Série Chile: uma viagem inesquecível – parte II

Roteiro completo da minha aventura em terras chilenas

Na segunda parte desta série pelo Chile vamos conferir os demais passeios pela capital Santiago e como foram os dias de aventuras no Deserto do Atacama, considerado o deserto mais árido do mundo.

Santiago

Dia 4 – Domingo em Santiago: corrida, Parque Metropolitano e centro histórico

Domingo começou cedo: acordei por volta das 7h, tomei café e às 9h já estava na rua para cumprir uma das minhas metas das férias — manter os treinos. Corri pela Avenida Costanera, uma experiência bem diferente da primeira vez (na quinta-feira). No dia do meu primeiro treino, tinha me sentido desconfortável, pois a pista era dividida entre pedestres e ciclistas, mas só havia bicicletas. No domingo, havia muitos corredores e me senti mais à vontade.

Corrida na capital do chile

No final da corrida, fui desacelerar caminhando na pista de ciclistas e acabei levando um susto: um ciclista gritou no meu ouvido. Fiquei chateada na hora, mas logo passou.

De volta ao hotel, tomei banho, me arrumei e segui para conhecer o Parque Metropolitano, uma das principais áreas verdes da cidade. Peguei o teleférico, que me pareceu complicado à primeira vista, mas foi super fácil. Precisei pagar com cartão de crédito internacional, já que os cartões de débito (Wise e Nomad) não funcionaram. O ingresso custou 3.850 pesos chilenos ida e volta (aprox. R$ 22).

O teleférico sobe rápido e tem três estações:

  • Fui direto até o ponto 3, onde fica o Cerro San Cristóbal. A vista panorâmica da cidade lá de cima é linda, comparável à do Sky Costanera, mas com mais natureza ao redor. No topo, há também um santuário religioso.
  • Depois, desci até o ponto 2, onde experimentei um sorvete artesanal.
  • O parque é enorme, ótimo para caminhadas, corridas e passeios de bicicleta. A entrada é gratuita; só se paga por atividades extras, como o teleférico.

Informações práticas sobre o teleférico do Parque Metropolitano

Preços (ida e volta por adulto – valores aproximados):

  • De terça a sexta: $3.850 CLP
  • Sábado, domingo e feriados: $4.620 CLP

Opção combinada:  É possível comprar apenas um bilhete de ida e fazer o trajeto inverso pelo funicular, aproveitando dois meios de transporte diferentes no mesmo passeio.

Como comprar:

  • Online: diretamente pelo site da Turistik ou em plataformas como Tripadvisor.
  • No local: nas portarias das estações do teleférico.

Informações úteis:

  • Estações: Oasis, Tupahue e Cumbre, conectando diferentes pontos do Cerro San Cristóbal.
  • Incluso no bilhete: ida e volta + possibilidade de até 4 horas de passeio pelas atrações do parque.

DICA! Para visitar o Parque Metropolitano, prefira levar um cartão de crédito internacional. Os cartões de débito (como Wise ou Nomad) não funcionaram nas máquinas de pagamento do teleférico.

Após a visita, voltei para casa, troquei de roupa e decidi conhecer o centro histórico de Santiago. Peguei o metrô pela primeira vez. Estava com receio, mas foi tranquilo: comprei o cartão (precisei casar dinheiro no caixa dentro da estação, uma moça me ajudou) carreguei com 4 passagens e consegui usar sem problemas.

Palácio de La Moneda

Cheguei em La Moneda por volta das 15h45 e caminhei pela região até as 17h. Foi emocionante ver o Palácio de La Moneda, a Câmara dos Deputados e outros prédios históricos.

Na Plaza de Armas, onde fica a catedral, o clima foi diferente: me senti insegura. Havia muitas pessoas em situação de vulnerabilidade, um ambiente mais carregado. Um homem dentro de um carro falou algo, e temi que desse a volta para me abordar. Atravessei a rua correndo e saí dali rapidamente. Em compensação, na região de La Moneda havia bastante policiamento e me senti mais protegida.

Outro detalhe que chamou atenção foi a grande quantidade de camelôs nas ruas, vendendo roupas, chicletes, figurinhas, utensílios usados.

