Roteiro completo da minha aventura em terras chilenas
Bom, conhecer o Chile sempre esteve nos meus planos. Fazia tempo que esse país estava na minha lista de destinos desejados. E finalmente eu consegui me planejar para fazer esta viagem de 10 dias pelo país.
Hora de conferir, neste post do Aqui É Assim, o relato de como foi a minha experiência em terras chilenas: os 10 dias pela região, os passeios, os perrengues que eu passei, os lugares incríveis que visitei e as pessoas que cruzaram o meu caminho.
Espero que curtam.

O planejamento
Para vencer o medo, pensei: “vou na CVC, tentar destravar essa pequena viagem de 10 dias para o Chile da mesma maneira que fiz para Maceió”.
Na viagem para Maceió, eu não pensei duas vezes: entrei em uma agência da CVC, fechei meu pacote de 10 dias e não precisei me preocupar com absolutamente nada. Então lá fui eu, na mesma CVC que me atendeu naquela época, para planejar a viagem ao Chile.
Era final de abril, e eu estava com minha amiga Carol hospedada aqui em casa. Ela me acompanhou porque queria me ajudar a tirar essa ideia do papel. A Carol estava planejando passar 40 dias na Europa, então ela me incentivava muito a embarcar na minha própria aventura internacional.
Naquele sábado, tínhamos outras coisas programadas, mas decidimos passar na CVC. E quando cheguei, foi um choque: os preços estavam absurdamente altos. Fiquei apavorada.
Na hora pensei: “Não posso gastar todo o meu dinheiro em apenas 10 dias no Chile, porque ainda quero fazer a viagem para a Colômbia em outubro”. Eu desloquei a viagem da Colômbia de abril para outubro — e não poderia comprometer todo o meu orçamento com apenas uma viagem curta.
Cheguei em casa decidida: “eu mesma vou precisar planejar essa viagem para o Chile”.
Lembro direitinho: sentei na mesa do meu escritório enquanto a Carol estava no quarto de visitas comprando as passagens dela para a Europa. Abri a planilha que sempre uso para organizar minhas viagens — é uma planilha bem completa, onde monto roteiro, custos e logística. Primeiro, eu defini os dois destinos que eu não abria mão: Santiago do Chile e o Deserto do Atacama. Se era para ir ao Chile, eu precisava conhecer o deserto.
Com as férias já planejadas para aquele período, calculei os 10 dias de viagem, fechei as datas de ida e volta e comecei pela parte mais importante: os voos. Escolhi a Latam, companhia em que confio bastante. Comprei:
- Florianópolis → Santiago → Florianópolis
- Santiago → Calama (cidade mais próxima de San Pedro de Atacama)
Depois de garantir os voos, fui atrás das hospedagens. Reservei os dois hotéis pelo Booking (um em Santiago e outro em San Pedro). Em seguida, tracei o planejamento dos passeios, distribuindo cada dia de acordo com o tempo disponível.
Curiosamente, tudo aconteceu em menos de 48 horas:
- No sábado, fui à CVC, olhei preços e estrutura.
- No domingo, já tinha comprado passagens e reservado hotéis por conta própria.
O melhor de tudo? Economizei cerca de R$ 6.000,00 em comparação ao que teria gasto fechando com a agência. Ou seja, usei o planejamento da CVC como inspiração e coragem, mas acabei montando meu próprio roteiro sozinha — do meu jeito, no meu tempo, e ainda gastando muito menos.
Referente aos passeios, usei como principal referência a plataforma Tripadvisor. Tenho perfil lá há muitos anos e sempre utilizo para conferir avaliações, recomendações de empresas, valores médios, além de dicas de restaurantes e atrações. Foi a partir dali que montei a lista de lugares que gostaria de visitar no Chile. Além disso, conversei com dois amigos que haviam viajado recentemente para o país e peguei sugestões práticas com eles.
