cidade normal e talvez eu tenha idealizado um pouco o estilo. Ainda assim, o hotel era lindo, sua arquitetura bem conservada.

Fiz o check-in, tudo certo. O quarto é grande, tem banheiro separado, cama boa, ar-condicionado, TV e frigobar da Electrolux — tudo certinho. Mas o entorno… simples, sem charme. E aí bateu um arrependimento: “O que eu tô fazendo aqui? Podia ter ficado mais em Santa Marta ou ido direto pra Cartagena.”

Mesmo assim, decidi sair pra conhecer a cidade. Barranquilla tem um ar simples, plano, mistura de prédios novos com construções antigas, algumas bem deterioradas. Fui caminhando até o Museo del Carnaval, mas ele já tinha fechado. Depois segui até o Centro Comercial El Prado — eu tô hospedada na região de Prado Viejo, que dizem ser uma das zonas boas da cidade. O norte da cidade fica a uns 20 minutos daqui, então percebi que tudo é perto.

Continuei o passeio, fui até a Plaza de la Paz, que é bem ampla e bonita, com a catedral imponente ao fundo. Tirei várias fotos. Depois tentei achar um café frequentado por Gabriel García Márquez, mas ele já não existe mais. Louca por um café, acabei encontrando uma padaria, comprei dois pães e uma Coca-Cola, depois passei no mercado, comprei água e voltei pro hotel.

Pra encerrar o dia, fui pra piscina. Fiquei ali por umas duas horas e meia, entre banho de piscina e descanso. Pedi um Cuba Libre, uma limonada de coco e um hambúrguer delicioso.

Subi pro quarto por volta das nove e meia, tomei banho, arrumei minhas coisas e revisei meu itinerário pra Barranquilla. Enquanto eu ainda estava na piscina, acionei meus amigos colombianos e contei que eu tava num bairro que eu não tinha gostado muito e que tava meio sem saber o que fazer. Eles falaram que teria sido melhor ter ficado no norte da cidade e em poucos minutos, eles já me encheram de recomendações — cafés, parques, lugares pra visitar. O ânimo começou a mudar.

No dia seguinte, decidi então conhecer a parte moderna da cidade, mas, sinceramente, acho que o mais interessante é justamente estar na parte histórica. A parte moderna é o novo, o que foi construído há dez anos; o histórico mostra como tudo começou, como a cidade nasceu. Então eu acho que tem um encanto especial nisso — em viver a Colômbia real, estar numa cidade costeira, caribenha, mais local, menos turística, vivendo como os colombianos vivem.

Além disso, descobri que eu era a única turista do hotel, que estava com um evento pra umas 200 pessoas — todos homens, provavelmente de alguma empresa. E aí eu pensei: gente, o que eu tô fazendo aqui? Depois me contaram que havia um Grupo de Eletricistas que alugou o hotel inteiro e eu era a única estrangeira que não fazia parte do grupo. Fiquei indignada! 😅 Tipo: “por que não me avisaram antes, pra eu poder escolher outro lugar?” Mas enfim, já estava ali, cercada de um monte de eletricistas maduros, rindo da situação e desejando que Barranquilla me surpreendesse 🌙✨

💡 DICAS!

  •  Saia cedo: os transfers entre Santa Marta e Barranquilla levam cerca de duas horas, mas sair pela manhã te dá a chance de aproveitar melhor o dia de chegada.
  • Pesquise bem a localização do hotel: o Centro Histórico de Barranquilla tem construções antigas e ruas mais simples — vale escolher uma área que combine contigo.
  •  Nem todo lugar vai te acolher da mesma forma — e tudo bem. Faz parte viver o contraste, sentir o desconforto e entender o que ele ensina.

Dia 22 — Barranquilla: da vontade de ir embora à entrega (eu senti a cidade)

Acordei por volta das 7h, sono bem quebrado. Desci pro café e estava lotado pelo Grupo de Eletricistas do evento. Aqui não é bem um buffet — você vai passando e eles vão te servindo: pão, ovos (com e sem amendoim), um frito de massa de mandioca recheado com carne (bem parecido com risoles), presunto, queijo, frutas e um suco vermelho típico. Provei de tudo e repeti o frito, porque é muito saboroso.

Café da manhã

Subi pro quarto ainda preocupada com o transporte pra Cartagena. Tinha enviado mensagem para a Marsol assim que cheguei em Barranquilla, mas não havia recebido resposta. Tentei outra empresa (só fazia privado no domingo, caríssimo). Então entrei no site da Marsol e comprei a passagem por cerca de 70 mil pesos. Resolvido isso, saí pra caminhar.