No fim do dia, voltei de metrô para casa. Como não havia almoçado, improvisei um lanche com pão no apartamento e, mais tarde, saí para jantar em uma ruazinha aconchegante que já tinha notado em dias anteriores. Pedi um prato de comida, provei um pisco mango sour e também um suco de limão com abacaxi. A atendente foi muito simpática, elogiou meu espanhol, e a comida estava deliciosa.

Voltei satisfeita e pronta para descansar, já pensando no passeio do dia seguinte: o Cajón del Maipo.

Dia 5 – Cajón del Maipo e a imponente Represa El Yeso

Este foi um dos passeios mais aguardados da viagem: finalmente conhecer o Cajón del Maipo, entre montanhas altíssimas, que abriga a célebre represa El Yeso.

Na noite anterior, a ansiedade atrapalhou o sono: deitei às 21h, mas só dormi por volta da meia-noite. Acordei às 4h, cedo o suficiente para preparar café, me vestir adequadamente para o frio e me organizar com calma. O “café expresso” do hotel era fraco, então comi apenas um pão no apartamento — essencial para suportar o dia.

Às 6h35 chegou a Van, com 20 minutos de atraso. Desta vez havia muitos brasileiros no grupo, o que sempre cria um clima acolhedor. Saímos por volta das 7h30 em direção à cordilheira. No caminho, fizemos uma parada rápida para café — aproveitei apenas para usar o banheiro e me aquecer, já que estava com os pés congelados. Um casal colombiano puxou conversa, elogiou meu espanhol e, para minha surpresa, tentou me recrutar para a Herbalife 😅.

Antes de continuar, aluguei botas de neve e comprei meias extras por 15.000 pesos, já que minhas botas não tinham cano alto e havia risco da neve entrar.

O trajeto foi desafiador. Estradas sinuosas, gelo acumulado, carros sem tração e até um caminhão atolado, travando a subida, que precisou ser empurrado pelo equipamento que ele carregava. Isto atrasou o passeio em cerca de 2h.

E no meio do caminho tinha gelo

Chegamos à Represa El Yeso por volta das 14h (bem mais tarde do que o previsto). A vista, no entanto, compensou cada segundo de espera: água turquesa cristalina, montanhas nevadas, ar frio e rarefeito, um cenário de tirar o fôlego. Consegui subir até o segundo mirador e tirar fotos incríveis.

Represa El Yeso

Sobre a Represa El Yeso e o Cajón del Maipo

  • Represa El Yeso: construída em 1964, é um reservatório artificial com capacidade para cerca de 250 milhões de m³ de água.
  • Localização: está a aproximadamente 2.500–3.000 metros de altitude na cordilheira.
  • Importância: é vital para o abastecimento de água potável de Santiago e comunidades vizinhas.
  • Paisagem: a cor turquesa da água, o contraste com as montanhas nevadas e o ar rarefeito criam um dos cenários mais icônicos da região.
  • Acesso: pela rota G-455, que no inverno pode ser fechada devido à neve, gelo ou deslizamentos. O uso de veículos 4×4 e correntes (cadenas) é recomendado.
  • Cajón del Maipo: não se resume à represa. É um cânion andino que abriga atividades como trekking, termas, observatórios astronômicos e esportes de aventura, além do vilarejo de San José de Maipo, base de apoio para os visitantes.

Na descida, como piqueniques são proibidos na represa, paramos em um ponto mais baixo. Ali montaram uma mesa simples com comidinhas e bebidas. Estava gostoso, mas insuficiente para um grupo faminto após tantas horas de atraso.

O retorno a Santiago foi cansativo. Cheguei com dor de cabeça, resultado da alternância entre o frio intenso e o calor dentro da van. Parei no primeiro restaurante perto do hotel e pedi arroz, carne e batata frita. Não foi a melhor refeição da viagem, mas cumpriu seu papel. Tomei um multigrip e fui descansar, já pensando no passeio do dia seguinte: a vinícola Cousiño Macul.

DICA! Se for visitar o Cajón del Maipo/El Yeso, vista-se com camadas impermeáveis e alugue botas com cano alto. A estrada pode ficar escorregadia por gelo e o clima muda rapidamente. Escolha sempre operadores turísticos autorizados: o ambiente é lindo, mas exige cuidado e respeito.