O Tripadvisor até permite a compra de passeios pela própria plataforma. Eu nunca havia utilizado esse recurso, e confesso que sempre preferi fechar passeios localmente, porque costuma ser bem mais barato. Na viagem a Maceió, por exemplo, contratei três passeios pela CVC e, chegando lá, percebi que teria economizado bastante se tivesse fechado direto com as agências locais.
Esse aprendizado ficou comigo. Só que, como o Chile seria minha primeira viagem internacional sozinha em 10 anos, quis sentir mais segurança e decidi fechar tudo ainda no Brasil. Não contratei absolutamente nada no Chile.
Hoje me arrependo: poderia ter fechado diretamente na recepção dos hotéis, que oferecem recomendações seguras e preços melhores. É um aprendizado que já vou aplicar na viagem à Colômbia — lá, vou fechar apenas voos e hospedagens com antecedência, e deixar os passeios para organizar localmente, conversando com amigos que moram no país e com os próprios hotéis.
Na prática, meu planejamento ficou assim:
- Pesquisei os passeios no TripAdvisor.
- Comparei os preços no Booking, onde encontrei a maioria deles (e aproveitei por já ser Genius 2 que dá descontos, benefícios e cancelamento gratuito).
- Fechei três passeios pelo Booking, junto com as hospedagens.
- Apenas um passeio, no Deserto do Atacama, reservei pelo Tripadvisor, porque estava mais em conta do que no Booking.
Além das plataformas, utilizei minha planilha personalizada para organizar minhas viagens. Nela, distribuo os dias, cálculo custos, monto o roteiro e anoto as principais dicas. Foi fundamental para estruturar tudo em tão pouco tempo.
No fim, percebi que para viagens internacionais me sinto muito mais segura usando o Booking do que o Airbnb. Enquanto o Airbnb é ótimo para o Brasil, para fora prefiro a garantia da plataforma do Booking.
E aqui já deixo meu aprendizado: quando possível, vale a pena contratar passeios localmente. Além de mais barato, é mais flexível e você pode receber recomendações personalizadas diretamente no balcão do hotel.
Datas e destinos
Minha viagem aconteceu entre os dias 19 e 29 de junho, totalizando 10 dias no Chile.
- 19 de junho (quinta-feira): saída de Florianópolis em direção a Santiago.
- 20 a 24 de junho (sexta a terça-feira): permaneci em Santiago, aproveitando a capital e arredores.
- 25 de junho (quarta-feira): viagem de Santiago até San Pedro de Atacama, passando pelo aeroporto de Calama.
- 26 a 28 de junho (quinta a sábado): fiquei no Deserto do Atacama, explorando suas paisagens únicas.
- 29 de junho (domingo): retorno de San Pedro de Atacama a Santiago e, em seguida, voo de volta para Florianópolis.
No total, foram 6 dias em Santiago e 4 dias no Atacama, duas experiências completamente diferentes, mas que se complementaram perfeitamente no roteiro.
Passeios programados
Durante os 10 dias no Chile, eu consegui mesclar bem a experiência entre a vida urbana de Santiago e a natureza deslumbrante do Deserto do Atacama. Segue o planejamento por período nos destinos (às alterações realizadas eu vou contar dentro de cada dia da viagem).
Em Santiago (20 a 24 de junho)
Na capital, explorei tanto pontos turísticos icônicos quanto lugares menos óbvios:
- Sky Costanera, o prédio mais alto da América Latina, de onde se tem uma vista incrível de 360° da cidade e da cordilheira.
- Mercado Providencia, com sua atmosfera típica chilena.
- Passeio de dia inteiro a Viña del Mar e Valparaíso, com parada na vinícola Casablanca Emiliana.
- Parque Metropolitano, acessado pelo teleférico até o Santuário de la Inmaculada Concepción, no alto do Cerro San Cristóbal.
- Catedral Metropolitana, o Museo Chileno de Arte Precolombino e o Palácio de La Moneda, no centro histórico.