Fui até o Museo Romántico (fechado). Daí segui pela Carrera 54 debaixo de um calor irritante; eu esperava os casarões concentrados e fotogênicos, mas eles estão espalhados — me frustrei e voltei pro hotel. No caminho decidi: “vou embora amanhã à tarde”. Mandei mensagem pro hotel e pra Marsol vendo se dava pra antecipar minha saída. Ainda assim, resolvi dar uma chance ao dia: peguei um táxi por 30 mil COP com duas paradas — primeiro no Monumento Ventana al Mundo, depois no Caimán del Río.

Monumento Ventana al Mundo

No Caimán, o complexo gastronômico me surpreendeu: enorme, bem climatizado, banheiros limpos (apesar da senhora do banheiro estar virada no bicho 😅). Fui ao Cucayo (dica do Jorge) e pedi róbalo a la plancha com arroz de coco, bananas assadas, saladinha com abacate e limonada de coco. Bom, mas pelo preço (85 mil pesos + bebida) eu esperava mais — o hambúrguer do hotel no dia anterior estava melhor. Valeu pela experiência e pelo lugar.

Depois caminhei pelo Gran Malecón. Ventava bem, o que ajudou no calor. Por volta das 16h30 peguei uma água gelada e fiz minha corrida de 44 minutos em blocos por zona: 11’ Z2 + 11’ Z3 + 11’ Z4 + 11’ Z2. Rendi bem, suei horrores, parei pra fotos (inclusive na estátua da Shakira) e fechei o treino perto do Caimán, com um pôr do sol que parecia pintura. Tomei minha segunda limonada de coco do dia. Peguei um táxi de volta e pedi pra passar no monumento Aleta de Tiburón iluminado — check!

Em uns 15 minutos cheguei ao Hotel Majestic. Subi, me troquei e desci pra relaxar na piscina. Depois bateu a fome e pedi arroz con pollo y papas e a minha clássica limonada de coco (terceira do dia). Delícia simples que me fez feliz.

Arroz con pollo y papas e a minha clássica limonada de coco

Fechei o dia com um giro completo de humor: comecei querendo ir embora da cidade e terminei querendo ficar amanhã, visitar o Museu do Carnaval, conhecer o La Cueva, passar a tarde no hotel, conversar com os locais, aproveitar a piscina e desacelerar antes do calorão de Cartagena.

Reflexão — “Sentir a Colômbia”

Aprender a desacelerar é difícil. Em férias, sobra tempo — e “não fazer nada” também é viver. Lembrei do meu objetivo: não vim turistar feito louca; vim viver a Colômbia. Senti a Colômbia ao caminhar, correr, pegar táxi, errar caminho, experimentar limonada de coco, ouvir o vento do Malecón e aceitar o ritmo do Caribe. Eu senti Barranquilla. E isso mudou a minha relação com a cidade. O desejo de ir embora amanhã se dissipou.

💡 DICAS!

  • Nem todo dia precisa ser intenso: férias também são feitas de pausa, de ficar quieta, de olhar pela janela e não fazer nada.
  • Prova as comidas típicas: o suco vermelho e os fritos de mandioca com carne são experiências autênticas da culinária costeira — simples e deliciosas.
  • Aceita o ritmo da cidade: Barranquilla é mais calma, mais quente, mais cotidiana. E tudo bem — nem todo destino precisa ter o ritmo vibrante de Cartagena.
  • Lição do dia: “Viajar pra sentir” é bem diferente de “viajar pra ver”. E sentir exige presença, silêncio e um coração aberto.

Dia 23 – O encanto do Carnaval, o calor de La Cueva e o fim da linha em Barranquilla

Acordei tranquila, sem pressa. Desci pra tomar o café da manhã — o mesmo esquema de sempre: pão, ovos, …, e o suco vermelho que já virou parte da minha rotina aqui. Subi, me arrumei e saí pra fazer o passeio que mais me despertava curiosidade: o Museu do Carnaval.

E que experiência incrível 🎭✨.
O Carnaval de Barranquilla é um dos maiores e mais antigos da América Latina, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.

O museu é um mergulho na cultura caribenha: cores vibrantes, máscaras, fantasias, tambores, danças e um orgulho imenso pelo que eles chamam de “la fiesta más grande de Colombia”. Cada sala é uma explosão de energia e tradição, mostrando como o carnaval une o povo, mistura raízes africanas, indígenas e espanholas — é o coração pulsante de Barranquilla. Saí de lá encantada, feliz por ter conhecido esse pedaço tão vivo da história da cidade.