Dia 6 – Vinícola Cousiño Macul: um susto e uma experiência inesquecível

Meu último dia em Santiago começou diferente. Finalmente consegui dormir bem, mas acordei resfriada, espirrando bastante. Tomei um multigripe junto com café e acabei passando mal: taquicardia, tontura e tremores. As funcionárias do hotel me ajudaram com chá e água, e ao pesquisar no Google percebi o erro — não se deve misturar multigripe com café. Depois de um tempo, melhorei.

Preparei uma omelete no apartamento, almocei em casa e me organizei para o passeio da tarde: a visita à vinícola Cousiño Macul, uma das mais tradicionais do Chile. Às 14h, o motorista entrou em contato, avisando que eu seria a única passageira. Quando chegou, pediu que eu me sentasse na frente. Durante o trajeto, puxou conversa, mas percebi alguns sinais de alerta: tocava em mim com frequência e chegou a olhar para minhas pernas, onde estava meu celular.

Na chegada à vinícola, pediu que eu esperasse enquanto estacionava. Voltou usando um boné que não tinha antes. Isso aumentou ainda mais minha desconfiança. Verifiquei a reserva no Booking e percebi que a empresa tinha apenas cinco avaliações, todas suspeitas. Meu instinto gritou: não volta com esse cara.

Mandei mensagem para um amigo da empresa, o Dani , que rapidamente me colocou em contato com o amigo dele em Santiago, o Bruno. Expliquei a situação, e Bruno foi categórico: dispense o motorista. Segui o conselho. Disse que iria jantar com um amigo e não precisaria do transfer de volta. O motorista insistiu, fez perguntas pessoais e até questionou se eu tinha noivo. Mantive a calma, mas consegui me livrar dele.

Assustada, mas decidida a não deixar o medo estragar o passeio, segui em frente. No final do tour, a guia Consuelo foi maravilhosa: expliquei o que tinha acontecido e ela me conectou a outro guia Brasileiro, que me ajudou a pedir um Uber dentro da vinícola e sair em segurança. Para minha sorte, a motorista era mulher, o que me trouxe alívio e segurança no trajeto.

Na vinícola, fiz dois tours:

  • Tour tradicional: com explicações detalhadas sobre a história e o processo de produção dos vinhos da Cousiño Macul.
  • Tour premium: com degustação de rótulos mais sofisticados, harmonizados com comidinhas.

A experiência foi incrível, uma verdadeira imersão no mundo do vinho. A Cousiño Macul é uma das vinícolas mais antigas do Chile, fundada em 1856, e ainda pertence à mesma família — um detalhe que a torna única entre as vinícolas do Vale do Maipo. Caminhar pelas adegas antigas e provar vinhos especiais foi um privilégio que compensou todo o nervosismo inicial.

De volta ao hotel, relatei o que aconteceu, recebi dicas de andar com minha tag de geolocalização para segurança e depois fui comer sushi — já estava com vontade há dias, e apesar de ter errado o pedido, mesmo assim valeu pela experiência. Eles usam muito abacate aqui nos sushis e queria muito provar. Às 21h33, o motorista que me levou até a vinícola me mandou mensagem perguntando se eu tinha chegado bem ao hotel. Bloqueei o número imediatamente e decidi denunciar o passeio no Booking.

Terminei o dia arrumando minhas malas para a próxima etapa da viagem: o Deserto do Atacama. Fui dormir tarde, ainda um pouco nervosa com este último dia em Santiago, mas aliviada por ter transformado um dia de susto em uma experiência de vida.

DICA! Sempre pesquise a reputação das agências antes de reservar. Prefira empresas com muitas avaliações confiáveis em sites como Booking, Tripadvisor ou GetYourGuide. E siga sempre seu instinto: se algo parecer errado, confie na sua intuição e se afaste.

Dia 7 – De Santiago ao Deserto do Atacama

Esse foi o dia da transição entre Santiago e o tão esperado Deserto do Atacama.

Acordei cedo, tomei banho, me arrumei e fui tomar café no hotel. Queria apenas um copo para levar, mas a funcionária explicou que não havia. Acabei tomando rapidamente ali mesmo, para ganhar tempo, passar no banheiro e terminar de me organizar antes do Uber.

Peguei o Uber para o aeroporto, compartilhei minha localização com as amigas e segui viagem. Logo veio o primeiro contratempo: excesso de bagagem. Estava com 26 kg e precisei pagar 25.000 pesos de multa.