- Passeio à Cordilheira dos Andes, incluindo o Cajón del Maipo.
- Vinícola Cousiño Macul, uma das mais tradicionais do Vale do Maipo.

No Deserto do Atacama (25 a 28 de junho)
A imensidão e diversidade do deserto renderam experiências completamente diferentes a cada dia:
- Dia 1: Laguna Cejar (onde é possível flutuar devido à alta concentração de sal) e o famoso Tour Astronômico, observando o céu mais limpo do planeta.
- Dia 2: Gêiseres del Tatio, espetáculo natural que acontece no nascer do sol, e o Vale da Lua, com paisagens que parecem de outro planeta.
- Dia 3: Pedras Vermelhas e as Lagoas Altiplânicas, em plena altitude, cercadas por vulcões e montanhas nevadas.

Hospedagem
Todas as minhas reservas foram feitas pelo Booking, plataforma que eu sempre utilizo em viagens internacionais. A estratégia foi simples: filtrar pelas minhas datas, definir uma faixa de valor de diária confortável e, dentro disso, escolher os hotéis mais bem avaliados pelos hóspedes.
Acabei optando por duas hospedagens que me surpreenderam positivamente: o Andes Suites, em Santiago, e o Hotel Jardín de Atacama, em San Pedro.
Andes Suites – Santiago
Endereço: Guardia Vieja, 150, Providência, Santiago, Chile.
Fiquei hospedada em um Apartamento de 1 Quarto (2 adultos), que na prática é um flat completo: cozinha equipada (geladeira, fogão, microondas, utensílios), salinha de estar, banheiro com banheira e até varanda com vista da cidade. Essa estrutura me deu total autonomia para cozinhar e organizar refeições, o que ajudou bastante a economizar, já que o Chile não é um destino barato.
Foram 6 diárias (19 a 25 de junho), com café da manhã incluído, pelo valor aproximado de R$ 2.581 (US$ 477,12) já com desconto Genius do Booking.
A localização foi excelente: apenas 800 metros do Sky Costanera, um dos pontos turísticos mais icônicos de Santiago, em uma região segura e bem servida de mercados, restaurantes e transporte público.
Hotel Jardín de Atacama – San Pedro de Atacama
Endereço: Gustavo Le Paige 159, San Pedro de Atacama, Chile.
Aqui fiquei em um Quarto Econômico com cama de casal (ou opção de duas de solteiro). A hospedagem é simples, mas muito acolhedora. O quarto tinha banheiro privativo, aquecimento e internet de alta velocidade. Além disso, havia áreas comuns agradáveis, com chá, café e água disponíveis 24 horas.
Foram 4 diárias (25 a 29 de junho), com café da manhã incluído, pelo valor aproximado de R$ 2.011 (US$ 371,80), também com desconto Genius aplicado.
A localização foi outro ponto forte: apenas 3 minutos de caminhada da Rua Caracoles, a principal de San Pedro, onde ficam restaurantes, lojinhas e agências de passeios.
Minha experiência
Nos dois casos, antes de reservar, conferi as localizações pelo Google Maps, para garantir que estava em áreas seguras e estratégicas. Essa checagem foi essencial para eu me sentir tranquila.
Ambos os hotéis atenderam muito bem às minhas expectativas. O Andes Suites ofereceu praticidade e conforto, enquanto o Jardín de Atacama trouxe simplicidade e acolhimento. São hospedagens que certamente repetiria em uma próxima viagem.
A documentação, dinheiro, internet
Feito o planejamento, definidas as datas e os destinos, programados os passeios e verificada a hospedagem, chegamos à última parte: olhar com bastante cuidado a documentação de entrada no país, a questão do dinheiro e como garantir internet para se comunicar fora do Brasil.
Documentação
- Passaporte ou RG: para o Chile, brasileiros não precisam de visto. É possível entrar com passaporte válido ou RG em bom estado, desde que emitido há menos de 10 anos. Eu optei pelo passaporte.