Voltei pro hotel rapidinho, só pra me refrescar, e depois fui conhecer outro ponto que eu queria muito: o La Cueva, o famoso reduto do Gabriel García Márquez e de outros artistas, escritores e pensadores da época dourada de Barranquilla.
Lá, eles se reuniam pra conversar sobre literatura, política, filosofia e vida — e ainda dá pra sentir essa aura criativa pairando no ar.

La Cueva


O almoço estava delicioso: pedi um prato típico, o atendimento foi ótimo, e o ambiente é cheio de charme, com fotos antigas e referências ao realismo mágico espalhadas pelas paredes.

Depois do almoço, voltei pro hotel, tirei o suor, deitei e fiquei no quarto descansando, arrumando minhas coisas e organizando a mala pra seguir viagem pra Cartagena no dia seguinte. Até que, por volta das cinco e meia, resolvi encaixar o treino que faltava: uma corridinha de 25 minutos.

Fui até a academia do hotel, mas foi um caos.
A esteira não ligava, ninguém sabia como funcionava, demoraram uma eternidade pra achar o controle do ar-condicionado, e a sala estava insuportavelmente quente. Depois de meia hora, finalmente consegui correr — a esteira era inclinada, o que me obrigou a reduzir a velocidade, mas pelo menos consegui concluir o treino.

Subi, troquei de roupa, botei meu biquíni e desci pra fazer o meu ritual: ficar na piscina, relaxar, jantar ali, olhar o pôr do sol.
Mas, pra minha surpresa (e irritação), a piscina estava interditada por causa de um casamento.
Fiquei indignada 😤 — reclamei na recepção, mas disseram que não seria possível usar a piscina naquela noite.
Voltei pro quarto bufando, frustrada, impedida de usar um espaço que havia pago por.

Depois de um tempo, mais calma, desci pro restaurante pra pelo menos jantar — demoraram quase uma hora pra servir o meu pedido. Eu estava tão cansada que pedi pra subir pro quarto e comer lá mesmo. Quando finalmente chegou, veio acompanhado de uma tortinha de limão como pedido de desculpas pela demora 🍋 — um gesto simpático, mas que não apagou o incômodo.

A verdade é que a energia de Barranquilla não era para mim.
Oscilei em amar e odiar ao mesmo tempo. E tudo bem, tudo foi experiência.
Seguimos a viagem pra Cartagena, pronta pra recomeçar. ☀️💛

💡 DICAS!

  • Conhece o Museu do Carnaval: mesmo que tu não seja fã de festas populares, vale a visita. É um mergulho lindo na identidade e na alegria do povo colombiano.
  • Almoce no La Cueva: o reduto de Gabriel García Márquez é parada obrigatória pra quem ama literatura, arte e boa comida. A história do lugar se sente nas paredes.
  • Confere a estrutura do hotel antes: se tu é como eu — que gosta de treinar mesmo viajando —, pergunta sobre academia, horários e ar-condicionado antes de reservar.
  • Nem tudo precisa funcionar perfeitamente: às vezes, o treino não sai, o jantar demora, o casamento toma tua piscina — e é isso. Viajar também é praticar paciência.

Barranquilla foi, sem dúvida, o meu maior desafio nessa rota. Entre a vontade de sair correndo e os momentos em que a cidade me surpreendia justamente por não tentar me agradar, vivi uma relação de amor e ódio. O centro caótico e o ritmo pacato de uma cidade zero turística me tiraram da zona de conforto, mas me ensinaram a olhar para a Colômbia sem filtros. Agora, com o aprendizado na bagagem, é hora de buscar o frescor do mar. No próximo post, deixo o asfalto árduo para trás e mergulho no charme de Cartagena e no azul surreal de Isla San Andrés. Vamos para a última parada?

Sobre Ju Mostardeiro

Juliana Paul Mostardeiro é fundadora do Aqui é Assim, um espaço que une sua paixão por viajar à vontade de aproximar as pessoas de experiências transformadoras e estimulá-las a colocar uma mochila nas costas para ampliar sua visão de mundo. Ela acredita que viajar é uma das formas mais potentes de conexão humana e autodescoberta. Jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Liderança Exponencial, possui uma trajetória sólida no universo corporativo. Baseada em Florianópolis, utiliza sua expertise em liderança e gestão para desenvolver pessoas. Acredita em uma liderança humanizada e em ambientes modernos de trabalho que estimulem as competências únicas de cada um.

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