No aeroporto, precisei trocar de portão, do A para o B, caminhando bastante carregada — afinal, além da mala despachada, levava mochila pesada e garrafas de vinho. Para piorar, no embarque implicaram com minha mochila, dizendo que eu deveria despachá-la. Fiquei apreensiva, já que dentro estavam meu notebook, eletrônicos e remédios. Depois de muita insistência, consegui embarcar com ela, mas no processo forcei tanto que acabei rasgando a mochila.

O voo teve turbulência, mas chegou bem a Calama. Logo encontrei o transfer para San Pedro de Atacama, que havia reservado no momento de reservar o hotel. O próprio hotel oferece, já que Calama fica a 1 hora de San Pedro. No trajeto, uma surpresa rara: uma parada de 20 minutos por conta de neve na estrada. Havia tido um temporal neste dia e ver neve no deserto foi emocionante, um contraste quase surreal.

Neve no deserto

Chegamos a San Pedro por volta das 15h e ainda havia mais um obstáculo: o cadeado da minha mala emperrou, e foi necessário pedir ajuda na recepção para conseguir abrir. Quebramos o cadeado e seguimos! Ainda no quarto enviei mensagem a agência para saber do passeio do dia seguinte, que havia comprado pelo Tripadvisor. Achei meio desorganizado e só depois fui entender que comprei de uma agência brasileira que é parceira de uma agência chilena.

Apesar do frio intenso e da chuva, decidi não abrir mão do treino. Corri pelas ruas de San Pedro, só para marcar aquele momento simbólico: o primeiro treino no Atacama. Foi sofrido por conta da altitude, mas valeu a experiência.

Depois do banho, saí para explorar o vilarejo à noite. A cidade estava muito com muito barro por conta da tempestade da tarde, mas fiquei encantada com o clima local: lojinhas de artesanato, feirinhas e um astral único. Comprei lembranças para mim e para o meu pai, incluindo ímãs e peças de prata com lápis-lazúli. Inclusive, a moça da loja me passou várias dicas dos passeios que a própria agência não havia passado.

Para jantar, escolhi o Adobe, um dos restaurantes mais conhecidos da região. Ambiente acolhedor, comida divina — até então, a melhor refeição da viagem. Recomendo de olhos fechados.

Voltei ao hotel feliz, apesar da dor de cabeça causada pelo frio e pela altitude. Senti que a energia da viagem tinha mudado. Depois de tantos perrengues em Santiago, no Atacama tudo parecia finalmente começar a fluir melhor.

DICA! Em voos internos no Chile, fique atento ao limite de bagagem: 23 kg. Qualquer excesso gera multa em pesos chilenos. E nunca despache eletrônicos, remédios ou itens de valor — mesmo que insistam, lute para embarcar com a mochila.

Dia 8 – Laguna Cejar e arredores

Na quinta-feira me permiti descansar um pouco mais. Acordei tarde, tomei café da manhã no hotel — simples, mas gostoso — e depois voltei para o quarto para me arrumar antes de sair. Estava com dor de cabeça e a moça recomendou tomar chá de coca antes do café e antes do almoço para amenizar o impacto da altitude.

Chá de coca sempre disponível no hotel

Passeei pelo centro de San Pedro de Atacama: caminhei pela praça central, visitei a igreja e comprei artesanato na feira, incluindo uma lhama de presente para meu pai. As ruas da cidade têm uma energia única, cheia de lojinhas e movimento de turistas.

Almocei no Casona, um restaurante lindo e aconchegante. Pedi carne cozida por três horas, servida com purê de milho — prato típico e delicioso. O garçom elogiou meu espanhol e pediu para me seguir no Instagram, mas percebi que havia segundas intenções e preferi ignorar.

À tarde, iniciei o passeio para a Laguna Cejar e arredores, que inclui quatro pontos principais:

  1. Laguna contemplativa (não lembro o nome), onde só é permitido observar a paisagem.
  2. Laguna Cejar, famosa por sua alta concentração de sal, que permite flutuar naturalmente.
  3. Laguna Tebinquinche linda ao pôr do sol e permite ver espelho d’água da Cordilheira dos Andes ao fundo
  4. Los Ojos del Salar, dois poços de água redondos, formados artificialmente.