- Declaração Jurada: formulário online obrigatório antes da viagem.
- Papel do PDI: entregue no controle migratório na chegada, deve ser guardado até a saída.
Carteira de Vacinação: sempre importante verificar vacinas exigidas para entrar no país. Eu levei a CIVP (Certificação Internacional de Vacina e Profilaxia) da febre amarela e minha carteirinha nacional, com vacinas de hepatite e Covid. Para o Chile, não houve exigências específicas, mas achei importante estar preparada. - Seguro Viagem: ativei a cobertura do meu cartão Black da Visa alguns dias antes de embarcar. O processo foi simples, direto no site da bandeira. Não contratei seguro separado.
Dinheiro
Usei pouquíssimo peso chileno. A maior parte dos gastos foi no cartão de crédito internacional, o que me permitiu pagar hospedagens sem o IVA de 18%.
Além disso, utilizei os cartões Nomad e Wise para despesas do dia a dia:
- Dividi meu orçamento (alimentação, souvenirs e extras) em partes iguais entre as duas contas.
- Levei o cartão físico da Nomad e usei o Wise digital pelo Google Wallet.
- Sempre deixava um cartão no cofre do hotel junto com o passaporte, carregando apenas um comigo para reduzir riscos.
Essa organização me deu tranquilidade e controle sobre os gastos.
Internet
Minha primeira tentativa foi com o Vivo Easy, mas não funcionou bem no Chile, apesar da promessa de cobertura na América Latina. Não recomendo.
Em seguida, ativei o eSIM da Nomad e foi a melhor decisão. A internet funcionou perfeitamente em todos os lugares — inclusive durante passeios no Atacama.
Como a viagem durou 10 dias, acabei comprando dois pacotes menores. Para evitar esse tipo de situação, recomendo sempre adquirir um pacote de pelo menos 20 dias. Assim, sobra internet mesmo que você consuma bastante WhatsApp, mapas ou redes sociais.
Eu, por exemplo, gosto de postar nos stories do blog durante os passeios e deixo os vídeos mais pesados para quando retorno ao hotel. O chip da Nomad deu conta de toda a minha viagem.
Mala e gatos
A parte da mala sempre é um desafio para mim, porque eu não sei levar pouca coisa. Dessa vez, comecei a arrumar com cerca de 15 dias de antecedência e, mesmo assim, foi caótico: coloquei mais roupas do que realmente usei. Saí do Brasil com 22 kg e voltei com 28 kg, principalmente por causa dos vinhos e presentes que comprei.
O Chile é um país frio e eu estava com medo de passar perrengue. As temperaturas lembram muito as da minha cidade natal, Santa Maria (RS), mas com uma diferença importante: lá é úmido, enquanto no Chile o clima é seco — e no Atacama ainda mais, considerado o deserto mais árido do planeta. A sensação térmica era sempre mais baixa do que a registrada, então se marcava 1 °C, a sensação podia ser de –4 °C ou –5 °C.
Por isso, levei muitas peças de inverno: roupas térmicas, casacos, fleece e aquele puffer mais volumoso. No fim, percebi que poderia ter levado menos. O que mais usei foram as roupas térmicas e os fleeces, que pesam menos e são super eficientes. Já os blusões de tricô, por exemplo, acabei nem usando.
Foi conversando com uma amiga que descobri que a região dos Gêiseres del Tatio, o terceiro maior campo geotérmico do mundo, chega a temperaturas entre –15 °C e –18 °C. Mesmo tendo investido em roupas térmicas, eu não tinha casaco para aguentar isso.
Cheguei a comprar um casaco no site da Cordilheira, modelo 3 em 1 (corta-vento, impermeável e térmico), ideal para temperaturas extremas. Mas o atendimento foi péssimo: mandei mensagem, me prontifiquei a pagar por um envio urgente, mas infelizmente demoraram muito para responder. O casaco acabou chegando no dia em que eu já estava voando para Santiago.
Como não tinha recebido o casaco, precisei improvisar: comprei um modelo na Decathlon, que aguentava até –5 °C, e também uma calça térmica, que usei no Cajón del Maipo. O casaco serviu bem para a maior parte da viagem, mas não seria suficiente para os –15 °C dos gêiseres. Esse passeio acabou sendo cancelado por conta das condições climáticas do deserto do Atacama. Vivi condições raríssimas por lá, e por isso o tour vai ficar para uma segunda volta ao Atacama — que com certeza merece ser feita.
Além disso, fui à loja Columbia em Florianópolis, onde comprei uma bota impermeável — item indispensável, porque eu realmente não tinha calçado adequado para frio com neve.
DICA! Se o destino tiver frio intenso e neve, as roupas precisam ser impermeáveis. Isso vale para casacos, calças e calçados. O contato com a neve derrete e encharca a roupa, o que pode intensificar o frio e causar desconforto extremo. Investir em peças impermeáveis garante que você permaneça aquecido e protegido, mesmo em contato direto com a neve.
Outro aprendizado: sapatos. Levei duas botas impermeáveis, mas poderia ter levado apenas uma, junto com uma bota de couro, um par de tênis e uma pantufa. Para viagens curtas de inverno, isso já resolve. E se alguma coisa estragar, sempre existe a opção de comprar no país.
O excesso de bagagem, claro, pesou no bolso. Então já deixei uma meta para a próxima viagem: para a Colômbia, que será majoritariamente quente, quero sair com 17 kg. Assim, terei espaço para voltar com até 25 kg, trazendo lembranças sem pagar multa.
Sobre os gatos: meus 3 gatos já estão acostumados com a rotina de viagem. Sempre ficam na Hospedagem Bigodinhos, desde filhotes. Um dia antes do embarque, já deixo tudo organizado: vermífugo, pesagem e o que mais for necessário.
É um local de total confiança, onde eles ficam bem cuidados e confortáveis, podendo aguentar períodos mais longos, de até 25 ou 30 dias. O custo da hospedagem varia conforme a temporada: cerca de R$160 a diária na alta e R$150 na baixa. Como são três, recebo desconto no pacote, o que ajuda a equilibrar o orçamento.
Prefiro deixá-los lá do que contratar uma cat sitter, porque sei que eles já conhecem o ambiente, ficam tranquilos e eu viajo com o coração em paz.
Chegamos, então, ao final do planejamento: a definição das datas e destinos, a organização dos passeios, a escolha da melhor hospedagem, a documentação necessária, o dinheiro, a internet e, claro, a mala — além dos cuidados com os pets para quem tem.
Agora é o momento de descobrir como foi a minha aventura em terras chilenas. A partir dos próximos parágrafos, vou contar aqui, dia por dia, como foi essa incrível experiência nesse país que fica tão perto do Brasil. Estou em Florianópolis e, em apenas 4 horas de voo, já estava vivendo intensamente o Chile.
Dia 1 – Chegada a Santiago (19/06)
Acordei às 6h, tomei uma ducha, me arrumei, tomei café da manhã e finalizei alguns detalhes da casa: desligar tomadas, luzes, retirar o lixo… aquela checagem final antes de viajar. Às 7h45 já estava dentro do Uber, reservado no dia anterior. Esse pequeno cuidado fez toda a diferença para começar a viagem tranquila.
Cheguei ao aeroporto às 8h05 e, em menos de meia hora, já tinha finalizado todos os trâmites. Às 8h30 estava na área de embarque internacional, com tempo para ir ao banheiro e tomar mais um café (bem inflacionado 😅) até a hora do voo. O embarque foi às 11h20, mas o avião decolou mesmo às 11h33. Foram 3 horas tranquilas, com apenas um pouco de turbulência na primeira hora.