Na Laguna Cejar, decidi entrar na água — uma experiência desafiadora. A temperatura era congelante e a sensação térmica quase insuportável. Consegui boiar duas vezes, mas o frio era tão intenso que saí rapidamente. Ao sair, a pele ficou coberta de sal, esbranquiçada, e cheguei a ter pequenos cortes e sangramentos nas mãos e nas coxas. A ducha para retirar o sal também era gelada. Fiz amizade com um casal mineiro neste dia e mulher inclusive me ajudou com um creme hidratante para passar nas mãos cortadas pelo sal. Foi uma experiência única, mas dura no inverno.

Laguna Cejar

Depois seguimos para a Laguna Tebinquinche, uma das paisagens mais bonitas que já vi. Ficamos contemplando o espelho d’água com a Cordilheira dos Andes nevada ao fundo — um fenômeno raríssimo no Atacama. As chuvas fortes dos últimos dias haviam trazido neve para a região, o que, ao mesmo tempo que criou um cenário mágico, também resultou no cancelamento de muitos passeios, como os Geysers del Tatio e Piedras Rojas e Lagunas Altiplánicas.

Fechamos o passeio com um piquenique ao pôr do sol. A vista estava deslumbrante, apesar do frio intenso. No caminho de volta paramos nos Los Ojos de Salar, que são artificiais, mas renderam boas fotos.

De volta a San Pedro, tomei um banho quente para remover o sal do corpo e saí para jantar na pizzaria Charrúa. Pedi um macarrão à bolonhesa — simples, barato e muito gostoso. Voltei para o hotel e preparei um chá antes de dormir. Detalhe que a minha tag de geolocalizacao estava dentro da chaleira portátil que levei e foi fervida neste momento e só voltou a funcionar no Brasil. Fiquei puta na hora, pois com o susto no Chile iria usar a minha tag não só na mala, mas comigo por seguranca também. Fui dormir chateada, mas paciência. Passeio programando do dia seguinte era o Salar do Atacama, já que os Geyseres estavam fechados.

Janta simples e muito saborosa

DICA! Se for visitar a Laguna Cejar no inverno, leve toalha, roupas térmicas para vestir imediatamente após o banho e evite entrar na água com cortes ou pele sensível, já que o sal pode causar ferimentos. Alguns hotéis oferecem toalhas para este passeio, então outra opção é perguntar na recepção sobre.

Dia 9 – Salar do Atacama e Vale de la Luna

Acordei às 4h da manhã com dor de barriga (sempre levem remédio nas viagens), tomei banho, me arrumei e às 5h15 fui tomar café, ainda desconfortável. A dor só foi embora por volta das 6h22. Às 7h, a van chegou para iniciar o passeio ao Salar do Atacama (Salar Chaxa / Salar Corto).

No caminho presenciamos um vulcão e pequena atividade, um pouquinho de fumaça saindo do mesmo. A primeira parada foi na pequena cidade de Toconao, construída com pedras vulcânicas que ajudam a manter a temperatura interna das casas. Caminhamos por suas ruas, ouvimos histórias locais e tomamos café da manhã em uma mesa montada especialmente para o grupo. Fiz amizades neste dia com uma família de Santiago, ficamos conversando sobre os passeios que haviam sido cancelados e nossa expectativa de abertura. Acabei encontrando eles em outros passeios no Atacama.

Seguimos viagem até o coração do Salar do Atacama, o terceiro maior do mundo. A imensidão branca é impressionante. Caminhar por aquele cenário, ver flamingos voando e observar a vida selvagem foi uma experiência única. O guia explicou que as águas e minerais descem da Cordilheira dos Andes e ficam represados, já que a Cordilheira de Sal forma uma barreira natural, originando o salar.

Na volta, paramos no Vale de Jere, de onde eram extraídas as pedras vulcânicas usadas na construção das casas em Toconao. O local é bonito, com vegetação inesperada e bastante história.

Retornamos a San Pedro por volta do meio-dia. Almocei uma quesadilla gigante e deliciosa de um café local, comprei uma Coca-Cola e voltei ao hotel para descansar um pouco antes do passeio da tarde.