A vista das cordilheiras lá do alto foi de tirar o fôlego. Eu já tinha tido a oportunidade de ver quando viajei a Mendoza, mas é muito diferente atravessar a Cordilheira dos Andes no inverno: branquinhas, imponentes, emocionantes.

Essa viagem tem um significado especial: é a minha primeira internacional sozinha depois de 10 anos. Me senti reencontrando a Juliana aventureira — aquela que viaja, que descobre e que explora o mundo.
Pousamos por volta das 15h, mas com o fuso horário local era 14h. O aeroporto de Santiago é gigantesco e estava cheio porque vários voos internacionais tinham chegado ao mesmo tempo. A fila do controle migratório estava longa, mas tudo correu bem: carimbaram meu passaporte e me entregaram o papel do PDI, que deve ser guardado com cuidado até a saída do país (guardei no cofre do hotel).
Um dia antes já havia feito a Declaração Jurada online, obrigatória para entrada no Chile. Na hora do controle, encontrei apenas um cão farejador e um policial à paisana. Sem problemas.
Como reservei hospedagem pelo Booking, ganhei um transfer gratuito. A motorista, Vanessa, entrou em contato comigo pelo WhatsApp no dia anterior, monitorou minha chegada e todo o processo migratório, e me levou em segurança até o apartamento. No caminho, ainda me deu algumas dicas e elogiou meu espanhol — uma recepção calorosa.
O check-in foi no Andes Suite, anexo ao hotel Diego Velázquez, na Guardia Vieja 150. O espaço é estilo flat: cozinha equipada, salinha, banheiro e sacada. Gostei bastante, principalmente porque não costumo jantar pesado fora e prefiro ter a opção de cozinhar. Optei por pagar em cartão de crédito internacional, em dólar, para não pagar os 18% de IVA cobrados em hospedagens no Chile. Deu certo e foi um bom alívio no orçamento.
Depois de deixar as malas, saí para correr — afinal, era dia de treino. Fiz uma boa caminhada/corrida de reconhecimento local. Vi que estava muito perto do Sky Costanera. Reparei também em alguns detalhes culturais: os chilenos fumam bastante, usam bicicleta como meio de transporte e, claro, o frio é intenso.

Quando escureceu, senti falta dos óculos de grau (tinha saído apenas com os de sol). Voltei ao hotel, peguei os óculos e aproveitei para perguntar na recepção onde ficava o supermercado mais próximo. Fui até lá, comprei itens básicos e gastei cerca de 32 mil pesos (aprox. R$ 186). Voltei, cozinhei no apartamento e já deixei pronto o almoço do dia seguinte.


A cama e a ducha do Andes Suite se mostraram muito confortáveis. Recomendo a experiência. No final do dia, adormeci feliz: as férias em Santiago estavam oficialmente começando.
Dia 2 – Trabalho e Sky Costanera
Acordei por volta das 7h/7h30 e fui tomar café às 8h30 (horário de Brasília), que já eram 8h locais em Santiago. Voltei para o hotel e trabalhei até as 15h. Tive três reuniões e o dia começou como uma sexta-feira comum de home office.
Meu grande objetivo do dia era visitar o Sky Costanera, o prédio mais alto da América do Sul, com mais de 300 metros de altura e vista panorâmica de 360° de Santiago e da Cordilheira dos Andes. Embora digam que a vista mais bonita seja de manhã, a motorista do meu transfer havia sugerido ir no final da tarde para ver o pôr do sol. Decidi seguir o conselho.

Almocei no apartamento (comi pão e ovos, algo mais leve), trabalhei, me arrumei e saí caminhando cerca de 15 minutos até o Sky Costanera. Antes de subir, passei pelo Mercado Urbano Tobalaba (MUT), um shopping moderno de cinco andares com jardim aberto. O local estava lotado, mas é bonito e vale a visita. Fiquei uns 25 minutos, tirei algumas fotos e segui.



Entrando no Costanera Center, passei pelo Hard Rock Café Santiago — como coleciono itens, comprei uma camiseta e um pin em formato de guitarrinha.
Na hora de acessar o Sky, houve um detalhe importante: um atendente me orientou a subir até o quinto andar do Costanera Center para comprar o ingresso, mas essa informação estava incorreta. O acesso à bilheteria do Sky Costanera é feito no piso térreo do shopping, e é ali que se compra o ticket.
No Sky Costanera:
- Entrada: 18.000 pesos chilenos (aprox. R$ 100).
- Elevador direto até o 61º andar, em menos de 1 minuto.
- Lá em cima, ainda é possível subir mais um nível pela escada até o 62º andar, o ponto mais alto do mirador.

Cheguei às 16h e fiquei até 19h, vivenciando três experiências em uma só visita: o sol da tarde, o pôr do sol atrás da cordilheira e a cidade iluminada à noite. Fiz muitas fotos e vídeos — cada horário tinha sua própria beleza.
DICA! Vale muito a pena visitar o Sky Costanera no fim da tarde. Assim, com o mesmo ingresso, você consegue aproveitar três momentos diferentes: a vista diurna, o pôr do sol e a cidade iluminada à noite.







Como havia feito apenas um almoço leve, aproveitei para jantar no alto. Curti a vista e saboreei um delicioso prato de salmão com batatas rústicas, salada e um drink no 300 Sky Café Bar. Estava tudo excelente, e o drink, embora tenha me deixado levemente tonta (não costumo beber), foi uma forma de celebrar o início das férias.


Na saída, às 19h30, encontrei uma lojinha de souvenirs e comprei peças em cobre: um ímã magnético e um marcador de páginas. Gostei porque cobre é um dos símbolos do Chile, maior produtor mundial desse mineral.
Saindo do Sky Costanera, no quinto andar do shopping, vi algumas sorveterias maravilhosas, mas estavam muito cheias, mesmo com todos este frio, e fiquei frustrada. Então comprei bombons chilenos na Varsovienne, uma marca tradicional de chocolates no país.
Depois, caminhei cerca de 15 minutos de volta para casa. Embora estivesse um pouco receosa, a caminhada foi tranquila. Santiago parece uma cidade organizada e relativamente segura, mesmo sem tanta presença policial nas ruas.
Terminei a noite revisando os detalhes do passeio do dia seguinte para Valparaíso e Viña del Mar, quando teria a oportunidade de colocar os pés nas águas do Oceano Pacífico pela primeira vez.
ℹ️ Curiosidade sobre o Sky Costanera: inaugurado em 2015, o mirador faz parte do complexo Costanera Center, que além da torre conta com o maior shopping da América do Sul. O elevador leva apenas 45 segundos para atingir o topo, a 300 metros de altura, proporcionando a vista mais alta da América Latina.
Dia 3 – Viña del Mar e Valparaíso
Esse foi o dia do tão esperado passeio para Viña del Mar e Valparaíso.
Antes mesmo de sair do Brasil, entrei em contato com todas as empresas contratadas pelo Booking para confirmar se os passeios estavam garantidos. Para esse dia, meu guia seria o Edu, que me pediu para estar pronta às 7h45. Achei o horário ótimo.
Acordei às 5h30, tomei banho, me arrumei e às 6h30 já estava pronta. Fui tomar café no hotel, mas descobri que o “café expresso” oferecido era apenas pão e café — e, para piorar, já não havia pão disponível. Como achei que demoraria para repor, voltei ao apartamento. Ainda bem que tinha comprado pão, presunto e queijo no mercado, então preparei meu próprio sanduíche, tomei café e segui minha rotina.