À tarde, fui ao Vale de la Luna, um dos lugares que eu mais aguardava conhecer. A região, composta por dunas, formações rochosas e cordilheiras, realmente lembra a superfície lunar. O vento era forte, o que tornava a experiência ainda mais intensa. Fizemos quatro paradas principais:

  1. Três Marías – formações rochosas curiosas, onde também é possível ver pedras de selenita.
  2. Duna Mayor – mirante principal, com vista panorâmica de todo o vale.
  3. Piquenique próximo à Cordilheira de Sal.
  4. Mirador final, para assistir ao pôr do sol em meio a uma das paisagens mais surreais do planeta.
Vale de la Luna

A experiência foi indescritível: parecia mesmo estar em outro mundo.

À noite, voltei à agência para confirmar a programação dos próximos dias. Infelizmente, os passeios para Piedras Rojas e Geysers del Tatio continuavam fechados devido à neve. Recebi um reembolso parcial e substituí por outras opções, como o Vale do Arco-Íris.

Para fechar o dia, jantei novamente no Adobe, meu restaurante favorito em San Pedro. A comida estava deliciosa, o ambiente acolhedor como sempre. Fui dormir feliz com as experiências vividas, mas sentindo também o peso da altitude e da rotina intensa de passeios.

DICA! Use protetor labial e hidrate-se bastante ao visitar o Salar do Atacama e o Vale de la Luna. O ar seco, o sal e o vento forte ressecam muito a pele e podem causar desconforto.

Dia 10 – Vale do Arco-Íris e Tour Astronômico

Acordei por volta das 5h30 para o passeio ao Vale do Arco-Íris. Tomei um café rápido e às 7h já estava pronta para o carro da agência. O trajeto levou cerca de 1 hora até a região.

O vale é impressionante: suas rochas multicoloridas foram formadas pela presença de diferentes minerais, criando uma paleta natural com tons de verde, vermelho, amarelo e branco. Caminhar por aquele cenário parecia entrar em uma pintura. Passeamos tranquilamente, tiramos muitas fotos e ficamos no local até por volta das 11h.

Depois, a agência serviu o tradicional café da manhã — pão, ovo, café e suco. Embora repetitivo, era sempre bem-vindo depois de algumas horas explorando a região. Encontrei a família de Santiago neste passeio também.

Na sequência, visitamos uma área com petróglifos, inscrições rupestres deixadas por povos antigos. Os desenhos mostravam camelídeos, coelhos e outros animais, provavelmente usados como forma de comunicação entre viajantes ou como registros simbólicos de suas experiências.

Voltamos para San Pedro perto do meio-dia. Almocei um salmão simples em um pequeno restaurante e aproveitei a tarde para organizar minha mala, que já estava bastante pesada com compras e lembranças acumuladas.

À noite, finalmente aconteceu o tão esperado tour astronômico, que deveria ter acontecido no primeiro dia, mas havia sido adiado várias vezes por causa das condições climáticas. Saímos às 20h em direção a uma região afastada, com céu limpo e sem poluição luminosa.

O guia deu uma verdadeira aula sobre o universo: falou sobre estrelas, planetas, a formação do cosmos e até sobre a velocidade da luz. Ficamos cerca de 1h30 observando o céu com telescópios, maravilhados com a nitidez das constelações no Atacama — considerado um dos melhores lugares do mundo para observação astronômica.

Depois, assistimos a um vídeo explicativo, com direito a comes e bebes. Para encerrar, tiramos fotos incríveis com o céu estrelado como pano de fundo. Foi uma experiência inesquecível, que ficará marcada para sempre na minha memória.

Voltei ao hotel às 23h30. Ainda precisei tomar banho e terminar de arrumar tudo, então acabei dormindo tarde, por volta das 2h.

DICA! O Deserto do Atacama é um dos melhores destinos do mundo para observação do céu. Leve roupas bem quentes, pois à noite as temperaturas despencam, mesmo no verão.

Dia 11 – Retorno ao Brasil

O último dia da viagem começou cedo: acordei às 4h10, me arrumei e optei por não tomar café da manhã, para evitar qualquer incômodo intestinal. A estratégia deu certo: consegui ir naturalmente ao banheiro, sem dor de barriga. Às 5h, o transfer passou para me levar até o aeroporto de Calama.