Às 7h45 em ponto, o Edu chegou. Ele foi um guia muito simpático, cheio de histórias interessantes. O grupo era pequeno: eu, uma família brasileira e um casal colombiano. Como geralmente os casais interagem entre si, não houve muita conversa, mas o clima foi agradável.
No caminho, paramos em uma feirinha típica de estrada, cheia lojas de artesanato, roupas de frio, bijuterias e vinhos. Eu estava um pouco enjoada porque mexi no celular dentro da van, mas passou rápido. Tentei comprar uma pedra de lápis-lazúli — gema rara, encontrada apenas no Chile e em algumas regiões do Afeganistão, formada pela fricção das placas tectônicas. Não consegui, porque o cartão pediu PIN e eu não lembrava. Acabei comprando apenas uma luva que passou normalmente em outra loja.
Durante o trajeto, o Edu compartilhou várias curiosidades sobre o país:
- O Chile tem apenas 150 km de largura, mas se estende de norte a sul por mais de 4.000 km.
- Está localizado entre duas placas tectônicas, por isso os abalos sísmicos são frequentes.
- São mais de 2.000 vulcões, dos quais 150 ainda ativos.
- Só naquela manhã, enquanto estávamos na estrada, já tinham ocorrido 12 tremores (sem impacto).
- As principais forças da economia são a mineração (especialmente do cobre), a pesca e o turismo.
- Contou também histórias da ditadura de Pinochet e episódios marcantes da política chilena.
Viña del Mar
A primeira cidade visitada foi Viña del Mar, conhecida como a “Cidade Jardim”. Fizemos três paradas principais:
- Relógio de Flores – ponto turístico clássico para fotos.
- Orla de Viña del Mar – momento especial: coloquei a mão nas águas do Oceano Pacífico. Como já conheço o Atlântico e o Índico, faltava o Pacífico. Foi emocionante completar essa “trilogia dos oceanos”.
- Região de pescadores – onde avistei leões-marinhos e várias aves. Apesar do tumulto, foi divertido.
Fizemos uma parada também em frente a um museu que exibia um Moai da Ilha de Páscoa. O guia contou que muitos foram derrubados no passado por descrença e que hoje a comunidade Rapa Nui reivindica a devolução das estátuas espalhadas pelo mundo (há exemplares em Viña, Londres e outros lugares).
O guia comentou ainda que Viña del Mar é como a Balneário Camboriú dos chilenos, destino de férias e veraneio para as famílias ricas de Santiago.






Valparaíso
De Viña seguimos para Valparaíso, cidade vizinha, artística e boêmia, considerada Patrimônio Mundial da UNESCO. Caminhamos pelo centro histórico, subimos de funicular até os morros cheios de casinhas coloridas, ouvimos histórias de artistas locais e apreciamos a vista da baía.
Foi em Valparaíso que finalmente comprei um pingente de lápis-lazúli, além de algumas peças em cobre — dois símbolos importantes do Chile.
Almoçamos em um restaurante local. Pedi costela de cerdo com legumes, prato típico e muito saboroso.









Vinícola Emiliana
No retorno a Santiago, paramos na Vinícola Emiliana, uma vinícola orgânica e biodinâmica. Fizemos uma degustação de vinhos, caminhamos entre as parreiras e até alimentamos as alpacas que vivem na propriedade. Foi um passeio leve e descontraído para fechar o dia.



Cheguei cedo em Santiago, por volta das 17h30. Liguei para meu pai para contar do passeio. Foi um dia intenso, cheio de história, cultura e momentos marcantes.
DICA! Se for a Valparaíso, vá de tênis ou sapatos confortáveis. A cidade é cheia de ladeiras e escadarias, e você vai caminhar bastante. Para Viña del Mar, não deixe de levar um agasalho: mesmo em dias ensolarados, o vento vindo do Pacífico é gelado.
No próximo post, seguimos contando como foram os outros passeios em Santiago e nossa aventura no deserto mais árido do mundo.
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