Atacama da janela do avião

Os procedimentos no embarque foram tranquilos e o voo para Santiago ocorreu sem turbulências. Já na capital, decidi deixar minhas malas no guarda-volumes para ter mais liberdade até o voo internacional. Fiz um brunch reforçado — mistura de café da manhã com almoço — para segurar até a chegada ao Brasil. Como só poderia despachar a bagagem a partir das 13h30, usei esse tempo para comer e descansar.

Na hora de embarcar, veio mais um perrengue: precisei pagar 95.000 pesos de excesso de bagagem, já que minha mala estava com 28 kg. Foi um aprendizado importante para as próximas viagens: sair de casa com no máximo 18 kg, deixar espaço para lembranças e usar lavanderia quando necessário.

Durante o processo de retorno, conheci uma senhora que voltava da Austrália, onde o filho mora. Ela me contou que o marido havia adoecido e falecido lá, e que estava trazendo as cinzas dele na mochila para recomeçar a vida no Brasil. A história me tocou profundamente e me fez refletir: a vida é mesmo um sopro, e cada instante importa.

O voo de Santiago para Florianópolis foi tranquilo. Cheguei cansada, mas feliz e transformada por tudo o que vivi. Essa viagem ao Chile não foi apenas um roteiro de passeios, mas uma jornada de reencontro comigo mesma, cheia de aprendizados, perrengues e momentos inesquecíveis.

DICA! Planeje sempre sua bagagem para o retorno. Deixe espaço para lembranças, evite ultrapassar o limite de peso e considere usar lavanderias locais em viagens longas. Isso poupa tempo, dinheiro e dores de cabeça no aeroporto.

Epílogo – 10 dias no Chile: reflexões e aprendizados

Foram 10 dias intensos entre Santiago e o Deserto do Atacama. Uma viagem que começou cheia de expectativas e ansiedade, passou por perrengues, aprendizados, e terminou com uma sensação profunda de realização.

O Chile me mostrou sua diversidade: da modernidade de Santiago à simplicidade encantadora de San Pedro; do frio congelante da Cordilheira dos Andes às noites estreladas no deserto mais árido do mundo. Cada dia trouxe uma nova descoberta — seja uma paisagem que tirava o fôlego, um prato típico delicioso, ou uma conversa inesperada que me marcou.

Uma experiência incrível

Também foi uma jornada pessoal. Depois de 10 anos sem viajar sozinha para fora do Brasil, me reencontrei com a Juliana aventureira: aquela que encara imprevistos, se adapta, resolve problemas e ainda encontra tempo para celebrar cada conquista.

Entre os aprendizados que trago dessa experiência, alguns ficam gravados:

  • Planejamento é essencial, mas a flexibilidade salva quando imprevistos acontecem.
  • Bagagem menor é bagagem mais leve — em todos os sentidos. Carregar menos roupas significa carregar mais experiências.
  • Seguir a intuição é fundamental. Houve momentos em que meu instinto me protegeu, e hoje tenho ainda mais confiança nele.
  • O corpo fala. Seja na altitude, no frio ou no excesso de ritmo, respeitar limites é parte da jornada.
  • Momentos simples são tão marcantes quanto os grandiosos. Uma corrida na Avenida Costanera, um chá no hotel, um artesanato comprado na feira… todos têm lugar na memória.

Voltei transformada, mais forte e mais confiante. Viajar sozinha, depois de tanto tempo, foi um divisor de águas. O Chile não foi apenas um destino: foi o cenário de um reencontro comigo mesma.

E se alguém me perguntar se vale a pena se aventurar por esse país vizinho, minha resposta será clara: vale cada segundo.

Sobre Ju Mostardeiro

Juliana Paul Mostardeiro é fundadora do Aqui é Assim, um espaço que une sua paixão por viajar à vontade de aproximar as pessoas de experiências transformadoras e estimulá-las a colocar uma mochila nas costas para ampliar sua visão de mundo. Ela acredita que viajar é uma das formas mais potentes de conexão humana e autodescoberta. Jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Liderança Exponencial, possui uma trajetória sólida no universo corporativo. Baseada em Florianópolis, utiliza sua expertise em liderança e gestão para desenvolver pessoas. Acredita em uma liderança humanizada e em ambientes modernos de trabalho que estimulem as competências únicas de cada um.

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